
A estrada de ferro se impõe na paisagem de Passa Quatro mesmo antes de chegarmos a esta cidade do sul de Minas Gerais. E quando se está lá, não há como ignorá-la: seus trilhos cortam o município de ponta a ponta.
Por ela corre, aos finais de semana e feriados, o Trem da Serra da Mantiqueira, em trajeto de 20 km entre as estações de Passa Quatro e Coronel Fulgêncio. Em uma locomotiva, o passeio de duas horas reconstitui um pequeno trecho da estrada de ferro Minas/Rio, inaugurada em 1884 com a presença de Dom Pedro 2º. Durante o percurso, um violeiro anima o público, e a natureza da serra da Mantiqueira, vista pelas janelas, encanta a todos.
Ao chegar à estação Coronel Fulgêncio, os turistas caminham até o Túnel da Mantiqueira, passagem ferroviária com cerca de 900 metros na divisa de São Paulo com Minas.
O local teve importância estratégica durante a Revolução Constitucionalista de 1932, testemunhando batalhas entre as forças paulistas e as de Getúlio Vargas. Por ali também passaram soldados e armas.
E se a estrada de ferro é onipresente na cidade, a natureza não se furta a surpreender os visitantes. Um dos destaques é a Floresta Nacional de Passa Quatro, área de 3,5 milhões de metros quadrados com cachoeira, lagos, jardins, muitas árvores e área para piquenique.
Para quem gosta de trilha, a pedida é o Pico do Itaguaré (“pedra rachada” em tupi), com 2.308 metros de altitude, na divisa de Passa Quatro e Cruzeiro (SP). Para chegar até ele, é preciso caminhar por quatro horas, em trecho de dificuldade média. Por isso, é aconselhável contratar um serviço de guia.
Os entusiastas das cachoeiras também têm endereço certo em Passa Quatro, a cachoeira da Gomeira. Suas quedas, a maior com 40 metros, moveram as turbinas de uma das primeiras usinas hidrelétricas do Brasil, construída em 1911.
Após os passeios na natureza, quando estiver de volta à cidade, nada melhor do que se perder pelo casario do centro, entre uma visita e outra a lojas de artesanato e de comidas mineiras. É difícil resistir e não sair de lá com um pacote do Feijão Passa Quatro, criado pela cozinheira Teresa Maria da Costa, 56.
O produto passaquatrense consiste em um mix de nove grãos diferentes de feijão. Na receita de Teresa, é cozido com bacon, costelinha defumada, linguiça e lombinho.
A história do feijão
Ela conta que o mix surgiu há cerca de 20 anos, durante festival gastronômico que ocorre em julho. “Sempre gostei de trabalhar com ingredientes locais e achava que a cidade tinha de criar uma identidade culinária”, diz. Teresa foi convocada para fazer uma oficina usando produtos da cidade. “Já conhecia as carnes defumadas, uma das marcas daqui. O dono de um empório de Passa Quatro havia comprado vários tipos de feijão e começou a fazer as misturinhas de grãos”, relata. Foi de onde tirou a ideia.
Teresa criou seu próprio mix, sem feijão preto, “porque deixa tudo preto”, e apresentou o prato no festival, que naquele ano recebia o chef Olivier Anquier. “Ele provou e deu o nome de Feijão Passa Quatro à receita”, conta. Hoje, Teresa vende o kit em sua loja. O pacote de meio quilo do feijão sai por R$ 18 e as carnes defumadas custam R$ 30. A receita, diz, rende para oito pessoas. Ela também cozinha, mas apenas em eventos beneficentes do centro de umbanda do qual faz parte, a Casa de Vovó Cambinda.
Passa Quatro (MG)
a 240 km de São Paulo
Trem da Serra da Mantiqueira
Finais de semana e feriados
a partir de R$ 95 (meia entrada)
https://www.tremdaserradamantiqueira.com.br/
Floresta Nacional de Passa Quatro
Entrada gratuita, de terça a domingo, das 8h às 16h
Como chegar: a partir do trevo de Passa Quatro (rodovia MG 158), percorrer 2 km de estrada asfaltada até a portaria
Cachoeira da Gomeira
Entrada gratuita
Bairro Pinheirinho, a 3 km da rodovia MG-158
Minas de Minas
rua Antônio Cardoso, 48
Loja onde o Feijão Passa Quatro é vendido
Fonte: Folha de S.Paulo