Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) realizaram na segunda-feira (12/10) uma operação de busca e apreensão na casa da congressista Ilhan Omar, do Partido Democrata, no estado de Minnesota. Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, a ação corresponde a suspeitas de uma suposta “fraude migratória” por parte de Omar e sua família.
A justificativa gerou críticas na imprensa local norte-americana, pelo fato de que a parlamentar nascida na Somália vive nos Estados Unidos desde 1995, e que os documentos que ela possui não só permitiram sua vida como cidadã regularizada nos últimos 30 anos como também foram suficientes para que ela tenha carreira na política.
A operação acontece pouco mais de três semanas antes das eleições legislativas nos Estados Unidos, na qual Omar deverá disputar a reeleição como membro da Câmara de Representantes, a câmara baixa do país, pelo estado de Minnesota, onde mora.
A parlamentar é apontada pela imprensa local uma das figuras mais atuantes contra o governo do presidente de extrema direita Donald Trump.
Algumas pesquisas recentes indicam que o mandatário enfrenta baixa popularidade e que poderia perder a maioria que possui atualmente nas duas casas do Congresso.
Ademais, a ação contra Omar se insere em um cenário no qual diversas figuras opositoras enfrentam ataques por parte de instituições controladas pela administração de Trump.
Entre as outras figuras investigadas estão o ex-diretor do FBI James Comey; a procuradora-geral de New York, Letitia James; o ex-conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton; o senador Adam Schiff e autoridades do Federal Reserve, como Jerome Powell e Lisa Cook.
Em fevereiro deste ano, o próprio Trump fez declarações contra Omar, afirmando que ela e a também parlamentar democrata Rashida Tlaib (pelo estado de Michigan), também muçulmana, deveriam ser “internadas e enviadas de volta para os lugares de onde vieram” – Tlaib nasceu nos Estados Unidos, mas seus pais são palestinos.
Omar respondeu afirmando que o mandatário demonstra “uma obsessão doentia e assustadora” contra ela e outras figuras políticas que defendem os direitos dos imigrantes.
Fonte: Brazilian Press