Iara do Carmo Santana, uma brasileira de 29 anos foi detida por agentes de imigração dos Estados Unidos pouco tempo após sofrer um aborto espontâneo e enfrentar uma crise de saúde mental relacionada à perda gestacional. O casal vive em Malden, Massachusetts. Segundo Gabriel, ele chamou o serviço de emergência no dia 3 de setembro para pedir ajuda à companheira. Naquele momento, Iara enfrentava uma crise emocional após o aborto espontâneo.
“Eu moro neste país há 11 anos e já tinha chamado a emergência outras vezes”, disse Gabriel. Por isso, ele esperava que uma ambulância ajudasse Iara a se acalmar. No entanto, a polícia prendeu a brasileira sob acusação de agressão. O casal, porém, nega que Iara tenha atacado Gabriel. A polícia de Malden manteve Iara na delegacia por seis horas. Depois, os agentes a entregaram ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).

“Eles estavam lá dentro da delegacia para me prender”, contou Iara. Iara entrou de forma irregular nos Estados Unidos em 2021, pela fronteira com o México. Atualmente, ela tem autorização para trabalhar no país e aguarda uma audiência sobre seu pedido de asilo, marcada para 2029. Gabriel possui green card, autorização de residência permanente, desde 2024. Além disso, o filho de Iara, de seis anos, vive com o casal. Após a prisão, agentes levaram a brasileira para um centro de detenção de imigrantes em Burlington. Segundo Iara, contudo, o local não ofereceu os cuidados médicos de que ela precisava.
Iara estava grávida de seis semanas e três dias quando descobriu, em agosto, que os batimentos cardíacos do feto haviam parado. “A gente já tinha até escolhido o nome, eu tinha comprado roupa de gestante”, afirmou. Depois do aborto espontâneo, Iara precisou passar por um procedimento para a limpeza do útero. Além disso, os médicos recomendaram que ela continuasse o tratamento com medicamentos.
Segundo a brasileira, porém, ela deixou de receber os remédios após a detenção. “Lá dentro você não sabe se é dia ou noite, não tem como contar as horas, e eu precisava tomar o medicamento certinho, mas eles não me davam”, relatou. Por causa da interrupção do tratamento, Iara afirma que desenvolveu uma infecção que dificultava seus movimentos. Ela também contou que dormiu no chão durante as três noites em que permaneceu detida em Burlington. Por fim, um habeas corpus de emergência garantiu a liberação da brasileira.
Fonte: Brazilian Press