UE tira EUA e Israel de lista de países sem restrição para viajantes na pandemia

Com o aumento do número de infecções por coronavírus, a União Europeia (UE) recomendou a seus países-membros que retirem Estados Unidos e Israel da lista de nações cujos cidadãos estão autorizados a fazer, sem restrições, viagens não essenciais ao território do bloco durante a pandemia.

Em comunicado emitido nesta segunda-feira (30), o Conselho da UE lista também outros quatro países que deixam de figurar na relação criada para regulamentar e flexibilizar as fronteiras e a reabertura do turismo: Kosovo, Montenegro, Líbano e Macedônia do Norte.

Na prática, pessoas vindas de países que não estão na lista poderão ser submetidas a controles mais rígidos, como testes e quarentenas obrigatórias. Trata-se, porém, de uma recomendação, já que cada país do bloco tem soberania para decidir sobre o controle de suas fronteiras —por isso, ainda não está claro quais países vão reintroduzir as restrições e quando isso teria início.

Alguns países europeus, como Alemanha e Bélgica, já incluem os EUA na categoria vermelha, que requer testes de Covid e quarentena dos viajantes —algo que não acontece na França e na Holanda, por exemplo, onde até o momento o país era considerado uma origem segura. A lista é periodicamente revisada e se baseia na situação da doença em cada país e leva em conta a reciprocidade em relação aos europeus.

Se adotadas, as novas restrições só se aplicariam a viajantes não vacinados —o Conselho Europeu já recomenda que todos os visitantes que foram totalmente imunizados com um fármaco aprovado pela UE possam viajar, o que inclui as três vacinas disponíveis nos Estados Unidos (Pfizer, Moderna e Janssen).

Entre outros critérios para o levantamento das restrições de viagens, a UE observa se um país teve menos de 75 casos de coronavírus por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias e se a tendência de casos da doença é estável ou decrescente.

Com a predominância da variante delta do coronavírus, mais transmissível, a média de casos diários da doença nos EUA cresceu para mais de 450 por milhão de pessoas na última semana. No meio de junho, quando o país entrou na lista segura da UE, eram apenas 40.

A UE havia recomendado que seus países-membros reabrissem as fronteiras para viajantes americanos. Apesar dos apelos, não houve reciprocidade dos EUA. Washington não permite que cidadãos europeus visitem o país livremente –mesmo aqueles com esquema vacinal completo.

A situação levou a uma divisão, com uma parte do bloco condenando a falta de reciprocidade, enquanto outra relutava em aplicar restrições por temer danos ao turismo. Em países como França, Grécia e Espanha, americanos formam o maior contingente de turistas de países não europeus. Em outros, como Portugal, os gastos totais de viajantes dos EUA estão entre os mais altos entre as nacionalidades.

Os índices proporcionais de casos em Israel, Kosovo, Montenegro e Macedônia do Norte são ainda maiores que os dos EUA. Israel lida com um aumento significativo no número de infectados, hospitalizações e mortes, mesmo com um dos maiores índices de vacinação do mundo: quase 62% da população –ou mais de 70% dos maiores de 12 anos– estão completamente imunizados.

O temor da UE é o de que a entrada de turistas não vacinados com origem em países nos quais a crise sanitária ainda é intensa possa agravar a situação europeia. Nesta segunda, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a projeção de que, nos próximos três meses, a Covid provoque mais 236 mil mortes na Europa devido à desaceleração no ritmo de vacinação.

“Na semana passada, as mortes aumentaram 11% no continente, com uma projeção de que teremos outras 236 mil mortes até dezembro”, disse o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge. A região já soma mais de 1,3 milhão de vítimas da doença.

Os países europeus vêm registrando altas taxas de infecção desde a chegada da variante delta, em especial entre pessoas não vacinadas. Dos 53 países, 33 relataram um aumento de 10% na incidência da doença ao longo das últimas duas semanas, de acordo com Kluge.

A lista segura da UE atualmente contém 17 países, incluindo Canadá, Austrália, Jordânia, Japão e Nova Zelândia. Nenhum país da América Latina integra a relação. O Uruguai, que figurava entre as nações seguras, foi retirado em dezembro de 2020.

O bloco ainda permite que visitantes não europeus que tenham se vacinado completamente contra a Covid entrem na Europa, apesar de alguns países pedirem testes e períodos de quarentena obrigatória na chegada.

O Brasil, um dos líderes mundiais em casos e mortes por Covid, demorou a figurar nas listas europeias. Na última semana, turistas brasileiros completamente imunizados contra a Covid passaram a ser aceitos na Espanha e na Alemanha sem a necessidade de quarentena. Enquanto o primeiro aceita todos os imunizantes aplicados no Brasil, o segundo ainda não aceita a Coronavac, fabricada pelo Butantan.

Fonte: Folha de S.Paulo

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