Em uma expressiva guinada no direcionamento das operações de fiscalização migratória, o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) superou a marca histórica de 60 mil indivíduos mantidos em custódia em suas instalações prisionais. O dado alarmante foi revelado a partir de documentos internos da própria agência federal obtidos e analisados pelo periódico The New York Times, que traçou um raio-X detalhado da ofensiva em curso no território norte-americano.
Os números evidenciam uma disparada sem precedentes na captura de estrangeiros que não possuem nenhuma condenação prévia na Justiça criminal. A estatística contraria frontalmente a retórica oficial adotada pela Casa Branca. Na página oficial do governo na internet, a administração mantém um painel em destaque listando exclusivamente nomes de imigrantes com histórico criminal grave que foram apreendidos e expulsos do país, omitindo de forma deliberada que a ampla maioria dos detidos nos centros de triagem não possui registros de crimes.
Essa discrepância reflete uma alteração direta nas diretrizes de patrulhamento e abordagem das autoridades federais. O compromisso inicial do governo de concentrar os esforços de deportação em indivíduos de alta periculosidade deu lugar a uma abordagem irrestrita. Sob a nova orientação, qualquer estrangeiro que esteja em situação documental irregular passa a ser alvo imediato de prisão caso seja localizado por agentes em trânsito.
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A intensificação do cerco resultou no avanço ostensivo sobre as chamadas “cidades-santuário” — localidades conhecidas por adotarem políticas de proteção e acolhimento à comunidade imigrante e que se tornaram alvos frequentes de duras críticas por parte do Poder Executivo. Ações ostensivas nessas jurisdições passaram a ser executadas com maior frequência e volume de efetivo.
A dimensão humana dessa repressão ganha contornos ainda mais graves ao se observar o perfil do público afetado e os desdobramentos operacionais no cotidiano das comunidades estrangeiras radicadas no país, segundo apurado pelo Jornal Brazilian Press.
A infraestrutura dos centros de custódia opera sob forte pressão em virtude do volume massivo de novos ingressos diários. A estratégia faz parte do plano do governo para tentar atingir as ambiciosas metas estipuladas para o programa de deportações em massa, gerando um efeito dominó que afeta desde o funcionamento dos tribunais de imigração até as economias locais que dependem da mão de obra imigrante. Com a ampliação da margem de atuação do ICE, entidades de defesa dos direitos humanos alertam para o risco iminente de colapso no sistema de acolhimento legal e para o clima de apreensão permanente estabelecido entre trabalhadores e famílias não documentadas.
Fonte: Brazilian Press