Ameixa e abacaxi: o pior dos bolos para o pior dos presidentes

Ir a aniversário de criança é mole hoje em dia. O bolo é sempre de chocolate, o que é bom –mas também tira um pouco da emoção do rolê.

Na minha infância, nos tempos do orelhão e do vasilhame retornável, festa infantil causava certa ansiedade. Eu chegava e já inspecionava o recinto para localizar o bolo.

Alguns pais sádicos disfarçavam o bolo de paisagem –campo de futebol, praia etc.–, com alegorias que tornavam impossível distinguir o sabor. Mas nem sempre. Às vezes a aparência do bolo entregava seu conteúdo.

Bolo marrom, joinha, era de chocolate. Bolo rosa, morango: longe de ser o meu favorito, mas encarava. Bolo branco, alerta vermelho.

O bolo branco poderia ser de coco, no limite do aceitável. De abacaxi, o horror, o horror. O pior do bolo branco era a ameixa seca, arma química, insidiosa, camuflada num recheio capcioso de doce de leite ou baba de moça.

Nunca me ocorreu de pegar um bolo de abacaxi E ameixa. Nunca me passou pela cabeça que pudessem fazer algo tão perverso.

Eis que hoje vejo que um grupo de gente desocupada que se autodenomina “tias do zap” foi oferecer um bolo, de aparência horrenda, para o aniversariante do dia: o animador de malucos do cercadinho da Alvorada.

O bolo que as tias ofereceram a Bolsonaro era de ameixa com abacaxi.

Muito adequado.

O pior bolo possível para o pior presidente que já tivemos.

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Fonte: Folha de S.Paulo

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