O governo dos Estados Unidos anunciou uma mudança histórica no calendário de vacinação infantil. Seis vacinas deixaram de ser recomendadas de forma rotineira para todas as crianças e passam a depender de avaliação médica individual ou de critérios de risco.
A atualização já entrou em vigor e faz parte de uma revisão mais ampla da política de imunização do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), comandado por Robert F. Kennedy Jr.
Saíram da lista de recomendações universais as vacinas contra gripe, hepatites A e B, meningococo (bactéria que pode causar meningites graves), vírus sincicial respiratório (RSV), associado à bronquiolite em bebês, e o rotavírus, responsável por quadros severos de gastroenterite infantil. A vacina contra a Covid-19 já havia sido retirada do calendário infantil há alguns meses.
Os imunizantes continuam disponíveis, mas indicados só para crianças consideradas de alto risco ou sob recomendação específica. É o chamado “shared clinical decision-making”, no qual a decisão é tomada em conjunto por profissionais de saúde e famílias.
Segundo o HHS, o objetivo é alinhar o calendário americano ao de outros países desenvolvidos, que adotam menos vacinas universais, reforçando a autonomia das famílias: a retirada da recomendação não significa proibição e os planos de saúde devem continuar cobrindo todas as vacinas, afirmam.
Pediatras e infectologistas, porém, alertam que este calendário é resultado de décadas de estudos e uma das ferramentas mais eficazes para prevenir doenças graves e potencialmente fatais. Para o pediatra Sean O’Leary, alterações desse porte deveriam se basear exclusivamente em evidências científicas robustas e processos transparentes.
Entidades médicas também rejeitam a comparação direta com outros países, pois diferenças profundas nos sistemas de saúde, na cobertura médica, no perfil populacional e na circulação de doenças tornam esse tipo de paralelo impreciso e arriscado.
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Fonte: AcheiUSA