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Piketty prevê fim do dólar como moeda global: ‘Muito em breve’

Piketty gesticula enquanto fala no microfone, aparentemente em evento em frente a construção histórica

Legenda da foto, Para Thomas Piketty, mundo piorou ‘em muitos sentidos’ nos últimos cinco anos

    • Author, Vinícius Mendes
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Published

  • Tempo de leitura: 13 min

Cinco anos atrás, uma percepção do economista francês Thomas Piketty, 55 anos, rodou o planeta. Ela defendia que o mundo estava em condições parecidas às que desaguaram na Revolução Francesa, no fim do século 18: uma desigualdade extrema em que elites riquíssimas (a nobreza daquela França) viviam às custas de uma multidão de pessoas em situações precárias.

Era mais um alerta do que uma comparação, porque, sempre que isso aconteceu na história, o resultado foi uma grave crise política capaz de mudar o rumo das coisas.

“Em muitos sentidos, [a situação] piorou” nesse intervalo de meia década, sentencia ele agora à BBC News Brasil.

“Estamos em um período repleto de distopias. Os tecnobilionários, os tecnonacionalistas estão elaborando visões malucas sobre o futuro”, diz ele, alertando para “uma visão trumpista do futuro que não está funcionando, que não resolve problemas de desenvolvimento, de meio ambiente, que precisamos resolver”.

Piketty retornou à cena global em junho com um conjunto audacioso de propostas reunidas no Relatório de Justiça Global. É o resultado do esforço conjunto de uma equipe liderada por ele, no World Inequality Lab, da Paris School of Economics, na capital francesa, que se debruçou sobre dados sociais e econômicos de vários países ao longo dos últimos anos.

No total, cerca de 50 pessoas trabalharam no estudo, que elaborou propostas como criar uma moeda única internacional, gerida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em substituição ao dólar, e impulsionar políticas globais que nivelem a renda per capita global em 5 mil euros (cerca de R$ 29 mil, na cotação do final de setembro) até 2100.

O relatório também propõe que, até lá, o total de horas de trabalho, na média internacional, cairia para menos da metade, com um deslocamento das funções ligadas à produção de alimentos para os setores de educação e saúde.

Além disso, há propostas historicamente ligadas às pesquisas de Piketty — que se tornou famoso, nos anos 2010, com seu O capital no século XXI (Intrínseca, 2013) – como a criação de um imposto global sobre a riqueza e, especialmente, sobre fortunas dos bilionários.

E aí que, para ele, o Brasil exerce um papel central. Em 2024, durante a reunião do G20, no Rio de Janeiro, o país conseguiu incluir uma menção inédita à importância de tributar os super-ricos no comunicado final da Cúpula, apesar da dura resistência argentina.

Nos fóruns que se seguiram, a diplomacia brasileira seguiu reforçando o projeto, como nas rodadas de negociação, no âmbito da ONU, por um sistema tributário internacional. A próxima reunião do grupo será realizada entre novembro e dezembro, no Quênia.

“Será muito triste para o próprio país tanto quanto para o mundo se o Brasil seguir na direção desse nacionalismo trumpista em algumas semanas [nas eleições]. Precisamos do Brasil contribuindo para reconstruir o sistema monetário, econômico internacional em um sentido mais inclusivo, igualitário, democrático e consciente sobre o clima”, diz.

A seguir, trechos da entrevista que Thomas Piketty concedeu à BBC News Brasil alguns dias antes do primeiro turno da eleição presidencial brasileira.

BBC News Brasil – Como acomodar pretensões globais tão robustas em um mundo atravessado por conflitos e por Estados nacionais mais voltados aos seus interesses particulares?

Thomas Piketty – Estamos em um período repleto de distopias. Os tecnobilionários, os tecnonacionalistas estão elaborando visões malucas sobre o futuro, como instalar data centers em todos os lugares possíveis — no planeta Terra ou em Marte — e estão fazendo guerras para extrair ainda mais combustíveis fósseis pelo mundo. É uma visão trumpista do futuro que não está funcionando, que não resolve problemas de desenvolvimento, de meio ambiente, que precisamos resolver. É hora de discutir uma outra perspectiva. Não podemos ficar só assistindo a isso, pessimistas, esperando para ver o que acontecerá.

Além do mais, a agenda tecnonacionalista, tecnocapitalista, sequer durará para sempre. Não vai entregar o que promete, embora tenha um longo caminho pela frente. Vamos ver o que acontece nas eleições (de meio de mandato) nos Estados Unidos [em novembro] e no Brasil.

Corredor de um datacenter

Legenda da foto, ‘Tecnobilionários’ estão tentando espalhar data centers do planeta Terra a Marte, afirma Piketty

BBC News Brasil – Alguns anos atrás, o senhor disse que a situação do mundo era semelhante àquela que culminou na Revolução Francesa. Algo mudou desde então?

Piketty – Eu diria que, em muitos sentidos, ela piorou. Mas sejamos otimistas: a longo prazo, as forças democráticas e as lutas sociais estarão prontas para transformar as instituições e fazer do mundo um lugar mais igualitário e próspero. É perfeitamente possível seguir nessa direção.

BBC News Brasil – Entre todas as propostas, há alguma que o senhor considera mais urgente?

Piketty – A ideia do relatório é pensar em que tipo de prosperidade compartilhada nós podemos ter em um planeta finito. Se todos os países alcançassem um alto nível de prosperidade no futuro, como o mundo seria? Essa é a questão que estamos fazendo ali. Mas depende de muitas condições. A transformação do sistema energético é uma delas. Outra é uma mudança estrutural nos modelos de produção. É preciso ainda diminuir a desigualdade global para conseguirmos arcar com investimentos climáticos, educacionais e de acesso à saúde.

Essas propostas estão alinhadas ao que países do Sul global têm dito nos últimos anos. Basta lembrarmos que, na reunião do G20, em 2024, o presidente Lula propôs o imposto global sobre as fortunas dos bilionários que foi apoiada pela África do Sul e por vários outros países. Claro que não é suficiente. Era difícil convencer os 20 países que estavam ali, mas o fato de ter sido discutido no âmbito do G20 foi interessante. Mostra que essa demanda por justiça econômica e climática está presente.

BBC News Brasil – O senhor acha que a proposta de taxar fortunas tem possibilidade de se concretizar?

Piketty – Está claro, para mim, que, em um futuro relativamente próximo, haverá um grupo de países se movendo juntos para taxar os bilionários e para criar um sistema monetário internacional, porque eles sabem que o modelo atual não está funcionando.

BBC News Brasil – Por quê?

Piketty – A economia do Estados Unidos está ficando pequena em comparação ao tamanho da economia global. Ela era maior no contexto do pós-Segunda Guerra Mundial, mas vem diminuindo gradativamente — e ficará cada vez menor. Logo, não é mais possível ter o dólar operando como moeda internacional em um mundo em que a economia dos EUA é apenas uma pequena fração do PIB global. Essa não é uma notícia tão boa ao mundo, mas tampouco é para os Estados Unidos, porque esse sistema está sobrevalorizando o dólar e contribuindo para o enorme déficit comercial deles.

E, então, sabemos: se há desequilíbrios internacionais, vem consequências geopolíticas. As políticas atuais de Donald Trump são só uma reação que não estão resolvendo esse problema.

BBC News Brasil – Por serem políticas bélicas?

Piketty – A mensagem dele é basicamente a seguinte: “Eu vou colocar as minhas armas na mesa, pegar petróleo na Venezuela, no Irã ou na Groelândia e reduzir o meu déficit interno”. Mas nós acreditamos em uma mudança estrutural no sistema monetário internacional.

Em uma economia mundial multipolar, isto é, em que não há um país com hegemonia sobre o PIB global, temos que ter uma moeda internacional baseada em uma cesta de moedas — dos EUA, da China, da Índia, do Brasil, seja lá de quem for — que colabore para financiar o desenvolvimento dos países e para fazer investimentos climáticos. Isso não será possível com o sistema de hoje. E eu acredito que isso acontecerá mais cedo do que as pessoas imaginam.

Piketty sorrindo, sentado e com livro apoiado no colo

Legenda da foto, Piketty ganhou visibilidade nos anos 2010 com o livro O capital no século XXI

BBC News Brasil – O senhor mencionou a proposta de criar uma moeda internacional administrada pela ONU, mas vários líderes mundiais, como o próprio Lula, acabaram de criticar toda a estrutura da instituição na Assembleia Geral, em Nova York. Eles dizem que ela tem sido incapaz de “manter o mundo em ordem”. Para esse objetivo, prosperar, seria necessário criar uma entidade global nova ou bastaria reformar a ONU?

Piketty – Seria melhor se houvesse um consenso, entre membros da ONU, de transformá-la — e também o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Como não é viável, seria necessário, pelo menos durante um período intermediário, criar o que chamamos de “coalizão incompleta”, isto é, uma coalizão de países que não cubra o mundo inteiro — em alguns casos não cubra mesmo os Estados Unidos —, mas que consiga ir na direção certa.

BBC News Brasil – Teria um exemplo de como isso funcionaria?

Piketty – Está acontecendo agora uma convenção, no âmbito da ONU, de cooperação global para um imposto sobre os ricos. Haverá uma sessão de negociações entre representantes dos governos em Nairóbi, no Quênia, em novembro, em que o Brasil participará ao lado de outros países que já se mostraram favoráveis.

A agenda existe para incluir mais atores no sistema tributário internacional — em especial países do Sul global que não querem ver as riquezas serem extraída dos mais pobres em benefício de interesses econômicos das economias do Norte. É uma questão de soberania. Essa é apenas uma das questões.

Nós já sabemos que alguns países, em particular os Estados Unidos, vão votar contra a convenção, mas ela está sendo construída para adotar a fórmula da maioria, o que será muito importante em comparação a outras convenções, como a do clima, que se baseia na unanimidade.

BBC News Brasil – As convenções do clima (COPs), então, não funcionam mais?

Piketty – Eu não diria que são um fracasso, mas tampouco são um tremendo sucesso: ainda que ocorram anualmente, elas não conseguem tomar decisões, porque se baseiam nesse modelo de unanimidade.

Esse desenho do projeto da convenção tributária da ONU será definido no ano que vem, mas já está claro que as decisões serão tomadas com base na maioria qualificada, porque é importante levar em conta os tamanhos das populações nacionais. Não dá para ter países pequenos, por exemplo, com os direitos de voto iguais a um Brasil, mas tampouco queremos ver os países ricos capturando esse processo.

BBC News Brasil – Mas e se países ricos e grandes, como os EUA, não quiserem participar?

Piketty – Nós sabemos que os EUA não vão querer participar, tanto quanto sabemos que, para a reforma do sistema monetário internacional, eles seriam necessários. Mas a proporção da população norte-americana em relação à global, ou mesmo a participação deles no PIB mundial, já está começando a cair. Eles podem perder seu poder de veto.

Aliás, sabe uma coisa que ninguém fala e nós destacamos no relatório? O FMI tem uma regra de que, se um país reúne 15% dos direitos de voto, seja pela população que tem ou pelo tamanho da economia, pode vetar qualquer decisão importante, como a criação de “direitos especiais de saque” (Special Drawing Rights, SDRs em inglês), que são, nada mais nada menos, que o embrião de uma… moeda internacional. Mas, como os EUA têm esses 15% de direitos de voto, eles vetam. Os governos republicanos sempre o fizeram.

Mas, após a crise financeira de 2008 e da pandemia, governos democratas permitiram ao FMI criar alguns SDRs distribuídos pelo PIB do país ou pela proporção dos direitos de votos. Não foi um grande avanço, porque eu entendo que é melhor distribuí-los pelo tamanho da população de cada país ou os danos climáticos que ele gera.

BBC News Brasil – Isso mudará, então, quando os EUA perderem o poder de veto?

Piketty – Eles vão perder esse poder de veto muito em breve, porque, se hoje os EUA detêm cerca de 15% do PIB mundial e, por consequência, dos direitos de voto no FMI, logo eles vão cair para perto de 10%. Eu diria que isso vai acontecer pelos próximos 10 ou 20 anos. Poderemos ver uma mudança na estrutura do fundo.

Então, para responder à pergunta lá do início: precisamos ser muito pragmáticos. Em alguns casos, será necessário criar novas instituições com aquela “coalizão incompleta”, como para cooperação tributária internacional ou, talvez, para criar um imposto global sobre a riqueza para custear as reparações climáticas, por exemplo.

Esse nervosismo que vemos, hoje, em Washington, para dizer o mínimo, tem a ver com o fato de os EUA estarem perdendo o controle sobre o mundo. Daí, os nacionalistas, como Trump, reagem desesperados, colocando as armas na mesa. Elas são mais um sinal de fraqueza do que de força.

Trump com olhar sério, observando algo dentro de salão

Legenda da foto, ‘A visão trumpista do futuro não está funcionando’, avalia o economista francês

BBC News Brasil – Qual é o papel do Brasil em tudo isso?

Piketty – Países como o Brasil têm o papel de remoldar o balanço global de poder, de colocar essa conversa global na direção certa. O Brasil contribuiu muito com isso no passado, e será muito triste para o próprio país tanto quanto para o mundo se o Brasil seguir na direção do nacionalismo trumpista daqui algumas semanas.

Precisamos do Brasil contribuindo para reconstruir o sistema monetário, econômico internacional em um sentido muito mais inclusivo, igualitário, democrático e consciente sobre o clima. Sob o governo Lula, houve um papel importante de propor um imposto a bilionários na agenda do G20. Ela quase foi adiante. Eu acredito que, se houvesse um apoio mais firme da Índia ali, em particular, teria se criado uma coalizão do Sul global que tornaria a resistência do Norte a ficar muito mais difícil. Mesmo sem esse apoio, muitos países europeus já ficaram constrangidos em negar a proposta. Não apoiaram, mas não souberam dizer “não”.

BBC News Brasil – Por quê?

Piketty – Porque é uma situação difícil para eles. De um lado, eles não querem pagar pela reparação climática, mas, de outro, eles sabem que carregam a responsabilidade histórica enorme das suas emissões de carbono. É impossível negá-la. Mais do que isso: eles sabem que não podem cobrar mais impostos — para pagar reparação — de suas classes trabalhadores ou das suas classes médias. Logo, em algum momento, terão que aceitar que são os mais ricos, em especial bilionários, os que deverão arcar com essa conta. Isso vale, é importante dizer, tanto para bilionários do Norte quanto do Sul. Se um país tal como o Brasil — ou como uma África do Sul, uma Índia, uma Indonésia — coloca pressão sobre as questões climáticas ou de justiça econômica, fica impossível resistir.

Eu vejo o Brasil pronto para articular isso, não só como parte do Sul, mas também por ser um país grande. Será triste se ele perder a dimensão internacionalista, progressista e colocar, no lugar, uma visão estreita, tecnocapitalista e tecnonacionalista. Ela não vai resolver os problemas do mundo nem os do Brasil. Eu acho, inclusive, que essa agenda já vai ser derrotada na eleição que se aproxima nos EUA e nos próximos anos também. Assim, vai ser estranho o Brasil se mover em uma direção errada no momento errado.

BBC News Brasil – Ao mesmo tempo, as agendas das direitas radicais globais se baseiam no mérito individual como verdadeiro produtor de justiça econômica, e não a redistribuição de renda (defendida pela esquerda). Essas agendas são populares – como se vê no Brasil, por exemplo. (Para a esquerda), não seria necessário fazer a agenda da redistribuição voltar a ter apelo popular?

Piketty – A esquerda perdeu suas ambições de fazer propostas para reduzir desigualdades, para redistribuir a riqueza. Veio um consenso em torno da liberalização dos mercados e de diminuir a progressividade dos impostos, o que prejudicou muito as classes com renda baixa tanto quanto as médias. Em muitos casos, esquerdas e centro-esquerdas estão se associando a políticas pró-corporações. É uma abertura para retóricas nacionalistas. Às vezes, elas são mais pró-capitalismo que os próprios partidos centristas. Elas fazem isso para atrair eleitores das classes baixas, médias, e enfatizando a dimensão nacionalista que, como eu disse, não vai resolver os problemas.

Inclusive, nem os eleitores estão tão confiantes na agenda trumpista. Eles sabem que os partidos estão propondo um mesmo modelo de desenvolvimento que não integra a desigualdade, mas não veem alternativa. Essa é a principal explicação.

BBC News Brasil – É uma questão de repetição das propostas, portanto?

Piketty – Se você passa anos a fio dizendo para a opinião pública que não há políticas econômicas alternativas, que os governos precisam todos seguir a mesma agenda pró-corporações e que a única coisa que eles podem realmente fazer é controlar suas fronteiras, depois de 20, 30 anos, o resultado é um debate político que se resume em controle fronteiriço e identidade.

Abandonamos as discussões sobre políticas econômicas, sobre a estrutura de classes, sobre as desigualdades socioeconômicos. Mas, se a gente reabri-las, as coisas vão começar a mudar, porque, na prática, se você olhar para os governos nacionalistas no poder hoje, depois de alguns anos a opinião pública já não estará tão satisfeita com eles. Basta olhar para as taxas de popularidade de Trump nos EUA. É isso que me deixa otimista, a longo prazo, com a volta de soluções internacionalistas, democráticas e mais igualitárias — como as que apresentamos no relatório. Não será fácil.

BBC News Brasil – Mas haverá algum ponto de ruptura, na sua opinião?

Piketty – Não dá para prever que tipo de catástrofe política, que tipo de crise levará à transição, mas é importante discutir como queremos nos reorganizar antes que aconteça. Temos que estar prontos para, no momento, apresentar uma alternativa.

Eu escrevi um livro sobre história da desigualdade (Uma breve história da igualdade, Intrínseca, 2022) e, uma coisa que eu aprendi é que, em períodos críticos, em que as sociedades precisam mudar o sistema, fazer mudanças institucionais, elas devem estar prontas para fazê-lo. Foi assim que surgiram a seguridade social, os serviços públicos, a educação universal e gratuita, o sufrágio, os direitos trabalhistas, a decolonização, todas coisas que criaram mais prosperidade junto a mais igualdade. Não será fácil. Passaremos por mais crises, catástrofes, batalhas pelo poder, mas, no fim do dia, o caminho em direção à igualdade, democracia e prosperidade vai prevalecer.

BBC News Brasil – Em um cenário em que nada disso aconteça, em que as propostas do relatório nunca sejam implementadas, como o senhor vê o mundo daqui a 50 anos?

Piketty – Se o curso não mudar, o mundo ficará mais desigual e mais quente. Por consequência, mais instável que o atual. Mas esse futuro distópico não vai acontecer, eu acredito nisso. As forças tecnonacionalistas até podem ganhar algumas eleições, mas, como elas não sabem como resolver os problemas estruturais do mundo, o futuro será multipolar com uma prevalência das forças democráticas. E isso, principalmente, pela pressão que sairá do Sul global.

Fonte: BBC

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