O que parecia ser o desfecho dramático de uma ordem definitiva de expulsão transformou-se em uma reviravolta no ar. A brasileira Maisa Lopes Eliaser, de 32 anos, que passara mais de 30 dias sob custódia das autoridades migratórias norte-americanas, foi libertada e pôde retornar para casa após uma ordem de emergência emitida enquanto o avião que a transportaria para o Brasil já estava em procedimento de voo.
A saga teve início em 8 de julho de 2026, quando a brasileira foi detida ao comparecer a uma audiência agendada com oficiais de imigração. Maisa, que ingressou nos Estados Unidos com visto de turista em 2019 e permaneceu no país após o término do prazo de permanência legal, enfrentava uma sentença final de deportação emitida por um juiz de imigração. No entanto, sua união matrimonial em 2024 com o sargento do Exército dos Estados Unidos Alexis Jaramillo, de 43 anos e integrante da corporação há mais de uma década, colocou o caso no centro de uma intensa controvérsia política e institucional.

A prisão da imigrante ocorreu no contexto da revogação, promovida pela administração do presidente Donald Trump, das diretrizes de proteção que resguardavam cônjuges e pais de militares das Forças Armadas norte-americanas contra processos severos de remoção do país. Diante da detenção da esposa, o sargento Jaramillo — que atua na área de operações de aviação — precisou pedir afastamento temporário de suas funções de treinamento militar para assumir os cuidados integrais do filho de Maisa, um menino de 5 anos.
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A dinâmica tomou contornos extraordinários na quarta-feira, 12 de agosto, quando a brasileira foi embarcada em uma aeronave com destino ao território brasileiro. Segundo apurado pelo Jornal Brazilian Press, durante o percurso da viagem, agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) receberam um telefonema decisivo na cabine. Imediatamente após a ligação, cuja origem exata permanece desconhecida até mesmo pelo cônjuge da imigrante, os federais questionaram a passageira sobre sua preferência em desembarcar na América do Sul ou retornar em definitivo ao solo norte-americano. Enquanto os demais retidos no voo desembarcavam no Brasil, Maisa permaneceu no avião para realizar a viagem de volta ao estado da Louisiana.
Durante o trajeto de regresso, os próprios inspetores federais comentaram com a brasileira que a visibilidade obtida por vídeos e reportagens sobre sua situação a tornara “famosa”. A comoção em torno da prisão de familiares de integrantes das Forças Armadas impulsionou uma investigação formal aberta por parlamentares do Partido Democrata no Congresso americano. O caso também mobilizou diretamente o senador democrata pelo Arizona, Mark Kelly, ex-oficial da Marinha dos EUA, que acompanhou de perto as gestões para reverter a deportação.
Livre e de volta ao convívio familiar, Maisa relatou o profundo impacto psicológico causado pelo período em que esteve aprisionada, classificando o tratamento recebido nas instalações de detenção como desumano e comparável a um pesadelo diário que lhe dificulta o sono. O casal agora se prepara para uma audiência crucial agendada para a próxima segunda-feira, 17 de agosto, na qual tentarão formalizar a obtenção do visto de residência permanente (green card). Apesar das garantias verbais recebidas de que não haverá novos sobressaltos e de que a situação está sob controle, o militar e sua esposa confessam que ainda vivenciam momentos de apreensão e medo do futuro. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, órgão supervisor do ICE, optou por não se manifestar imediatamente após os questionamentos da imprensa.
Fonte: Brazilian Press