O capítulo final da maior Copa de todos os tempos será neste domingo, com um roteiro digno de cinema. De um lado, a Argentina – comandada por Lionel Messi, de 39 anos, disputando sua terceira final desta competição – busca o bicampeonato consecutivo, algo que não acontece há 64 anos. Do outro lado, a Espanha do fenômeno Lamine Yamal, que aos 19 anos participa apenas de seu primeiro Mundial, mas já é o símbolo maior da nova geração da Fúria. Em um confronto histórico, o suposto favoritismo dos espanhóis perde força depois de tudo o que os “hermanos” aprontaram nas últimas semanas.
O único aspecto que pode segurar um pouco as duas melhores seleções do torneio é o clima: a partida será no New York/New Jersey Stadium e a expectativa é de temperaturas em torno de 90 ºF (mais de 32 ºC), com 60% de possibilidade de possibilidade de tempestades e trovões. O jogo está marcado para 3pm.
Por mais que as duas equipes tenham craques de sobra, não há como negar que a grande história da finalíssima é o embate entre os dois jogadores citados, cujas carreiras e idades estão separadas por duas décadas de diferença… ainda mais depois da foto que voltou a viralizar esta semana: na imagem de uma campanha publicitária beneficente feita em 2007, o jovem Messi, que começava a assumir um certo protagonismo no time do Barcelona (onde a grande estrela era o brasileiro Ronaldinho Gaúcho) aparece ao lado de um bebê – sim, claro, ninguém menos do que Yamal. Dezenove anos depois, os dois vão defender as cores de seus respectivos países, em um dos reencontros que só a magia do futebol poderia proporcionar.
Esta é um Mundial em que Messi vem ampliando sua coleção de recordes. Na semifinal diante da Inglaterra, vencida pela Argentina por 2 a 1 de virada, ele tornou-se o líder de assistências na história das Copas do Mundo, com 12 passes para gol. Além disso, “La Pulga” (apelido herdado da infância, devido à sua baixa estatura) é o maior artilheiro da competição (com 21 gols) e o jogador com mais partidas disputadas no maior torneio de futebol do mundo. Ele certamente não precisava desta validação, mas é difícil encontrar alguém no mundo agora que ainda conteste sua presença no pódio de melhor jogador de todos os tempos – um pouco abaixo do maior de todos os tempos… Pelé, é claro.
Já Lamine Yamal confirmou seu status de principal revelação do futebol internacional. O camisa 10 da Esoanha lidera o Mundial no quesito de dribles e vem sendo decisivo para sua equipe, mesmo com pouca idade. Na semifinal contra a França, ele sofreu o pênalti que abriu caminho para a vitória por 2 a 0. Ele marcou apenas balançou as redes uma vez nessa Copa, mas ninguém duvida que esta trajetória está apenas começando e que certamente será de sucesso absoluto.
No melhor estilo “guerra de gerações”, a decisão apresenta um interessante contraste entre experiência e juventude. Messi quer finalizar a sua história vitoriosa, tendo ao lado fiéis companheiros da jornada vitoriosa de quatro anos atrás: o “xerife” Otamendi, o parceiro Rodrigo De Paul e o goleiro “Dibu” Martínez provavelmente também fazem sua despedida das Copas. Já Yamal quer inaugurar uma nova era para o futebol espanhol, acompanhado de outros jovens, como o armador Pedri, o zagueiro Cubarsí e o atacante Nico Williams, todos com vinte e poucos anos.
No final da tarde de domingo, apenas uma destas duas seleções levantará a taça. Mas, independentemente do resultado, o mundo estará diante de uma espécie de passagem de bastão. Trata-se, portanto, de uma partida histórica, capaz de empolgar não apenas os amantes do futebol. Até porque, com a ajuda de uma fotografia que atravessou quase duas décadas, o futebol é realmente capaz de brincar com o tempo.
DROPS
- Ainda sobre a Copa: o Atlético de Madrid bateu um recorde que já durava 90 anos. Trata-se do clube com o maior número de jogadores na decisão do Mundial – 10 no total, sendo quatro espanhóis (Baena, Grimaldo, Llorente e Pubill) e seis argentinos (Almada, Giuliano Simeone, Júlian Alvarez, Musso, Molina e Nico González). E tem mais: trata-se da terceira final de copa seguida em que o clube espanhol é o time mais representado. Com todo este material humano, o técnico Diego Simeone, que está há 15 anos comandando o Atleti, só conquistou dois campeonatos da La Liga, uma Copa do Rei e outros torneios secundários da Europa (a Champions continua sendo o grande sonho da torcida). A explicação é simples: não é fácil ter como rivais diretos o Barcelona e o Real Madrid.
- Depois de mais de um mês de Copa do Mundo, em que assistimos a jogos fantásticos como Inglaterra x México, Espanha x França e as partidas eletrizantes da Argentina, decididas nos momentos finais, voltamos as atenções para os torneios envolvendo os times brasileiros: Libertadores/Sul-Americana, Copa do Brasil e Brasileirão. Com certeza vai ser legal também, mas o primeiro jogo desta retomada será Vitória x Vasco no Barradão é um contraste muito grande.

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Fonte: AcheiUSA