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Criança brasileira que vivia nos Estados Unidos é deportada para o Haiti

Os Estados Unidos deportaram uma criança brasileira, um menino nascido em 2021, para o Haiti, um dos países mais perigosos do mundo, onde a violência armada e um Estado falido configuram um cenário de calamidade social. O caso ocorreu em 27 de agosto.

A história ilustra uma tendência que tende a crescer. Muitas famílias haitianas que vivem nos EUA possuem filhos nascidos no Brasil, dado que viveram por anos no país antes de se mudarem para a América do Norte em busca de melhores condições econômicas.

Há um mês, Washington encerrou o chamado TPS, uma política de acolhida humanitária que permitia a 330 mil haitianos viverem nos EUA, estão agora em vias de deportação.

Os EUA também aceleraram os voos com deportados para o Haiti: antes mensais, agora eles serão semanais.

A Organização Internacional para Migrações (OIM) informou à reportagem que a criança brasileira foi deportada junto a seus pais, eles haitianos. A informação foi corroborada por Nathalye Cotrino, pesquisadora sênior da Human Rights Watch (HRW) que acompanhou a chegada do voo com 57 deportados na cidade de Cabo Haitiano.

A família, formada pelos pais haitianos, o menino brasileiro, um irmão caçula nascido nos EUA e um mais velho nascido no Haiti, era beneficiária do TPS nos EUA e vivia em New York, o segundo maior bastião da comunidade haitiana no país depois da Flórida.

Quando perderam o benefício no final de julho, após a Suprema Corte validar a decisão do governo de Donald Trump de encerrá-lo, tentaram emigrar para o Canadá, onde pediriam asilo. No entanto, foram detidos e enviados de volta para os EUA, quando passaram para a custódia do ICE, a agência de imigração, e foram posteriormente deportados para o Haiti.

Naquele mesmo voo com o menino brasileiro estavam outras três crianças que não nasceram no Haiti: seu irmão americano, uma outra criança nascida nos EUA e, por fim, uma outra nascida no Brasil.

Neste último caso, o de uma menina nascida em 2015 no país, porém, a família não é considerada como deportada. Isso porque o pai, haitiano, explicou que havia aceitado o chamado retorno voluntário oferecido pelo ICE. Neste caso, o imigrante é enviado de volta para o país e lhe é prometida uma ajuda financeira de US$ 2.600 como compensação.

Irritado, o pai dizia que nunca recebeu esse dinheiro, de acordo com relato da conversa que Cotrino, da HRW, teve com ele pouco após a família desembarcar do avião. A família que optou por voltar ao país procurou a Embaixada do Brasil em Porto Príncipe para pedir ajuda. O Brasil lhes informou a documentação necessária para que possam obter vistos de reunião familiar e, assim, ir ao Brasil. O trâmite está em andamento.

Fonte: Brazilian Press