Em um desfecho atípico e cercado de mistério, a brasileira Maria Lopes Eliaser viu sua ordem de deportação ser abruptamente interrompida no meio do percurso de regresso ao seu país de origem, na última quarta-feira, dia 12. Retida há mais de um mês em um centro de detenção voltado a imigrantes, a cidadã brasileira é casada com o sargento do Exército dos Estados Unidos, Alexis Jaramillo.
A custódia de Maria ocorreu em julho, no momento em que ela compareceu a uma entrevista agendada para dar andamento ao seu processo migratório. A prisão foi desdobramento direto da revogação, promovida pelo presidente norte-americano Donald Trump, das diretrizes de proteção que antes resguardavam os parentes diretos de integrantes das Forças Armadas no contexto das políticas de repatriação em massa.

A mudança drástica nos rumos da viagem ocorreu já durante o voo, quando oficiais do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) abordaram a brasileira para comunicar o recebimento de uma ligação telefônica a respeito do seu caso. Naquela ocasião, os agentes questionaram se ela preferia prosseguir o trajeto rumo ao território brasileiro ou se desejava regressar aos Estados Unidos. Diante da indagação, a passageira optou pelo retorno. O marido da brasileira declarou desconhecer a identidade da pessoa responsável pelo telefonema salvador, expressando o choque ao constatar que a intervenção anônima garantiu a volta da esposa.
Ao pousar em solo brasileiro, os demais imigrantes sob custódia desembarcaram normalmente da aeronave, enquanto Maria permaneceu no avião para ser transportada de volta ao estado da Louisiana. Durante o trajeto de regresso, os próprios agentes do ICE ironizaram a repercussão do caso, afirmando que a brasileira havia se tornado “famosa” devido às intensas publicações e repercussões sobre sua história na internet, segundo apurado pelo Jornal Brazilian Press.

Embora autoridades tenham assegurado ao sargento Jaramillo que o casal não enfrentará novos percalços de mesma natureza, o clima na residência permanece marcado pela apreensão e pelo desassossego. Maria enfrenta insônia grave e vive sob o receio constante de ser reconduzida às instalações de detenção de imigrantes, local onde relatou ter sofrido um tratamento degradante, comparado por ela ao de um animal. O próximo passo decisivo dessa jornada jurídica ocorrerá na segunda-feira, dia 17, data em que a brasileira passará por uma nova sabatina oficial com as autoridades de imigração para redefinir seu status no país.
Fonte: Brazilian Press