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Atenção: Governo dos EUA reestrutura áreas de cobertura do ICE em 40 estados e deve aumentar prisões

Uma mudança profunda no modo de atuação das forças federais de fiscalização migratória nos Estados Unidos vem transformando a rotina de dezenas de pequenas cidades e centros urbanos de médio porte pelo país. Em vez de grandes incursões espetaculosas e sob os holofotes da mídia em metrópoles como Nova York ou Los Angeles, a agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, conhecida pela sigla ICE, optou por descentralizar sua presença ostensiva por meio da locação de postos de trabalho em escritórios compartilhados e edifícios comerciais espalhados por mais de 40 estados norte-americanos, além do território de Porto Rico.

Essa movimentação tática envolve a redistribuição e a contratação de centenas de agentes de fiscalização que passam a operar em locais onde historicamente a presença federal era escassa ou quase inexistente. Cidades com poucos milhares de habitantes, a exemplo de Derby no estado de Vermont, Caribou no Maine e Concho no Arizona, além de municípios do Meio-Oeste como Manhattan, no Kansas, começaram a receber pequenos contingentes de oficiais federais instalados em espaços de coworking contratados pelo governo americano.

O estado do Texas lidera o recebimento desse reforço, concentrando quase meia centena de novos agentes distribuídos entre grandes regiões metropolitanas e municípios menores. Além disso, capitais e grandes centros regionais como Atlanta, Miami, Nashville, Baltimore e Seattle também tiveram sua infraestrutura operacional reforçada. Diferente das instalações tradicionais de custódia, estes novos locais de trabalho consistem exclusivamente em estações de trabalho, salas de reunião e vagas de estacionamento destinadas ao suporte administrativo e logístico das operações rotineiras na região.

A estratégia reflete uma nova diretriz do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, focada em manter uma pressão constante e capilarizada sobre as comunidades sem criar a comoção pública gerada por grandes batidas policiais. Conforme dados de contratos públicos federais, segundo apurado pelo Jornal Brazilian Press, a presença capilar de agentes em escritórios locais visa acelerar a identificação de imigrantes em situação irregular por meio de parcerias com forças de segurança locais e verificações de rotina no interior do país.

A reestruturação ocorre em um momento no qual o efetivo do órgão passou por uma ampliação expressiva, impulsionada por volumosos aportes orçamentários aprovados pelo Congresso norte-americano. Enquanto especialistas e advogados de imigração alertam para o impacto dessa presença capilarizada sobre famílias e trabalhadores residentes em comunidades isoladas, o governo norte-americano consolida um modelo de fiscalização silencioso, mas com alcance geográfico sem precedentes na história recente do país.

Fonte: Brazilian Press