
Apesar dos altos custos e das preocupações geopolíticas e climáticas, desde a pandemia as condições globais nunca estiveram tão favoráveis ao turismo. É o que mostra a edição deste ano do Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo, do Fórum Economico Mundial, lançado nesta sexta (25) em um evento em Genebra, na Suíça.
Segundo o ranking, Japão, Estados Unidos e Espanha são os países com as melhores condições para o desenvolvimento do turismo, enquanto Albânia, Vietnã, Laos e Qatar são os que mais melhoraram sua pontuação desde a última edição do índice, em 2024. Desde então, o Brasil caiu cinco posições, para 33º, mas ainda é o terceiro país mais bem posicionado das Américas, depois de Estados Unidos (2º) e Canadá (14º).
O ranking não mede diretamente o desempenho do turismo nos países, mas sim as condições que as economias proporcionam para que o setor se desenvolva. No total, são avaliados 17 quesitos divididos em cinco pilares: ambiente de negócios, políticas públicas, infraestrutura e serviços, recursos naturais e culturais, e sustentabilidade.
Na análise por regiões do planeta, a Ásia-Pacífico registrou o maior crescimento no índice (3,6%) em relação a 2024, seguido por Oriente Médio e Norte da África (2,5%), Europa e Eurásia (1,8%), Américas (1,6%), e África Subsaariana (1,1%). A Europa, no entanto, é a região mais bem posicionada no ranking, ocupando seis das dez primeiras posições.
“O índice mostra que as condições propícias para o setor estão em seu melhor momento desde a pandemia, com 92% das economias apresentando melhorias desde 2024”, diz Ramya Krishnaswamy, chefe da área de Economia da Experiência e Cidades do Fórum Econômico Mundial. “Agora, o desafio não é atrair mais visitantes, mas sim de gerar maior valor por meio de investimentos em pessoas, infraestrutura e uma colaboração público-privada mais sólida, para que o turismo proporcione benefícios duradouros a comunidades, empresas e destinos.”
Segundo o relatório, avanços significativos em atrativos culturais, infraestrutura e serviços turísticos, além da conectividade aérea continuam sendo as bases que sustentam o crescimento do turismo. Por outro lado, os custos de viagem, que têm subido acima da inflação, são o maior desafio, já que viajar ficou mais caro em três de cada quatro países avaliados.
O documento afirma ainda que o investimento no turismo tem ficado aquém da demanda desde 2022. Junto a isso, a escassez de mão de obra e as lacunas de qualificação ameaçam o crescimento futuro do setor.
“Os benefícios para as comunidades locais também diminuíram nesse período, evidenciando que um maior número de visitantes não se traduz automaticamente em melhores condições de vida ou empregos de maior qualidade, especialmente em destinos onde o turismo é altamente sazonal”, resume o comunidado enviado à imprensa.
Melhora é maior nas economias emergentes
Apesar de ter caído posições desde a última edição, o Brasil é o país latino-americano mais bem posicionado no ranking do Fórum Econômico Mundial, à frente de Chile (35º), México (41), Argentina (48º), Costa Rica (51) e Colombia (54).
Enquanto as economias desenvolvidas dominam o topo do ranking, é nas economias emergentes que o turismo tem ido melhor nos últimos anos. Juntos, Brasil, China, Índia, Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, Filipinas, Turquia e México representam mais de 28% do PIB global do setor –participação que deve crescer para 35% até 2035.
“Essas economias representam uma das mais importantes fontes de crescimento futuro do turismo”, diz o relatório. “O progresso recente delas também superou o desempenho do índice geral. Em relação a 2019, essas economias aumentaram sua pontuação média no índice em 4,7%, em comparação com 2,9% e 1,9% do índice geral e do grupo dos 20 primeiros colocados, respectivamente. Entre 2024 e 2026, elas melhoraram em um ritmo mais acelerado do que as demais.”
O relatório do índice não traz dados desagregados por países, apenas por subregiões. Na América do Sul, onde o Brasil é o mais bem colocado, as maiores pontuações vem de quesitos como competitividade de preços, tecnologia da informação e comunicação, saúde e higiene, e segurança e proteção.
Por outro lado, serviços turísticos e infraestrutura, atrativos não turísticos, infraestrutura terrestre e portuária, e recursos culturais têm as menores notas na região.
“Serviços e infraestrutura turística representa, de longe, a maior diferença entre essas economias e as 20 melhores colocadas, ressaltando a necessidade de maior investimento em acomodações, serviços ao visitante e infraestrutura de apoio”, diz o relatório. “A próxima etapa da convergência dependerá do suporte oferecido aos visitantes e às empresas do setor de viagens e turismo.”
O documento afirma ainda que muitas das principais economias emergentes no turismo já possuem os ativos associados ao sucesso na área. “O que as separa dos líderes é a qualidade e a abrangência da infraestrutura, dos serviços e das condições favoráveis necessárias para sustentar o turismo”, diz.
Fonte: Folha de S.Paulo