O influenciador de extrema-direita britânico Milo Yiannopoulos quebrou o silêncio após passar por um processo de detenção e posterior deportação dos Estados Unidos. O ativista, famoso por defender ativamente a atuação do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE) e apoiar políticas rigorosas de expulsão de estrangeiros, deu declarações contundentes a uma emissora de televisão do Reino Unido ao expor o rigor do tratamento que recebeu das autoridades norte-americanas.
Durante a entrevista, a figura pública narrou ter sentido um medo profundo ao ser submetido às táticas operacionais do ICE. Ele detalhou o procedimento no qual braços e pernas são imobilizados por correntes interligadas, ressaltando que a sensação física de dor supera o que costuma ser exibido em produções de ficção e que o método faz com que todos os custodiados sejam tratados como integrantes de organizações criminosas. Em seu depoimento, acrescentou o espanto ao constatar a extensão do rigor institucional no país e classificou toda a experiência de detenção e remoção do território americano como extremamente humilhante.

A justificativa oficial das autoridades da Casa Branca e dos órgãos de segurança aponta que o britânico permanecia em situação ilegal no país. Contudo, o influenciador contestou veementemente a versão governamental e questionou o alinhamento de setores estatais com o que chamou de narrativa falsa. Ele alegou ter morado nos Estados Unidos por uma década e sustentou ter garantido o direito de residência permanente, o conhecido “green card”, a partir de seu casamento com um cidadão americano.

Sobre a ausência em compromissos com a Justiça que motivaram a ordem judicial, Yiannopoulos assegurou que o não comparecimento ocorreu de forma não deliberada. Segundo explicou, os avisos oficiais foram remetidos intencionalmente para um endereço no qual não residia há cerca de dez anos, o que inviabilizou o recebimento do chamado e culminou na realização de uma audiência à revelia.
O episódio traz à tona contradições em relação ao histórico público do britânico. Em momentos anteriores, o ativista expressava apoio irrestrito às ações do ICE, chegando a defender a concessão de imunidade jurídica para os agentes da corporação. Além de atuar como ferrenho defensor da pauta conservadora associada ao ex-presidente Donald Trump, o influenciador acumula polêmicas na trajetória pessoal e profissional. Embora seja abertamente homossexual, declarou-se “ex-gay” e envolveu-se na arrecadação de recursos para divulgar terapias de conversão sexual, prática que carece de qualquer comprovação ou respaldo científico. Na esfera política, prestou serviços na assessoria do cantor Kanye West antes de um rompimento entre ambos e trabalhou para a congressista norte-americana Marjorie Taylor Greene. A repercussão em relação à expulsão do ativista do solo americano e aos desdobramentos operacionais sobre o caso segue sendo acompanhada com atenção pela imprensa internacional, segundo apurado pelo Jornal Brazilian Press.
Fonte: Brazilian Press