
É difícil, senão impossível, disputar a atenção com o panorama da cidade do Porto e aquelas encostas recobertas por casebres antigos e cinzentos. Talvez por isso, o Altis Porto Hotel, com sua moderna fachada branca, mire outra estratégia. A ideia ali parece ser a de enquadrar a paisagem, e não competir com ela.
O edifício aposta numa arquitetura contemporânea, limpa, bem diferente daquela que se vê ao redor. Fincado num calmo declive, oferece vista para um trecho onde o rio Douro desacelera um pouco. A luz natural entra com facilidade, atravessando as amplas vidraças e iluminando ambientes amplos, despojados. A proposta ali é passar um ar de serenidade, de ordem, de nada chamar mais os holofotes do que deveria.
Não à toa, esse cinco estrelas, membro da Preferred Hotels & Resorts, a maior coleção de hotéis de luxo independentes do mundo, aposte tanto no chamado wellness, uma das grandes tendências do turismo pós-pandemia, que fez pipocar resorts de bem-estar no campo e na praia, mas aqui no contexto de um hotel urbano, cercado por prédios históricos.
Todas as acomodações têm um tapete de ioga, os produtos de higiene no banheiro são da marca francesa Clarins e o hotel investiu bastante no seu fitness center, que oferece aulas de pilates, e no spa. Esse último, com inspiração oriental, abriga piscina interna aquecida, circuito de águas, sauna seca e molhada, além de oferecer um cardápio de tratamentos inspirados em tradições asiáticas.
É um hotel que conversa tanto com o hóspede que veio em busca de um refúgio quanto aquele que veio com a ideia de bater perna pela cidade —duas intenções que nem sempre convivem bem. A localização –no Porto urbano, mas fora do eixo mais ruidoso– ajuda a explicar o projeto.
Inaugurado em 2024, o Altis está situado entre a movimentada Alfândega e os tranquilos Jardins do Palácio de Cristal, com suas trilhas serpenteantes que vão dar no Douro. Também fica a uma breve caminhada da região da Torre dos Clérigos, o centro histórico mais turístico.
São ao todo 95 quartos, incluindo uma luxuosa suíte com jacuzzi na varanda. Dentro deles, nada de excesso ou ornamento gratuito. Tudo vem em cores bastante claras, do cinza ao off-white, em móveis de linhas simples, pensados para não roubar o protagonismo da vista que se tem dali –as margens do rio ou os jardins vizinhos. Diárias ali saem a partir dos R$ 827.
O Exuberante é o restaurante local, no térreo, comandado pela chef Rafaela Ferreira. Como ela vem da cidade portuguesa de Viseu, seus pratos costumam envolver carnes assadas no forno, mas não só. É uma culinária lusitana com toques contemporâneos, que valoriza ingredientes locais e sazonais, afinada à proposta do hotel de evitar excessos.
O Slowly Bar cumpre bem o papel de espaço de transição, com café durante o dia e drinques à tarde. Já o Above Rooftop Bar, reservado aos hóspedes, é onde o Altis se permite um pouco mais de espetáculo —piscina com borda infinita, vista ampla do rio e do skyline do Porto, e aquela luz de fim de tarde que faz a cidade parecer ainda mais fotogênica. Porque, afinal, não dá para ser contido em tudo.
O jornalista se hospedou a convite do Altis Porto Hotel
Fonte: Folha de S.Paulo