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Ofensiva migratória nos EUA: Governo Trump cancela mais de 175 mil vistos e consolida exigência de caução milionária

Ações do Departamento de Estado endurecem regras para estrangeiros, miram indivíduos com pendências policiais e impõem depósitos de até 20 mil dólares para cidadãos de dezenas de nações

Uma ostensiva mudança nas diretrizes de imigração dos Estados Unidos resultou no cancelamento sumário de mais de 175 mil vistos de estrangeiros ao longo da atual gestão do presidente Donald Trump. A informação foi confirmada oficialmente pelo Departamento de Estado norte-americano nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, sinalizando um desdobramento direto do rigor migratório implementado no início do seu novo mandato, no ano passado, que já havia retirado privilégios de viagem e permanência de dezenas de milhares de pessoas.

A justificativa governamental para o cancelamento em massa fundamenta-se na identificação de estrangeiros que descumpriram as condições de permanência, cometeram infrações criminais, praticaram fraudes contra cidadãos norte-americanos, abusaram das regras do sistema de imigração ou representaram ameaças explícitas à segurança nacional. A ampla maioria dos cancelamentos ocorreu após abordagens ou encontros com forças policiais locais, motivados por condutas como agressões físicas, condução de veículos sob o efeito de álcool ou drogas, roubos e delitos ligados ao tráfego de entorpecentes.

Entre os episódios emblemáticos citados pelas autoridades de Washington para ilustrar a severidade das medidas, destacam-se os casos de um indivíduo acusado de estupro e agressão sexual, outro processado por sequestro e tráfico humano, e um suspeito que responde a mais de uma dúzia de acusações por posse de material de abuso sexual infantil. Ademais, o governo norte-americano revogou as autorizações de entrada de estrangeiros que celebraram publicamente o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, incluindo o registro de uma pessoa que declarou abertamente que a vítima teria morrido com atraso.

Em paralelo às revogações executadas, o governo norte-americano consolidou outra diretriz de controle fronteiriço. Como, segundo apurado pelo Blog do Marcelo, a diplomacia dos Estados Unidos busca conter com rigor a permanência irregular de visitantes temporários, o Departamento de Estado tornou permanente, no último dia 31 de julho, um programa piloto de fiança para vistos temporários. A exigência estipula que solicitantes de vistos de negócios e turismo, enquadrados nas categorias B1 e B2, depositem uma garantia financeira que pode alcançar o valor de 20 mil dólares como pré-requisito estipulado pelos oficiais consulares para a concessão do documento.

O mecanismo de caução, testado ao longo de um ano, teve sua eficácia atestada por dados federais que demonstraram a eficácia do depósito prévio para desencorajar o descumprimento dos prazos de estada no país. A medida recai rigorosamente sobre cidadãos oriundos de 50 países que apresentam elevadas taxas de permanência ilegal após a expiração do visto, deficiências na troca de informações de inteligência com Washington, fragilidades no controle de identidade e antecedentes criminais, além de falhas nos processos de triagem, segurança documental e concessão de cidadania.

A lista de nações submetidas ao depósito de fiança abrange majoritariamente países do continente africano e outras regiões estratégicas, integrando Argélia, Angola, Antígua e Barbuda, Bangladesh, Benin, Botsuana, Burundi, Butão, Cabo Verde, Camboja, Costa do Marfim, Cuba, Djibuti, Dominica, Etiópia, Fiji, Gabão, Gâmbia, Geórgia, Granada, Guiné, Guiné-Bissau, Lesoto, Malaui, Maurícias, Mauritânia, Mongólia, Moçambique, Namíbia, Nepal, Nicarágua, Nigéria, Papua Nova Guiné, Quirguistão, República Centro-Africana, São Tomé e Príncipe, Seicheles, Senegal, Tajiquistão, Tanzânia, Togo, Tonga, Tunísia, Turcomenistão, Tuvalu, Uganda, Vanuatu, Venezuela, Zâmbia e Zimbábue. O Brasil não foi incluído no programa, permanecendo isento da exigência do depósito financeiro para a solicitação de visto.

Fonte: Brazilian Press