Ilha da Madeira: Portugal de alma (quase) tropical!

Passeio de barco na Fajã do Cabo Girão: águas transparentes

Passeio de barco na Fajã do Cabo Girão: águas transparentes (Bruno Barata/Reprodução)

Um pedaço de terra no meio do Atlântico, coberto por uma verdejante floresta endêmica declarada Patrimônio da Humanidade, cercado de águas transparentes – e sensivelmente mais quentes do que no continente – e com um clima sempre ameno (temperaturas na faixa dos 20ºC, seja verão ou inverno). A Ilha da Madeira há muito é o playground da Europa, exílio de seres sedentos de um lugar ao sol (literalmente) o ano todo. Quem ainda a associa aos clichês Festa da Flor, festejos de Carnaval, queima de fogos do réveillon e passeio nos carros de cesto, tão exauridos pelos folhetos turísticos, vai se surpreender com paisagens surreais, centenas de quilômetros de trilhas, restaurantes excelentes e um dos povos mais simpáticos e hospitaleiros da Europa. 

Passeio pela floresta laurissilva: patrimônio da humanidade desde 1999

Passeio pela floresta laurissilva: patrimônio da humanidade desde 1999 (Bruno Barata/Reprodução)

Recentemente, a ilha tem se transformado num destino queridinho de jovens de todo o mundo, ávidos pelos mergulhos na natureza intocada e pela estrutura impecável que vem nascendo como apoio ao trabalho remoto (alô, nômades digitais!). Precisei voltar à Madeira 15 anos depois da minha estreia no arquipélago para vencer a imagem que tinha se fixado no meu mais profundo ser: a de destino exclusivo de passageiros de cruzeiros e de viajantes seniores do Norte da Europa. O cenário é hoje um tanto mais eclético, variado e divertido.

Stand up paddle na Ponta do Sol: mergulho na natureza

Stand up paddle na Ponta do Sol: mergulho na natureza (Bruno Barata/Reprodução)

Para começar a entender a Madeira, primeiro é preciso dissociar ilha de… praia. Pois é. A Ilha da Madeira não tem praia de areia – ou pelo menos não natural (há duas artificiais, criadas com areia levada do Marrocos: a da Calheta e a do Machico). O resto é praia escura, de pedra, ou simples escadinhas de acesso ao mar. Ou seja: ir à praia não é exatamente um programaço na Madeira (fato que as piscinas incríveis dos melhores hotéis equilibram com louvor). Pronto, com as expectativas no lugar certo, já dá para começar a planejar a viagem e focar no que realmente interessa.

A beira-mar escarpada da Madeira: origem vulcânica

A beira-mar escarpada da Madeira: origem vulcânica (Bruno Barata/Reprodução)

Tamanho não é documento

A Ilha da Madeira é a maior ilha do Arquipélago da Madeira (do qual fazem parte as Ilhas Desertas e Selvagens, inabitadas, e Porto Santo). Apesar de ter apenas 57 quilômetros de comprimento e 22 de largura, é um universo de sobes e desces, montanhas, picos e vales profundos, o que faz com que os deslocamentos sejam lentos e sinuosos (além de invariavelmente lindos). A diversidade da paisagem é digna de um país. Vinhedos que desafiam as leis da gravidade ao lado de bananeiras, ao lado de plantas exóticas trazidas dos quatro cantos, ao lado da densa e verdejante floresta laurissilva, recheada de espécies endêmicas, declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1999. Cachoeiras? Tem. Enseadas vulcânicas? Também. Falésias íngremes que despencam milhares de metros rumo a um terreno cultivado láááá embaixo, à beira-mar, onde só se chega de barco ou de teleférico? Ã-hã. E também vales profundos, pequenas vilas cheias de charme e uma rica vida marinha que faz a festa em passeios de barco, frequentemente brindados com a companhia de golfinhos e baleias.

Golfinho-pintado-do-atlântico: acrobacia de presente durante o passeio de barco

Golfinho-pintado-do-atlântico: acrobacia de presente durante o passeio de barco (Bruno Barata/Reprodução)

GPS

Distante cerca de 700 quilômetros da costa da África e quase 1.000 da Europa, o Arquipélago da Madeira faz parte da chamada Macaronésia, que compreende ainda os arquipélagos dos Açores, Cabo Verde e Canárias. O principal ponto de chegada é o aeroporto de Funchal, a capital da Ilha da Madeira. Os pousos e decolagens aqui fazem parte da categoria “com emoção”: a pista é um imenso viaduto sobre o mar sustentado por quase 200 colunas a 60 metros de altura. O voo, a partir de Lisboa, dura cerca de 1h30; do Porto, cerca de 2 horas. Há ainda voos regulares a partir de dezenas de destinos europeus, entre eles Madri, Paris e Londres.

Funchal ao entardecer: a capital da ilha é também a maior cidade, concentrando 45% da população da ilha

Funchal ao entardecer: a capital da ilha é também a maior cidade, concentrando 45% da população da ilha (Bruno Barata/Reprodução)

E a COVID-19?

A Ilha da Madeira teve um desempenho exemplar no controle da pandemia, o que permitiu que o turismo continuasse a existir mesmo quando o momento estava mais crítico no resto do país. Atualmente, para desembarcar, é preciso apresentar um teste PCR feito com 72 horas de antecedência (que pode ser gratuito e agendado pelo Turismo da Madeira em laboratórios no continente, para quem parte de Portugal). Quem não fizer o teste pode fazer gratuitamente na chegada e aguardar o resultado no hotel. A partir de 1 de Julho o PCR vai ser substituído por testes rápidos. O arquipélago criou um aplicativo interessante chamado Madeira Safe to Discover que concentra todas as informações relativas à pandemia num só lugar (dados da viagem, envio do resultado do teste etc), onde o viajante vai preenchendo dados, cumprindo “tarefas” e, em troca, ganhando pontos que podem ser trocados por experiências locais. Vale lembrar que o acesso a turistas brasileiros está condicionado às regras da União Europeia, que ainda não abriu as fronteiras. 

Nascer do sol no Pico do Arieiro: acima das nuvens

Nascer do sol no Pico do Arieiro: acima das nuvens (Bruno Barata/Reprodução)

Primavera o ano todo (e todas as estações do ano num dia só)

O clima é um dos principais atrativos da Ilha da Madeira. A média anual das temperaturas fica na casa dos 20ºC – no verão sobe para os 25ºC, no inverno desce para os 17ºC. Isso faz com que a ilha seja agradável o ano todo, inclusive com as águas do mar sensivelmente mais quentes do que em Portugal continental (média de 22ºC no verão e 18ºC no inverno – isso significa que dá para entrar sem paralisia ou gangrena). Mas as características geográficas da ilha fazem com que a estabilidade não seja exatamente o seu ponto forte. É possível sair do Funchal de manhã sob um sol senegalês, passar por um inverno polar no topo das montanhas do centro e chegar sob chuva na costa norte. Tudo isso em um espaço de menos de uma hora. Para não perder o passeio, consultar as webcams espalhadas pela ilha, com imagens em tempo real, é providencial – elas estão no portal Netmadeira.   

Passeio em 4X4: imprescindível para chegar aos lugares mais remotos

Passeio em 4X4: imprescindível para chegar aos lugares mais remotos (Bruno Barata/Reprodução)

Alugar carro é fundamental?

Para quem quer ter liberdade e tempo para explorar com calma, sim. As distâncias são longas e os melhores passeios envolvem pequenas viagens. É também de carro que se chega aos picos, mirantes e estradinhas mais cênicas (e eles são muitos). Por outro lado, há dezenas de passeios interessantíssimos que podem ser contratados nas agências locais (os de 4X4 estão entre os melhores). A maioria dos hotéis está concentrada no Funchal, onde é mais fácil se virar sem carro. Quem preferir ficar em outras regiões, como nas simpáticas Calheta e Ponta do Sol, pode ter mais dificuldade de se virar sem carro. Atenção: não há UBER na Madeira!

Lapas: os mariscos que são a cara da Madeira

Lapas: os mariscos que são a cara da Madeira (Bruno Barata/Reprodução)

Não vá embora sem provar…

Lapas. Quanto mais frescas, melhor. E de preferência, só com limão, azeite e sal. O marisco, algo entre o mexilhão e a vieira, é divino e a cara da ilha. O atum local também é maravilhoso. Esqueça o peixe com banana, que os locais revelam ser uma invenção para turistas. Um dos pratos mais famosos é a espetada de carne em pau de louro – a carne chega a desmanchar de tão macia. Entre os produtos típicos que já ganharam status de atração turística estão, além do famoso vinho Madeira (fortificado), o bolo do caco (uma espécie de pão arredondado e achatado, normalmente servido com manteiga de alho), a poncha (uma bebida típica que lembra a caipirinha, à base de aguardente de cana) e as frutas que colorem as bancas do Mercado dos Lavradores, no Funchal – além das nossas velhas conhecidas mangas, pitangas, bananas e maracujás, raridade no continente europeu, tem excentricidades como o ananás-banana, que tem gosto de… ananás com banana. 

Mercado dos Lavradores: vitrine para as frutas exóticas da ilha

Mercado dos Lavradores: vitrine para as frutas exóticas da ilha (Bruno Barata/Reprodução)

Nos próximos posts, vou detalhar as melhores descobertas da minha viagem recente à ilha!

Fonte: Viagem e Turismo

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