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Além da Bienal de Veneza, Florença e Milão estendem circuito das artes

Numa de suas edições mais polêmicas, marcada pela morte de sua curadora-chefe às vésperas do evento e pela decisão do comitê organizador de permitir a representação nacional de países que são párias no atual momento histórico, a Bienal de Veneza, que acontece até o fim de novembro, continua sendo a exposição mais importante do calendário mundial para os apreciadores de arte contemporânea.

Se durante a semana de abertura há imensas filas para entrar em seus espaços, passado esse período a frequência diminui, tornando a experiência mais palatável e também mais rápida.

Uma vez na Itália e com alguns dias extras, vale estender o roteiro até Florença e Milão, ambas a poucas horas de trem de Veneza. São cidades que permitem continuar o circuito das artes, com foco no contemporâneo, sem prescindir dos grandes mestres que aparecem em suas coleções permanentes.

De Veneza a Florença, o deslocamento é particularmente fácil. Da estação Santa Lucia até Santa Maria Novella são cerca de duas horas de trem. É possível sair pela manhã e chegar ao centro da cidade renascentista antes do almoço.

Guarde a primeira tarde para o Palazzo Strozzi, um palácio renascentista do século 15 que, no início dos anos 2000, foi transformado em centro cultural. O espaço apresentou na última temporada uma excelente exposição de Mark Rothko, estabelecendo paralelos entre os estudos do artista sobre a luz e a pintura dos grandes mestres renascentistas, com obras emprestadas pelo MoMA e outros museus de peso mundo afora.

Para a temporada de fim de ano, em parceria com a National Gallery of Art, de Washington, o Strozzi traz mais de 80 obras que põem lado a lado trabalhos de Michelangelo, Auguste Rodin, Louise Bourgeois e Danh Vo, entre outros.

A poucos minutos dali, num complexo que já foi hospital e escola, o Museo Novecento ocupa um conjunto histórico diante de Santa Maria Novella e apresenta um panorama da arte do século 20 até a contemporaneidade. Atualmente, o museu recebe uma exposição do artista romeno Victor Man.

Para prolongar essa combinação de arte e história, vale ficar no Hotel Savoy, na Piazza della Repubblica. O endereço ocupa um edifício histórico no coração de Florença, com quartos e suítes que oferecem vista para o Duomo.

Não é novidade que Florença pode ficar lotada e, em determinados horários, circular pelo centro histórico significa dividir os monumentos com uma multidão de turistas e seus inevitáveis paus de selfie. No Savoy, há um privilégio que ajuda a compensar os preços, o de contemplar o Duomo do alto, em silêncio, sem precisar disputar espaço com centenas de pessoas.

Para quem vem também pelas exposições, o hotel providencia antecipadamente as entradas para os museus. Evitará perder tempo em filas, confie. E há ainda o prazer de simplesmente ficar por ali. O restaurante se abre para a Piazza della Repubblica, com mesas ao ar livre, de onde se pode acompanhar o movimento da cidade enquanto se toma uma taça de Franciacorta.

De Florença a Milão, a viagem muda de ritmo. Se a primeira cidade impressiona pela herança do Renascimento, a segunda é mais cosmopolita, com galerias, vitrines de grandes marcas, restaurantes e endereços de design espalhados pelo centro.

Em frente ao Duomo, o Palazzo Reale tem previstas exposições de Francis Picabia, com mais de cem obras do artista francês, e de Salvador Dalí, esta última dedicada à relação do espanhol com a moda e a alta-costura. As mostras ficam em cartaz até o começo do ano que vem.

Falando em alta-costura, siga para o hotel The Carlton Milan, no coração do Quadrilatero della Moda. A localização aqui faz diferença. Basta sair pela porta para estar na Via della Spiga, entre lojas, galerias, cafés e endereços de design.

O Duomo fica a menos de dez minutos a pé, permitindo combinar museus e monumentos durante o dia com o lado mais notívago da cidade ao voltar para o hotel no fim da tarde. Aproveite o Spiga, restaurante do térreo que embala os pratos do chef Fulvio Pierangelini com a decoração do espaço.

Depois dos canais de Veneza e dos palácios de Florença, Milão fecha o percurso em outro registro. É a cidade em que arte, moda, arquitetura, gastronomia e design aparecem lado a lado, muitas vezes na mesma rua.

Fonte: Folha de S.Paulo