Santa do pau oco quer proibir a piroca de chocolate

Como se o Brasil não tivesse problemas de verdade para resolver, uma vereadora de Londrina (PR) propôs um projeto de lei que proíbe, em sua cidade, a venda de “produtos alimentícios em formato de órgãos sexuais”.

A “jenial” proposta veio da parlamentar que atende pela alcunha de Jessicão, do PP. A vereadora, entusiasta do presidente Jair Bolsonaro e de suas ideias reacionárias, é lésbica declarada e quase sempre aparece em público usando um colete militar.

Jessicão diz que não vai proibir a mandioca, o nabo, o salsichão, o mexilhão ou o figo partido ao meio. Seu alvo são as redes de crepes em formato de genitália, que surgiram na Europa e têm se espalhado pelo Brasil, como a Assanhadxs, de São Paulo.

Essas lojas assam massas de farinha, salgadas ou doces, em moldes que imitam um pênis ou uma vulva. São as chamadas crepiroca e creprexeca, entre outros nomes pândegos. Quitutes vendidos a preços altíssimos –uma crepênis de R$ 35 é cara para cacete– para pessoas que querem fazer graça no Instagram. Tem público pra tudo.

Eu acho uma bobagem sem fim, mas proibir a vendas de tais artigos é absolutamente surreal. E a dona Jessicão trabalha pela proibição preventiva da crepepeca. Não tem nenhuma loja do tipo em Londrina ainda. Só na vizinha Maringá.

Jessicão é uma figura caricata que quer fazer carreira explorando a imagem controversa de uma lésbica de extrema direita. Posa de defensora dos “bons costumes”, como todos os santos do pau oco que exploram a população ignorante com esse discurso moralista de programa policial.

A vereadora diz que trabalha para evitar a sexualização precoce de crianças e adolescentes. Agora veja a entrevista abaixo, ou pelo menos o começo dela. Para sabotar iniciativas em favor da população LGTBQI+, Jessicão se declara “sapatão assumida desde os 12 anos”. Não era sexualizada, naquela época, a nobre parlamentar?

A proposta de Jessicão precisa ser examinada por uma comissão e pelo plenário da Câmara Municipal e, caso a vereança de Londrina tenha algum bom-senso, será sepultada. Até lá, há a chance alguém montar um negócio de crepes eróticos na cidade para poupar o cidadão londrinense de dirigir 100 km até Maringá quando quiser uma piroca sabor chocolate.

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Fonte: Folha de S.Paulo