Ewan McGregor enfrenta perrengues com moto elétrica em seriado

Apaixonados pelo motociclismo, os amigos e a produção da série “Long Way Up” resolveram aumentar os desafios nessa nova aventura. Em 11 episódios, eles pilotam motos movidas a energia elétrica. “São o futuro”, diz Ewan McGregor, astro de “Trainspotting” e de “Star Wars”.

Na nova viagem, percorrem toda a costa da América do Sul, saindo da Argentina, no Ushuaia, até Los Angeles, nos Estados Unidos. São 21 mil km, passando por 13 países.

O plano é rodar uma média de 150 a 200 km por dia, o que pareceria tranquilo se fosse apenas no asfalto. Mas o que os espera são estradas desérticas, terra, cascalho e neve, além de paisagens maravilhosas e um povo acolhedor.

Não é de hoje que McGregor se interessa pela transformação elétrica das coisas. Seu Fusca 1954 está em uma empresa que converte qualquer carro a combustão em um veículo elétrico. Sua casa, em Los Angeles, já conta com placas de energia solar que alimentam boa parte dos utensílios domésticos.

As temporadas anteriores, “Long Way Round” —de 2004, de Londres a Nova York— e “Long Way Down” —de 2007, do norte da Escócia até a África do Sul—, foram realizações de sonhos, segundo os motociclistas. Atravessar países, conhecer culturas e rodar muitos e muitos quilômetros em cima de uma BMW R 1200 GS Adventure.

Já em 2018, quando começaram a produzir a nova temporada, as motos elétricas ainda estavam engatinhando no mercado, e foi preciso procurar diretamente os fabricantes. Os testes de pilotagem foram feitos em protótipos.

A indústria de duas rodas, ainda com o desafio de criar produtos inovadores —e, principalmente, sustentáveis— para o consumidor final e para esse novo mercado, precisou adaptar duas motos elétricas para a dupla ultrapassar os mais diversos terrenos com autonomia suficiente para dar conta das etapas da viagem. Tudo isso em um prazo curtíssimo.

Entre os test drive, McGregor e o amigo Charley Boorman sentiram a emoção de andar em uma moto silenciosa, sem a vibração do motor a combustão, e com a sensação de estarem ligados diretamente aos pneus tocando no chão.

Nessas motocicletas, o peso das baterias ajuda a manter as motos mais estáveis e fáceis de pilotar e fazer curvas.

A moto escolhida pela equipe de produção foi a Harley-Davidson LiveWire, à época um protótipo e que foi adaptada para o tipo de viagem da dupla, como aumentar a autonomia das baterias para 150 km, dependendo da tocada e condições como terreno e vento. Elas podem ser carregadas em qualquer tomada, diminuindo a chance de ficar pela estrada.

No primeiro episódio, o principal desafio é encontrar locais para carregar as motos. Esses veículos, por serem menores que os carros, têm uma bateria menor, e a autonomia também é reduzida.

Uma das empresas de inovação, a Rivian, construiu 150 postos de carga rápida espalhados em locais estratégicos durante todo o percurso da viagem. A mesma empresa construiu dois veículos de apoio. São camionetes elétricas com painéis solares que acompanham os amigos durante a jornada. Eles permitem um carregamento rápido. Uma Sprinter a gasolina com os equipamentos de filmagem também faz parte da produção.

Os aventureiros, dos Estados Unidos, e a equipe, da Europa, voam separadamente e se encontram em Ushuaia. É inverno, e logo no primeiro dia são recebidos por uma tempestade de neve.

A produção está preocupada: os pneus das motos estão realmente preparados para rodar na neve e contra o vento? As motos chegaram no dia seguinte. Instalam alguns acessórios nas máquinas, que os ajudam na neve. Os dias passam e eles continuam a nevar em Ushuaia. Descobrem que havia algo de errado nas motos: faltava uma peça que as fazia serem carregadas com qualidade, e Ewan fica ansioso e com dúvidas sobre a escolha das motos elétricas —ele também faz parte da produção executiva da série.

Mas, dias depois, a peça é enviada pela Harley-Davidson, e o tão esperado início da viagem acontece. Após 80 km, a primeira pausa para carregar as motos, em um posto particular de uma padaria.

O tempo para carregar totalmente as baterias é de sete horas. Boa parte do trajeto é de asfalto bom, sem nevasca e com belíssimas paisagens. Chegam à fronteira do Chile, e aproveitam para carregar novamente. A equipe informa que irão atravessar três vezes a fronteira entre Argentina e Chile.

No trecho seguinte, está previsto cascalho, e a produção aconselha aos motociclistas que tenham cuidado e acelerarem com muita leveza, para evitar derrapagem. Mais uma pausa para ver pinguins em seu habitat enquanto as baterias são carregadas por meio de painéis solares, mas depois de algumas horas descobriram que não carregou nada.

Estão acampados ao lado de uma estação de pesquisa e usam as tomadas, porém, depois de algumas horas, descobriram que a carga é muito lenta e resolvem voltar 16 km para se instalar em um hotel, que estava fechado mas abriram somente para a equipe se hospedar.

Enquanto descansavam, as motos carregavam do lado de fora do hotel.

Os veículos de apoio ficam sem bateria, e a Sprinter, sem combustível, a poucos quilômetros do hotel. Foi preciso ligar para o resgate. Horas depois, descobrem que as motos não estavam carregando, mesmo nas tomadas do hotel —talvez o frio tenha congelado as baterias—, então colocaram as motos dentro do hotel num lugar coberto. Mas a sobrecarga faz os disjuntores do hotel caírem.

Na manhã seguinte, chamam um gerador a diesel para que continuem a viagem. Do total da viagem, apenas 380 km foram percorridos.

O próximo passo é chegar até uma balsa que zarpa uma por dia e que deve levá-los até a Punta Arena, mas Ewan fica sem carga um quilômetro antes de chegar ao porto. Uma das camihonetes vai até Ewan, que se agarra à porta o empurra, mesmo em cima da moto.

Será que os problemas continuarão nos próximos três episódios?

Fonte: Folha de S.Paulo

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