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Inspetores de Nova Jersey apontam condições precárias de higiene e manipulação insegura de alimentos nas instalações do ICE em Delaney Hall, Newark

O centro de detenção de imigrantes Delaney Hall, localizado em Newark, Nova Jersey, transformou-se no epicentro de uma intensa batalha jurídica e política nos Estados Unidos. A controvérsia ganhou novos desdobramentos após fiscais do Departamento de Saúde do estado tentarem realizar uma vistoria completa no complexo, motivados por uma onda de denúncias graves realizadas pelos próprios detidos e por organizações de direitos humanos.

A administração do local, que é gerido pela empresa privada de prisões GEO Group sob contrato com o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), barrou o acesso dos inspetores estaduais à maior parte das instalações. Os agentes de saúde pretendiam avaliar as condições gerais do prédio de mil leitos, mas foram autorizados a examinar exclusivamente o setor de serviços de alimentação. Áreas críticas, como as alas médicas, os dormitórios e as instalações sanitárias, permaneceram trancadas para a fiscalização.

A resistência da empresa em abrir as portas resultou em uma ação judicial movida pelo governo de Nova Jersey, que exige uma ordem dos tribunais para garantir o acesso irrestrito dos inspetores à totalidade do complexo. Autoridades estaduais, incluindo a governadora Mikie Sherrill, sublinharam que a recusa levanta suspeitas legítimas sobre o que a agência federal e a concessionária privada tentam ocultar do escrutínio público.

O caso ganhou repercussão internacional à medida que relatos vindos de dentro do complexo detalham um cenário de profunda degradação. Dezenas de imigrantes iniciaram uma greve de fome e de braços cruzados para protestar contra o tratamento desumano. Entre as principais queixas constam o fornecimento de comida estragada e vencida — com relatos frequentes da presença de larvas e vermes nas refeições —, além da falta de itens básicos de higiene pessoal, como papel higiênico e creme dental. Os internos também relatam superlotação, ausência de sistemas de ventilação ou ar-condicionado adequados para os meses mais quentes e negligência no atendimento médico básico.

Em resposta às manifestações internas, movimentos sociais e ativistas pelos direitos dos imigrantes passaram a realizar vigílias e protestos diários em frente aos portões do presídio, o que gerou confrontos violentos com agentes armados da ICE nas últimas semanas. Enquanto parlamentares democratas pressionam pelo fechamento definitivo da unidade, o Departamento de Segurança Interna (DHS) e parlamentares republicanos defendem as operações e minimizam os protestos, classificando o movimento como uma armação política e alegando que os padrões de detenção cumprem as exigências legais.

O descontentamento com a gestão terceirizada ultrapassou as fronteiras americanas e atraiu a atenção de correspondentes e veículos focados em comunidades migrantes no exterior. No Brasil, o acompanhamento dos desdobramentos que afetam as condições de cidadãos mantidos sob custódia também acendeu alertas sobre violações de direitos fundamentais. Conforme apurado pelo Jornal Brazilian Press, as denúncias de manipulação insegura de alimentos e falta de higiene reforçam a vulnerabilidade de estrangeiros indocumentados mantidos nessas instalações, ampliando a pressão para que o governo norte-americano garanta transparência e tratamento digno aos detidos enquanto aguardam a resolução de seus processos imigratórios.

Fonte: Brazilian Press