O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) deteve, na última quinta-feira, o polêmico ativista britânico de extrema-direita Milo Yiannopoulos. A operação de captura ocorreu no Aeroporto Internacional de Nova Orleães, na Louisiana, conforme oficializado pelo Departamento de Segurança Interna (DHS).
O ativista, de 41 anos, que se notabilizou como uma das vozes mais provocadoras do conservadorismo radical e por posições ferozmente contrárias à presença de estrangeiros sem documentos, é agora classificado pelas autoridades federais como um imigrante ilegal prestes a ser expulso do território americano.

A permanência de Yiannopoulos no país já ocorria de forma irregular há anos. O britânico deu entrada legalmente nos Estados Unidos em maio de 2019, mas optou por permanecer além do prazo concedido pelo visto. A sua situação jurídica agravou-se drasticamente em 22 de julho deste ano, data em que um juiz de imigração emitiu uma ordem final de deportação após o comentador faltar à audiência judicial agendada. Segundo informações divulgadas pelas autoridades e dados que constam na notificação oficial acompanhada pela fotografia do registro policial, o britânico permanecerá sob custódia ostensiva até que a sua remoção forçada para o Reino Unido seja devidamente concretizada.

A detenção ocorreu em um momento em que Yiannopoulos mantinha agendas no estado da Louisiana. Segundo apurado pelo Jornal Brazilian Press, o ativista estava na cidade de Nova Orleães para acompanhar um concerto do artista Ye, anteriormente conhecido como Kanye West, com quem mantém laços próximos de cooperação. Figura central no ecossistema da extrema-direita da última década, Yiannopoulos construiu notoriedade a partir do portal Breitbart News sob a bandeira da liberdade de expressão irrestrita e do combate ao que chamava de “politicamente correto”, acumulando sucessivas denúncias de racismo e misoginia.
O episódio carrega contornos de forte contradição política. Um dos pioneiros no apoio público à primeira candidatura de Donald Trump em 2016, Yiannopoulos distanciou-se do ex-presidente recentemente, mas mantinha uma retórica radical sobre o controle de fronteiras. Em publicações feitas nas redes sociais, o britânico chegou a defender a instalação de postos de controle do ICE em supermercados, postos de gasolina e prédios públicos na Califórnia para a deportação sumária de indocumentados, além de ter solicitado imunidade legal irrestrita para os agentes de imigração em serviço. Agora, é o próprio aparato repressivo que o mantém detido enquanto aguarda o voo de regresso ao seu país de origem.
Fonte: Brazilian Press