Presidente da Azul: “É hora de parar de chorar e olhar para frente!”

O presidente da Azul, John Rodgerson, disse em entrevista ao site NeoFeed que “é hora de parar de chorar e olhar para frente!” O CEO falou ainda que está muito satisfeito com o compartilhamento de voos da empresa que comanda com a Latam. E que a parceria será a maior do mundo. Mas voltou a negar planos de uma fusão. Disse que o feriado de 7 de setembro foi um divisor de águas para a aviação nacional e que está superanimado com a recuperação do mercado doméstico, ao ponto de cogitar abrir mão do empréstimo do BNDES caso a situação continue evoluindo de maneira favorável. Confira alguns destaques da entrevista!

John Rodgerson no evento de 11 anos da Azul, em 2019

Otimismo com o mercado doméstico

John Rodgerson confessou que o primeiro trimestre de 2020 foi o mais longo da vida dele. Afinal, das 150 aeronaves da frota da Azul, 130 estavam no chão, paradas em razão da pandemia. No entanto, agora que 120 aviões já estão em operação e a companhia voltou a operar 65% de sua malha, o ânimo mudou radicalmente. A confiança é tanta que, com R$ 2,3 bilhões em caixa, recursos suficientes para manter a empresa por 30 meses, seus executivos avaliam se vão mesmo utilizar a linha de crédito oferecida pelo governo. “Ter o dinheiro à disposição, caso aconteça uma segunda onda de contaminação, é uma espécie de segurança para a companhia, mas não sabemos ainda se vamos precisar”.

“Quem está viajando são pequenos empresários e pessoas viajando a lazer. Olha o que é possível quando o mercado financeiro voltar, quando a construção voltar, óleo e gás voltarem. Como as escolas em São Paulo ainda não abriram, é muito difícil para um pai e mãe viajarem a trabalho, por um dia, com as crianças em casa”, destacou. “Para nós, a virada de chave foi o dia 7 de setembro. Fez muito sol naquele fim de semana e todo mundo foi para a praia. O brasileiro decidiu ‘eu fiz minha parte, fiz quarentena e agora estou livre’, um divisor de águas.”

“O que não temos visto mais é aquele cliente que chega no aeroporto de última hora e compra uma passagem de ponte-aérea pagando R$ 2 mil. Isso não existe, mas voltará. Tem muito cara rico no Brasil”, disse ao NeoFeed.

“Parar de chorar e olhar pra frente!”

O executivo explicou que toda empresa que está crescendo acaba acumulando gordura, porque a expansão é a prioridade. Mas, com a pandemia, as companhias aéreas foram obrigadas a cortar cursos e pessoal e a renegociar contratos. “Olhamos quem tinha mais para perder e todos tiveram que contribuir para criar giro. Então, falei para a empresa de leasing, que não podia pagar nada no segundo trimestre, em abril, maio e junho era zero. Em julho, pago 20% porque estava voando 20%. Agora, estou pagando 40%”, completou.

Basicamente, a empresa transformou boa parte dos custos fixos em variáveis, chegando a economizar 80% com o leasing das aeronaves no terceiro trimestre. Já a folha de pagamento caiu 50%. “Obviamente, tivemos acordos com sindicatos e para outros profissionais, infelizmente, tivemos de dizer até breve (2.500 funcionários foram desligados). Mas estamos trazendo de volta muitas pessoas que foram desligadas nesse processo (400 profissionais já foram readmitidos). A única maneira de nos salvar é voando. Agora, é retomada, retomada e retomada. É parar de chorar e olhar para frente.”

Azul Conecta

Em plena pandemia a Azul concluiu a compra da companhia aérea regional TwoFlex, relançada recentemente como Azul Conecta. A empresa investiu R$ 123 milhões numa empresa com uma frota de 17 aviões Grand Caravan de pequeno porte. “É uma empresa rentável e que nos traz flexibilidade”, disse Rodgerson. “O primeiro ponto foi ter acesso a mercados regionais, o segundo é oferecer serviço de carga e o terceiro é que eles têm seis slots em Congonhas. E, quando a demanda voltar, vamos usar esses slots com aeronaves maiores.

“O que vimos é que tem muita cidade pequena nesse País que precisa de serviço aéreo. Esse foi o objetivo de a Azul comprar a TwoFlex”, afirmou. “Eu sempre brinco que existe um triângulo do Brasil. Os caras da Faria Lima (região de alta renda de São Paulo) olham para Leblon (bairro nobre do Rio de Janeiro), Brasília e São Paulo e acham que o Brasil é esse triângulo. Cerca de 92% dos assentos dos meus concorrentes, Gol e Latam, estão concentrados nesse triângulo. Para nós, 37%. Somos muito fortes em Pernambuco, em Minas Gerais, Belém, Cuiabá… Esses são nossos destinos, é um outro Brasil. É verdade que o cara do Leblon não vai almoçar em São Paulo, vai fazer por videoconferência. Mas será que o cara do agronegócio, de Sinope, de Sorriso, vai fazer isso? É diferente. Não porque eles não têm tecnologia, mas pela forma de fazer negócios. Para eles, é apertar a mão do cliente, ver nos olhos, ver a pessoa.”

Compartilhamento de voos com a Latam

Rodgerson destacou que o acordo de codeshare é muito benéfico para as empresas. “Se você olhar, a Delta pagou US$ 2 bilhões para entrar na Latam. Os US$ 2 bilhões viraram pó, mas pagaram isso em fevereiro desse ano. Por que pagaram? Eles só têm 20 voos para a América Latina e podiam conectar com os voos da Latam. Olha agora o codeshare de Azul e Latam, é muito poderoso.”

Ele deu um bom exemplo do potencial da parceria. “No passado, tivemos uma grande briga com Gol e Latam pela ponte-aérea. Eu recebi um número pequeno de slots em Congonhas e tive de sacrificar algumas rotas. Uma dessas foi Congonhas/Curitiba. A Azul serve oito cidades no Paraná através de Curitiba, mas não tenho a ligação de Congonhas. Agora, posso vender aquela ligação e servir todas as outras cidades dentro do estado. Isso faz uma grande diferença. Posso vender Porto Alegre para Fernando de Noronha. Talvez o primeiro trecho seja da Azul, o segundo trecho da Latam e o terceiro da Azul. Isso não existia antes. Pensa na Latam, por exemplo. Antes do nosso acordo, quando voava para o Recife com a empresa, você podia voltar para São Paulo, ir para Brasília ou para o Rio de Janeiro porque eles serviam só três destinos a partir de lá. Na minha malha, sirvo 27 destinos a partir de lá.”

“A Latam tem acesso a muitos clientes, é muito mais poderosa em São Paulo do que a Azul. A Azul é mais poderosa no interior de São Paulo”, disse, justificando porque acha o acordo muito benéfico. “É muito melhor ter uma aeronave no ar do que duas no chão, que é o que estava acontecendo. Será o maior codeshare do mundo!”, disse otimista.

Confira a entrevista completa no Neofeed.

É muito bom ver todo esse otimismo em meio à crise. Torcemos para que a aviação e o turismo se recuperem rapidamente!


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Fonte: Melhores Destinos