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Reduto de veraneio dos americanos, Bahamas querem atrair brasileiros

Dificilmente se ouve outra língua que não o inglês nos resorts da capital das Bahamas. Mas agora Nassau quer ouvir um pouco mais de português.

O jovem país, com 400 mil habitantes, se tornou independente do Reino Unido em 1973. Hoje, porém, são os americanos que inundam a região. Só em 2025, o país caribenho recebeu mais de 1,5 milhão de turistas de seu vizinho mais próximo. Também vieram 136 mil canadenses e quase 37 mil britânicos. Os brasileiros foram só 6.100 —mas, antes da pandemia, eram mais de 10 mil.

Com exceção do Reino Unido, toda a Europa ocidental passou a enviar menos turistas para as Bahamas desde que a Covid atingiu em cheio a indústria do turismo no mundo todo. O país é conhecido por ser um paraíso fiscal, mas os serviços bancários perdem para o turismo o posto de principal atividade econômica.

Recuperar-se do impacto deixado pelo coronavírus tem sido uma tarefa árdua, que motivou o turismo do país a voltar seu olhar para a América Latina e a Europa.

“Os americanos têm uma estadia média de três a quatro dias. Eles ficam no resort e não saem de lá”, diz Joy Jibrilu, diretora-executiva do Conselho de Promoção de Nassau e Paradise Island. “Já outras nacionalidades —canadenses, europeus e latino-americanos em geral— vêm para estadias mais longas, de sete dias em média, e querem sair do resort e vivenciar a cultura local. Isso torna o impacto do turismo mais significativo para as Bahamas. Mais pessoas são beneficiadas.”

O centro histórico da capital reúne atrações que contam a história das Bahamas, como a Queen’s Staircase, escadaria esculpida em pedra no século 18, os fortes Fincastle, Charlotte e Montagu, construídos para defender a ilha de invasões, e a Parliament Square, com seus edifícios coloniais cor-de-rosa que abrigam as principais instituições do país.

Dificilmente se andará a pé por lá, mas, se isso acontecer, é bom olhar bem para os dois lados com atenção redobrada antes de atravessar a rua. Lá, a mão é inglesa. Os carros, porém, não têm necessariamente o volante à direita.

Para provar a culinária local, vale uma visita a Arawak Cay, também conhecida como Fish Fry, região ao norte da ilha repleta de bares e restaurantes, onde se pode experimentar o tradicional peixe frito bahamense ou a apimentada Conch Salad, uma espécie de ceviche caribenho feito com molusco marinho fresco.

O país tem o seu próprio Carnaval, o Junkanoo, que costuma acontecer perto do Natal e do Ano-Novo. Também acontece durante o verão do hemisfério norte: o Junkanoo Summer Fest tem desfiles nos fins de semana com fantasias coloridas e mais comportadas do que as brasileiras nos nossos fevereiros, ao som de percussão, apitos e sinos metálicos que lembram o som de agogô. Não espere esbórnia, esta é uma festa mais tímida e mais família do que os nossos carnavais.

As Bahamas produzem duas marcas de cerveja bem honestas, a Kalik e a Sand. Mas é do rum que o país mais se orgulha. O turista pode visitar a destilaria John Watling’s gratuitamente. A marca é nova, mas já premiada. Estando disposto a botar a mão no bolso, pode engarrafar o rum (US$ 20), ter uma aulinha de mixologia (US$ 80) ou participar de uma degustação de rum (US$ 80).

Mas, se o turista optar por não sair dos resorts, terá uma experiência bem americana. Depois de tomar sol por horas a fio, ele pode se refrescar no ar-condicionado, tomar um café que poderia ser mais forte ou uma cerveja que poderia ser mais gelada, perder-se na imensidão de corredores dos hotéis e acabar tropeçando por acaso num Starbucks —que estão por todo lado—, além de ter acesso a apresentações musicais gratuitas e gastar dinheiro nos caça-níqueis ou nas lojas de grife que inundam os resorts.

Onde se hospedar em Nassau

Os resorts são uma mistura do pisca-pisca de Las Vegas com o mar azul do Caribe, mas com a vantagem de não precisar de visto para estadias de até 90 dias. É para quem quer barulho, restaurantes chiques, lojas de grife e Starbucks para todo lado. A reportagem esteve em dois deles: o Baha Mar Nassau, na própria capital, e o Atlantis Paradise Island, em uma ilhota vizinha.

O primeiro reúne três hotéis —Grand Hyatt, Rosewood e SLS— e mergulha no estilo kitsch de Las Vegas, com lustres que lembram bolos de casamento gigantes, carpetes coloridos e um cassino com cerca de mil caça-níqueis. Há ainda um parque aquático com simulador de surfe, piscina de ondas e toboáguas de até 25 metros.

No Grand Hyatt, uma semana para dois adultos custa a partir de US$ 1.452 (cerca de R$ 7.841). No SLS, o valor mínimo para o período sobe para US$ 1.944 (R$ 10.498). O Rosewood fica em um patamar superior de preços, começando na faixa dos US$ 3.825 (R$ 20.655)
para período de sete dias.

Já o Atlantis tem quatro hotéis, nos quais os preços para uma semana vão de US$ 1.321 (cerca de R$ 7.135) a US$ 4.613 (R$ 24.910) para o casal. O parque aquático tem um toboágua de 18 metros, que tem queda quase vertical e passa por um túnel transparente submerso. Há ainda um grande aquário, com 250 espécies marinhas.

Já o Ocean Club, com pedigree Four Seasons, oferece uma estadia mais calma. Mais discretos, os tons de branco dos bangalôs nem tentam competir com o azul do mar ou o verde da natureza. O luxo silencioso, é claro, tem um preço. Uma semana custa a partir de R$ 36.800, antes das taxas.

Para quem não faz questão de resorts gigantescos, há a histórica mansão Graycliff, que hoje abriga um hotel boutique com restaurante, uma das maiores adegas privadas do mundo e fábricas de charutos e de chocolate.

  • Segundo a plataforma Sargassum Report, nos meses de junho e julho, o mar azul do Caribe tem risco moderado de ser invadido pelo sargaço, uma alga flutuante. O restante do ano tem baixo risco. Convém também ficar atento às águas-vivas, que por lá são bem pequenas e parecem um cilindro marrom;
  • Além das diárias, os hotéis costumam cobrar cerca de 20% de impostos, mais as chamadas taxas de resort (por volta de US$ 77, ou R$ 416 por quarto, por noite) e gorjetas obrigatórias (cujo valor varia). Vale conferir o preço final antes de concluir a sua reserva.

Fonte: Folha de S.Paulo