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Governo Trump reafirma intenção de deportar brasileira ligada à família de porta-voz da Casa Branca, mesmo após soltura

A administração do presidente Donald Trump declarou nesta terça-feira (9) que a liberdade recém-conquistada por Bruna Ferreira é apenas provisória e que o trâmite para sua expulsão dos Estados Unidos permanece ativo. A brasileira, que vive no país há quase três décadas, deixou o centro de detenção na Louisiana na noite de segunda-feira (8) após o pagamento de fiança.

O caso atrai atenção internacional pelo vínculo familiar da imigrante: ela é mãe do sobrinho de Karoline Leavitt, atual secretária de Imprensa da Casa Branca.

Embora Bruna esteja livre para aguardar o processo fora das grades, segundo apurado pelo Brazilian Press, o Departamento de Segurança Interna (DHS) mantém uma postura rígida. Em comunicado, um porta-voz do órgão atribuiu a soltura a uma decisão de “uma juíza nomeada por Biden” e reiterou a classificação da brasileira como uma “imigrante ilegal com antecedentes criminais”, alegando que ela violou os termos de seu visto de turista expirado em junho de 1999.

O DHS informou ainda que Bruna deverá se apresentar periodicamente às autoridades do ICE (Imigração e Alfândega) para garantir o cumprimento dos termos de sua liberdade. O departamento aproveitou a oportunidade para reforçar a oferta governamental de “autodeportação digna”, que inclui passagem aérea gratuita, um auxílio financeiro de US$ 1.000 e a possibilidade de pleitear um retorno legal futuro.

Guerra de narrativas

A versão oficial foi duramente contestada pela defesa de Bruna. O advogado Todd Pomerleau celebrou a decisão judicial, que estipulou uma fiança de US$ 1.500 — o valor mínimo previsto em lei —, como uma vitória contra o que chamou de “perseguição cruel”.

Pomerleau rebateu a nota do governo, afirmando que o DHS “continua a regurgitar a narrativa caluniosa e difamatória vinda de Washington”. O advogado destacou uma contradição central no discurso oficial: durante a audiência, o próprio representante jurídico do governo Trump não apresentou objeções à soltura de Bruna. “Os fatos não mentem, apenas o DHS”, disparou o defensor, negando veementemente que sua cliente tenha histórico de agressão anterior à prisão realizada pelo ICE em 12 de novembro.

Contexto familiar e legal

A prisão de Bruna ocorreu em meio a um histórico de disputas familiares. Ela foi noiva de Michael Leavitt, irmão da porta-voz da Casa Branca, com quem compartilha a guarda de um filho de 11 anos. Em entrevista ao Washington Post, publicada um dia antes de sua soltura, Bruna lamentou a postura da ex-cunhada, Karoline Leavitt, afirmando ter sido traída por alguém que considerava uma irmã.

Michael Leavitt negou envolvimento na detenção, embora relatos indiquem que a família teria sugerido a “autodeportação” à irmã de Bruna.

Do ponto de vista migratório, a defesa argumenta que Bruna chegou aos EUA ainda criança, enquadrando-se no perfil de “dreamer”. Ela tentou renovar sua proteção pelo DACA, mas o processo foi travado por litígios judiciais. Além disso, Pomerleau ressaltou que ela estava em meio aos trâmites para obtenção do green card, classificando a detenção como ilegal, visto que as autoridades já possuíam seus dados biométricos e ciência de seu endereço.

Livre do centro de detenção em Basile, Bruna agora tenta se reunir com sua família, que reside ao norte de Boston, Massachusetts, enquanto o governo promete seguir trabalhando para remover imigrantes em situação irregular “o mais rápido possível”.

Fonte: Brazilian Press