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Ilha Saona, na República Dominicana, é pérola caribenha pertinho de Punta Cana

O azul-turquesa parece conter o mar naquele ponto, e deixa ver, com nitidez rara, o fundo cristalino das águas. Ao olhar para o continente, o verde contínuo do coqueiral se impõe, intensificado pelo contraste com a areia clara, branquinha. À medida que a vista percorre a paisagem, uma constatação: ali pode estar a síntese precisa do Caribe que habita o imaginário coletivo.

Estamos na ilha Saona, oásis natural a apenas 70 km de Punta Cana, principal porta de entrada da República Dominicana. A ilha reúne paisagens marítimas de forte impacto, com praias sombreadas e piscinas naturais, onde o tempo parece desacelerar e o mundo, por instantes, se aquieta. Mesmo assim, o lugar ainda é pouco frequentado pelos brasileiros que lotam Punta Cana.

A ilha fica a cerca de 2,5 km da península do Parque Nacional Cotubanamá —antigo Parque Nacional del Este. Em Mano Juan, único povoado local, vivem aproximadamente 200 moradores, concentrados em uma área sem grandes construções e sem espaço para a circulação de carros. Ali, a rotina se organiza em torno da pesca, do artesanato e, é claro, do turismo.

Chegar ao paraíso, no entanto, exige disposição. Muitos consideram o passeio cansativo, sobretudo para quem parte de Punta Cana. Em geral, os tours começam pela manhã bem cedinho, quando os hóspedes são buscados nos resorts para um trajeto terrestre até Bayahibe, ponto de saída das embarcações que seguem rumo à ilha. E custam a partir de US$ 70 (cerca de R$ 367).

O percurso costuma se estender por até duas horas. O tempo extra se explica pelas paradas para reunir grupos distintos, com gente de todo o mundo, em um mesmo ônibus ou van, além dos intervalos previsíveis para alimentação e uso de banheiros em estabelecimentos na estrada.

Ao final do trajeto, já à beira-mar, a recepção inclui também o assédio insistente de vendedores de lembrancinhas, que disputam a atenção dos turistas antes mesmo do embarque.

O deslocamento até a ilha costuma combinar diferentes meios: geralmente, a ida é feita de lancha, e o retorno ao continente ocorre em catamarã —ou o inverso —, uma estratégia pensada para acomodar o maior número possível de visitantes.

Quem dispõe de orçamento mais folgado pode optar por passeios privativos, nos quais todo o percurso é realizado de lancha, sempre mais rápida e direta, com preços na casa dos US$ 165 (cerca de R$ 865 por pessoa).

No caminho, as embarcações fazem uma parada para banho na piscina natural Blue Lagoon, em frente à praia La Palmilla. O nome da piscina se justifica: águas rasas e transparentes, povoadas por pequenos peixes, em um cenário que ajudou a transformar o local em set de filmagem da franquia “Piratas do Caribe”.

É preciso atenção redobrada durante essas paradas, onde frequentemente são avistadas estrelas-do-mar de grandes dimensões, famosas pela coloração intensa, que varia do vermelho ao laranja. A orientação é clara e repetida à exaustão: não tocá-las e, menos ainda, retirá-las da água para fotografias. Só a cor, a transparência e a temperatura dessas piscinas já justificam a viagem.

A etapa seguinte do roteiro leva, enfim, à Isla Saona propriamente dita. A praia de desembarque varia conforme a agência contratada, já que cada operadora utiliza uma faixa específica do litoral, equipada com espreguiçadeiras, chuveiros, banheiros e restaurante —onde é servido o almoço, geralmente já incluso no valor do passeio.

Embora as áreas sejam semelhantes entre si, muitas delas também funcionam como pontos de desova de tartarugas marinhas, o que reforça a necessidade de atenção às regras ambientais. Antes de fechar o passeio, vale verificar com a empresa qual é exatamente a área de chegada e que tipo de infraestrutura ela oferece.

Para quem não pode ou não pretende investir nos passeios privativos de lancha, que garantem maior autonomia e tempo de permanência na ilha, uma alternativa eficiente é se hospedar em Bayahibe, de onde partem os passeios para Saona. Por outro lado, quem fica em Punta Cana, além das mordomias dos resorts e das dezenas de praias com bandeira azul— ainda tem à disposição uma noite bastante animada.

Os próprios resorts promovem festas temáticas, mas para quem busca uma experiência mais vibrante, uma escapada noturna à casa de espetáculos Coco Bongo é imperdível. Uma mistura de balada e espetáculo, o espaço musical combina artistas performáticos, dançarinos, acrobacias, telões gigantes e uma trilha sonora frenética. A discoteca é um ícone latino, com filiais também em Cancún e Playa del Carmen, no México. Lá dentro, se toca de tudo: de Rolling Stones a Shakira, de Queen a Bad Bunny.

Não há como falar da República Dominicana sem citar seus ritmos musicais característicos, como o merengue, vibrante e dançante, a bachata, mais romântica e sensual, e o dembow, base do reggaeton moderno.

A música, pulsante e vibrante, é a alma do país. Ela ecoa em volumes altos pelos lugares mais inusitados: do banheiro de uma cafeteria no meio de uma área verde na beira da estrada à loja de conveniência em um bairro aparentemente pacato. É impossível não se deixar envolver pela energia e pela alegria contagiantes que permeiam o cotidiano festivo do país.

SP terá oferta recorde de voos para Punta Cana

Atualmente, é possível chegar a Punta Cana com voos diretos a partir do aeroporto de Guarulhos. Até abril, a brasileira Gol oferece três voos semanais —que voltam a ser operados em junho, na alta temporada. Já a low cost dominicana Arajet oferece até nove voos por semana. A partir de julho, a Latam também passa a voar cinco vezes por semana para Punta Cana, completando o recorde de 17 frequências semanais entre a capital paulista e o destino caribenho

Fonte: Folha de S.Paulo