Como o trabalho remoto está mudando as viagens

Desde que a pandemia começou, o home office foi um dos assuntos mais comentados. Segundo dados do IBGE, cerca de 9 milhões de brasileiros tiveram o privilégio de seguir trabalhando em casa no ano de 2020. Quando tudo voltar ao normal, é possível que parte dessas pessoas retome o esquema presencial. Mas, ao que tudo indica, o velho modelo de bater ponto de segunda a sexta pode estar com os dias contados em muitas empresas.

Mais flexibilidade para viajar

“A tendência é que o escritório se torne um espaço de colaboração, para encontrar os times. O que for trabalho individual as pessoas devem se programar para continuar fazendo de casa”, disse à revista Gama o arquiteto Sergio Athié, do Athié Wohnrath, um dos maiores escritórios de projetos corporativos do Brasil. Nos Estados Unidos, onde a pandemia está em um estágio mais avançado de controle, empresas como Ford, Salesforce e Zillow já estão adotando esse modelo híbrido, utilizando suas sedes como um lugar para reuniões esporádicas. Com mais flexibilidade, os que não têm mais que marcar presença na “firma” ficaram mais livres para viajar (quando for seguro), conciliando o trabalho com o lazer. E o mercado do turismo já se deu conta disso. Veja algumas mudanças que já estão acontecendo:

Baixa temporada menos baixa

Quem pode viajar fora dos finais de semana, feriados e períodos de férias sempre tem a possibilidade de conseguir melhores tarifas em aviões, hotéis e afins. Mas, com tanta gente podendo fazer isso, é possível que passe a haver um maior equilíbrio: preços menos absurdos na alta temporada e, sobretudo, preços mais altinhos na baixa.

Wi-fi em primeiro lugar

Não é de hoje que wi-fi grátis é um critério fundamental para decidir se reservar ou não um quarto de hotel ou apê. Mas, para trabalhar à distância, o nível exigência passou a ser muito mais alto. No meu micro universo de anfitriã do Airbnb nas Ilhas Baleares, na Espanha, já notei a nova demanda e, depois de receber algumas queixas, precisei providenciar uma conexão mais potente e fiável para hóspedes de home office. A tendência é que o mercado tenha um upgrade nesse sentido.

Lugares adaptados

Desde o ano passado, o Airbnb incentiva todos os anfitriões a providenciar espaços de trabalho em seus imóveis. A plataforma chegou lançar um guia completo sobre o assunto, recomendando o uso de cadeiras ergonômicas, boa iluminação, isolamento acústico, material de escritório, entre outros itens. Hotéis e até hostels também estão fazendo adaptações nesse sentido. Em alguns, foram instalados espaços completos de coworking que podem ser usados por hóspedes e por outros viajantes.

Estadias mais longas

Quem tem mais flexibilidade para viajar tende a ficar mais tempo, seja esticando um fim de semana ou passando uma temporada em algum destino. Hotéis e plataformas já estão se adaptando a essa tendência, oferecendo preços especiais para estadias mais longas.

Nômades digitais bem-vindos

O “congelamento” do turismo no mundo fez com que certos destinos buscassem outras formas de atrair visitantes. Com isso, alguns países e regiões aprovaram novos tipos de visto de trabalho e até incentivos para receber “nômades digitais”. É o caso de Barbados e das Bermudas, no Caribe, da Costa Rica, na América Central, e de Portugal. Para conseguir um visto, é preciso comprovar renda mínima, contratar um seguro de saúde, pagar uma taxa de inscrição e, em certos casos, fazer quarentena e/ou teste de covid.

O céu é o limite

A possibilidade de trabalho remoto também vem fazendo com que muita gente adote um estilo de vida alternativo. Não à toa, a hashtag vanlife (sobre quem decidiu sair por aí em um motorhome) é uma das mais populares do Instagram atualmente. Outro lifestyle em alta possibilitado pelas novas tecnologias é morar (e trabalhar) em veleiros. Com liberdade na agenda e dinheiro na conta, o céu é o limite.

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    Fonte: Viagem e Turismo

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