Portugal inaugura museu do tesouro da monarquia em caixa-forte gigante; acervo inclui coleção de ouro e diamantes saídos do Brasil

Coroa faz parte do acervo do Tesouro Real de Portugal, agora exposto ao público — Foto: Patricia de Melo Moreira/AFP

O Museu do Tesouro Real de Portugal, uma coleção única há décadas à espera de um “lar”, foi inaugurado esta semana no Palácio da Ajuda, em Lisboa, concluído após 226 anos em construção.

Cheio de câmeras de segurança, o museu tem três andares e fica dentro de uma caixa-forte gigante, uma das maiores do mundo, com 40 metros de comprimento e 10 metros de altura. O acesso é se dá por duas portas blindadas de 5 toneladas cada. A coleção é protegida por vitrines à prova de balas.

Relíquias brasileiras

Uma das coleções do acervo chama-se “Ouro e diamantes do Brasil”. O site do museu cita duas peças dessa coleção: uma pepita de ouro de mais de 20 kg, que a imprensa local cita como a segunda maior do mundo, e um diamante bruto de Minas Gerais de 138,5 quilates (27,7 gramas).

Pepita de ouro com mais de 20 kg levada do Brasil compõe acervo do museu do Tesouro Real em Lisboa — Foto: DGPC/ADF Luísa Oliveira/tesouroreal.pt

Diamante bruto de Minas Gerais tem 138,5 quilates e faz parte do acervo de museu português — Foto: DGPC/ADF Luísa Oliveira/tesouroreal.pt

O grande edifício branco foi a última morada dos monarcas de Portugal, a dinastia de Bragança, antes do advento da República, em 1910.

“Depois do trauma do terremoto e do tsunami, em 1755, a realeza decidiu se instalar aqui, longe do rio e em uma zona menos exposta à atividade sísmica”, explicou o diretor do palácio e museu, José Alberto Ribeiro, à agência AFP.

Visitantes apreciam as relíquias do Tesouro Real português — Foto: Patricia de Melo Moreira/AFP

O palácio de estilo neoclássico manteve sua ala oeste inacabada por mais de dois séculos por falta de recursos, ou pelas mudanças no regime político. Um investimento de 31 milhões de euros permitiu, enfim, construir a ala que faltava.

A inauguração desta quinta-feira era muito esperada pela importância do acervo que reúne cerca de mil objetos. Alguns deles estão sendo expostos pela primeira vez.

Até agora, as obras estavam dispersas e inacessíveis ao público. O valor das peças, algumas de mais de 1 milhão de euros, impôs medidas especiais de segurança.

“O Palácio da Ajuda foi o local ideal para a criação deste museu, pois já abrigava parte desta coleção (…) e todo o edifício foi concebido para evitar qualquer surpresa desagradável”, afirmou Ribeiro.

O valioso acervo do Tesouro Real fica dentro de uma caixa-forte gigante e é muito vigiado — Foto: Patricia de Melo Moreira/AFP

Fonte: G1