O contingente de cidadãos brasileiros registrados para votar em território norte-americano registrou uma alta de aproximadamente 45% nas eleições presidenciais de 2026, atingindo a marca de cerca de 265 mil inscritos — frente aos quase 183 mil computados em 2022. No panorama global, os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que 918,9 mil brasileiros estão aptos a exercer o sufrágio no exterior, um incremento de 31,8% comparado aos 697,1 mil do pleito anterior. O salto histórico revela uma expansão contínua desde 2010, momento em que a comunidade votante fora do país somava por volta de 200 mil indivíduos.
Dentro da estrutura montada nos Estados Unidos, que abriga o maior colégio eleitoral nacional fora da pátria, a cidade de Boston lidera com 53,4 mil cadastrados. Logo em seguida destacam-se Miami, reunindo 40.109 votantes, e Nova York, com 39.026. A capital financeira norte-americana, inclusive, vivenciou um avanço expressivo de cadastros em relação aos cerca de 28 mil registros validados há quatro anos.
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Para acomodar essa escalada populacional, a Justiça Eleitoral aprovou em abril a transferência de R$ 13,2 milhões destinados ao aluguel de imóveis, permitindo que o Ministério das Relações Exteriores estruturasse 66 postos de votação suplementares pelo mundo, sendo 14 em solo estadunidense. Contudo, segundo apurado pelo Jornal Brazilian Press, a redistribuição dos locais de votação em Nova York transformou-se em fonte de intensos debates e descontentamento.
Diferente de 2022, quando o pleito novaiorquino teve como sede o distrito de Manhattan, o Consulado-Geral do Brasil remanejou o ponto de votação para um complexo educacional localizado no Queens, distante cerca de 16 quilômetros do posto consular original e desprovido de acesso direto à rede de metrô. A alteração afeta não apenas os moradores locais, mas também quem viaja de fora do estado, cobrindo jurisdições como Nova Jersey e a região da Filadélfia. A profissional de marketing Amanda Lourenço, residente na Pensilvânia há sete anos, relata que o trajeto de carro — que exigia uma hora e meia de viagem em 2022 — ganhou ao menos trinta minutos adicionais de percurso, situação que motivou abaixo-assinados de grupos comunitários solicitando o retorno do pleito para a região central.
Apesar das críticas sobre o deslocamento, a escolha estratégica do Queens levou em consideração fatores de segurança relacionados ao endurecimento das diretrizes migratórias sob a gestão do presidente Donald Trump. A região escolhida figura entre as de maior densidade de imigrantes e tem registrado constantes incursões do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). O complexo escolar viabiliza a organização de filas inteiramente internas, impedindo a exposição de milhares de pessoas em vias públicas. Todo o plano de logística e contenção contou com o suporte direto da polícia local e da Secretaria de Relações Internacionais da Prefeitura de Nova York, repetindo o modelo operacional já testado em abril durante o pleito presidencial do Peru.
O receio de abordagens imigratórias ganha contornos relevantes ao comparar a massa de eleitores aptos com a totalidade da comunidade residente. Estimativas diplomáticas indicam a presença de aproximadamente 2 milhões de brasileiros morando nos Estados Unidos, dos quais uma parcela modesta formalizou o alistamento eleitoral.
Aliado às barreiras de transporte e à apreensão com o ICE, o combate à abstenção permanece como um obstáculo crítico para os diplomatas brasileiros. Nas eleições de 2022, os índices de ausência das urnas no exterior chegaram a 63,36% no primeiro turno e 61,44% no segundo turno, a despeito de o voto ser compulsório para alfabetizados de 18 a 70 anos e passível de justificativa. Naquele mesmo ano, o eleitorado novaiorquino presenciou filas que se estendiam por 500 metros com esperas de meia hora, exigindo grades de contenção policiais para separar militantes de correntes políticas opostas.
No tocante à preferência das urnas em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro obteve 65% dos votos válidos nos Estados Unidos, fixando seu maior reduto em Miami com 81,2%. Por outro lado, Luiz Inácio Lula da Silva saiu vitorioso em apenas três das dez repartições consulares do país, conquistando seu melhor percentual em São Francisco, com 60,1% da preferência. O cenário para 2026 impõe o desafio diplomático de acomodar um volume inédito de votantes e conter o desinteresse, operando em meio a um ambiente político e migratório consideravelmente mais complexo.
Fonte: Brazilian Press