Seis vezes em que turistas se comportaram muito mal em 2022

Eles são uma minoria —mas são barulhentos, ofensivos e ocasionalmente perigosos e prejudiciais também.

À medida que o turismo cresce após o fim de muitas das restrições contra a Covid-19, incidentes em que turistas de todo o mundo se comportam mal têm sido uma notícia frequente.

Em um caso recente, uma mulher ignorou uma proibição e escalou até o topo de uma pirâmide maia de quase mil anos no México.

Uma multidão furiosa protestou, e ela acabou escoltada por seguranças — o vídeo do episódio viralizou instantaneamente no TikTok.

Mas os visitantes devem “se comportar como se estivessem em casa”, diz Marcelo Risi, diretor de comunicação da Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas (OMT).

Em 2022, alguns não fizeram isso, em casos que envolvem de drones e scooters a grafites e selfies de pessoas nuas, e danos ao patrimônio cultural e histórico de vários países.

1. Dança no topo de pirâmide maia no México

Subir os 91 degraus da pirâmide maia de Kukulcán, em Chichén Itzá, é proibido desde 2008.

É um local sagrado e foi nomeado como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2007.

Mas em 20 de novembro, uma turista não só ignorou a regra, como começou a dançar e entrou na sala do templo no topo da pirâmide, construída entre os séculos 8 e 12 d.C..

Enquanto a mulher não identificada era escoltada para fora do local, espectadores gritaram com ela, puxaram seu cabelo e jogaram água nela, e o seu comportamento foi amplamente criticado na internet.

Segundo a mídia local, a mulher foi libertada da prisão após pagar uma multa, e o Instituto Nacional Mexicano de Antropologia e História disse em um comunicado que a pirâmide não foi danificada após o incidente.

2. Patinetes, drones e roubo de gôndolas na Itália

A Itália é um dos principais destinos para viajantes internacionais —e que onde turistas frequentemente se comportam mal.

Em junho, dois turistas americanos andaram com patinetes sobre a histórica Escadaria Espanhola, em Roma, danificando um pedaço de mármore de 10 cm. Em nota, o escritório do patrimônio cultural da capital disse que a restauração do local do século 18 custaria US$ 27 mil (R$ 141 mil).

Em abril, um visitante argentino foi preso depois de perder o controle de seu drone, que colidiu com o teto do Palazzo Venezia, do século 15 (também em Roma). E, alguns dias antes, dois turistas mexicanos atingiram a Torre de Pisa com um aparelho semelhante.

Em outubro, dois franceses foram presos, acusados de roubar uma gôndola e jogar suas decorações em um canal de Veneza.

Só em 2022, 43 turistas foram flagrados nadando nos canais da cidade, o que é proibido —um aumento em relação a 2021, quando 24 foram flagrados, segundo as autoridades locais.

3. Dançando nu em uma montanha sagrada na Indonésia

Em abril, um canadense foi deportado e proibido de visitar Bali, na Indonésia, depois de postar vídeos nas redes sociais dançando sem roupa no topo do Monte Batur, um vulcão ativo considerado uma das quatro montanhas sagradas da ilha.

O estrangeiro, que posteriormente apagou os vídeos e se desculpou por seu comportamento, viralizou nas redes sociais, onde foi acusado de desrespeitar o haka, importante cerimonial da cultura maori.

“A todos os estrangeiros que visitam Bali, por favor, ajam de acordo, respeitando nossa lei e os valores culturais balineses”, disse o diretor do Departamento de Imigração de Bali após o episódio.

4. Selfie nua em frente da Esfinge no Egito

Em 7 de novembro, oficiais de segurança das Pirâmides de Gizé, no Egito, pediram a uma mulher que vestisse as roupas quando ela tentava tirar selfies nua em frente à icônica Grande Esfinge, que se acredita ter sido construída entre 2600 e 2500 a.C.

O Ministério do Turismo e Antiguidades publicou uma declaração oficial sobre o episódio no Facebook, em que disse: “Tirar a roupa constitui uma violação das leis, costumes e tradições egípcias”.

Depois de se vestir, “a turista foi autorizada a completar sua visita à área arqueológica”, disseram as autoridades egípcias.

5. ‘Dano irreparável’ em petróglifos nos Estados Unidos

Petróglifos são imagens raras esculpidas ou pintadas em superfícies de pedra por civilizações antigas. Mas isso não impediu os visitantes de riscar com o próprio nome algumas das mais importantes do parque nacional Big Bend, no Texas, nos Estados Unidos.

Em um comunicado divulgado em janeiro, o parque disse que “o painel de pinturas rupestres antigas foi irreparavelmente danificado quando vândalos riscaram seus nomes e a data na arte pré-histórica”.

“O parque nacional de Big Bend pertence a todos nós. Danos às características naturais e à arte rupestre destroem a beleza e a história que o povo americano quer proteger em nossos parques”, disse o superintendente do Big Bend, Bob Krumenaker, em um comunicado.

“Com cada caso de vandalismo, parte da herança de nossa nação é perdida para sempre.”

6. Prisão após saudação nazista em campo de concentração na Polônia

Uma turista holandesa de 29 anos foi detida em janeiro após fazer uma saudação nazista na entrada do antigo campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, na Polônia.

A mulher não identificada foi posteriormente acusada de se envolver em propaganda nazista depois de posar para uma foto tirada por seu marido. Os promotores emitiram uma multa, que ela concordou em pagar.

Ela disse que o ato foi uma piada de mau gosto, informou a agência de notícias PAP, da Polônia.

A Alemanha nazista construiu o campo de extermínio na cidade de Oswiecim, no sul da Polônia, depois de ocupar o país no início da Segunda Guerra Mundial em 1939.

Em pouco mais de quatro anos e meio, a Alemanha nazista assassinou sistematicamente pelo menos 1,1 milhão de pessoas em Auschwitz. Quase 1 milhão era judeu.

O que está sendo feito contra o mau comportamento dos turistas

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 700 milhões de turistas viajaram internacionalmente entre janeiro e setembro de 2022 —um salto de 133% em relação ao mesmo período de 2021, mas ainda abaixo do fluxo dos nove primeiros meses de 2019 antes da pandemia.

À medida que os casos de mau comportamento dos turistas aumentam (como você viu nos exemplos acima), algumas cidades e países estão tentando reagir.

Em cidades como Sorrento, na Itália, turistas vistos em trajes de banho em espaços urbanos estão sujeitos a multas de até US$ 520 (R$ 2.700) desde julho.

Na Espanha, a cidade de Vigo criou uma multa de US$ 670 (R$ 3.500) para quem for flagrado urinando nas praias.

E as autoridades californianas anunciaram multa de US$ 5.000 (R$ 26 mil) e até seis meses de prisão para quem insistir em ir ver a árvore mais alta do mundo (as visitas à planta de 115 metros de altura são proibidas, mas muitos turistas recentemente danificaram a árvore e seus arredores no caminho até lá.

“Ninguém poderia endossar esse tipo de comportamento”, diz Marcelo Risi, diretor da OMT.

“Temos plena consciência de que a grande maioria dos turistas estão ansiosos por novas experiências, viajar e conhecer outras culturas e que, no fundo, se comportam de forma adequada”, reconhece.

“Acreditamos que há um grande avanço na conscientização em geral sobre a pegada que eles deixam, seja econômica, social, cultural e ambiental”.

Embora destaque que os exemplos nesta história são “casos isolados e não representativos do todo”, ele disse à BBC que seu conselho para os turistas é simples:

“A recomendação básica é muito bom senso: comportar-se no exterior da mesma forma que se comporta em sua própria casa.”

Fonte: Folha de S.Paulo

Marcações: