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‘A Odisseia’ de Christopher Nolan…

Poder celebrar meu aniversário de 19 anos assistindo a esse filme foi uma das maiores alegrias de toda a minha vida até agora. Cresci com os filmes de Christopher Nolan, e foram exatamente eles que me fizeram me apaixonar pelo cinema — por isso ele sempre foi, para mim, o maior diretor que já existiu. Ver a obra dele moldar a minha infância elevou completamente o padrão do que eu espero quando as luzes se apagam na sala.

Nolan deu vida à mitologia grega de Homero no que talvez seja O maior espetáculo cinematográfico que eu já vi acontecer na tela grande. É bem possível que tenha sido assim que o público se sentiu ao sair de Lawrence da Arábia, enquanto David Lean revelava sua obra-prima nos anos 1960. Saber que esse é o primeiro filme da história inteiramente rodado, do começo ao fim, com câmeras IMAX 70mm me deixou completamente empolgado, e imaginar como aquele formato absurdamente monumental daria vida à história antiga foi, sinceramente, como um sonho. Infelizmente não consegui vê-lo em 70mm, mas com certeza vou voltar uma segunda vez para assisti-lo no formato original, exatamente como Nolan o concebeu.

As atuações de cada um dos atores são absolutamente lendárias, mas o jeito como o elenco domina esses espaços colossais é o que realmente deixa você de queixo caído. Matt Damon interpreta Odisseu com uma humanidade tão crua e ferida que você esquece por completo que está literalmente assistindo a uma superprodução de Hollywood. De verdade, nada te prepara para a sequência do Ciclope, que parecia um verdadeiro filme de terror do início ao fim. O design de som nessa cena é, disparado, o melhor que eu já ouvi num cinema — quando a criatura solta aquele rugido gutural e ensurdecedor, o grave sacudiu meu peito com tanta força que parecia que as paredes da sala estavam se movendo. Cada ator entrega o seu máximo nesses momentos, levando a tensão emocional a um ponto de ruptura que deixa a plateia inteira ali, sentada, em puro assombro.

O que faz disso uma obra-prima absoluta é a forma como Nolan usa a escala monumental para fazer os momentos mais silenciosos parecerem as coisas mais altas da sala. A fotografia de Hoyte van Hoytema é simplesmente deslumbrante, usando aquelas gloriosas câmeras IMAX para capturar a realidade áspera e cheia de textura desse mundo mítico, sem depender de green screens baratos ou de CGI (o maior inimigo de Nolan). As sequências de batalha são completamente viscerais, e a trilha sonora assombrosa de Ludwig Göransson é o que ancora toda a narrativa. Dá pra perceber que cada quadro foi construído por um diretor que respeita de verdade o público e ama a magia à moda antiga de uma verdadeira experiência de cinema.

Ao sair da sala, senti uma onda avassaladora de gratidão por estar vivo e por testemunhar um cineasta operando no auge absoluto do seu talento. É uma conquista monumental, dessas que vão ser lembradas para sempre, e uma memória de aniversário que vou carregar comigo pelo resto da vida.

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Fonte: AcheiUSA

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