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’12 km a pé com mochila nas costas’: brasileiro conta perrengue para sair de Machu Picchu enquanto trem estava suspenso

Turistas percorrem 12 km a pé para sair de Machu Picchu após suspensão de trens

Turistas percorrem 12 km a pé para sair de Machu Picchu após suspensão de trens

“Amor, troca o tênis, coloca uma blusa de frio e vamos”, disse Rafael Primila, de 33 anos, à noiva, Fernanda Alves, de 35, na segunda-feira (15), ao descobrir que o trem que os levaria de Machu Picchu a Cusco tinha sido suspenso.

O plano inicial do casal era passar o dia na cidadela inca e depois retornar de trem para Cusco, onde ficariam hospedados nos dias seguintes.

Os trens só voltaram a funcionar na última quarta-feira (17), depois de os manifestantes concordarem com uma trégua de 72 horas, segundo a Defensoria del Pueblo, órgão público que atua na defesa dos direitos da população no Peru.

Dois dias antes disso, Rafael e Fernanda já tinham sentido os efeitos da paralisação. Com mochilas nas costas e a caminho da estação, descobriram que não conseguiriam embarcar.

A única alternativa para sair da cidadela era percorrer a trilha da Hidroelétrica, um caminho de cerca de 12 km que acompanha uma linha férrea e termina em frente a uma usina.

“A gente não tinha hospedagem e, se ficássemos lá, provavelmente teríamos que dormir na estação. Por isso, quando soubemos que tinha uma trilha, pensamos: bora'”, conta Rafael.

O trajeto é considerado uma “rota alternativa”, que costuma ser feita por viajantes aventureiros que preferem economizar no transporte. Mas o percurso não é simples: há pedras, túneis e riachos.

“Foi uma loucura. Estávamos com mochilas nas costas, saímos por volta das 14h e chegamos perto das 18h, exaustos”, relembra o viajante.

Trilha da hidroelétrica — Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

Mas a viagem até Cusco não acabou ali. Depois da trilha, eles ainda precisaram contratar uma van para chegar a Cusco. Pagaram 150 soles, cerca de R$ 230, pelas duas passagens.

“São 5 horas de viagem com curvas, motoristas correndo, despenhadeiros e altitude. Não é um trajeto tranquilo, há pessoas que vomitam”, explica Maria Angélica, jornalista e criadora de conteúdo sobre turismo no Peru.

Rafael e Fernanda fizeram o percurso à noite e chegaram em Cusco depois da 1h da manhã de terça-feira (16). Eles ficam na cidade até sexta-feira (19).

Segundo Rafael, o casal conseguiu reembolso dos US$ 270 pagos pelas passagens de trem com a companhia PeruRail.

“Foi caótico, mas, no final, deu tudo certo”, resume.

Pedido de casamento em Machu Picchu

Rafael pediu Fernanda em casamento em Machu Picchu — Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

Apesar dos imprevistos no transporte, Rafael conseguiu realizar o sonho de pedir Fernanda em casamento em Machu Picchu.

Antes de saber da suspensão dos trens, o casal visitou a cidadela na segunda-feira, e ele fez a surpresa.

“Eu já tinha o anel há três meses. No dia, avisei o guia e escondi no casaco. Ela nem imaginava”, conta.

Para ele, as dificuldades só deixaram a viagem ainda mais marcante: “Vai ser inesquecível”.

Rafael e Fernanda em Machu Picchu — Foto: Divulgação/Acervo Pessoal

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Fonte: G1