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Refugiados e imigrantes nos EUA poderão sofrer com os cortes no Medicaid

Novas restrições deixaram certos imigrantes com status definido, incluindo refugiados e vítimas de tráfico humano, sem cobertura do Medicaid, como parte de mudanças federais mais amplas no programa de seguro saúde, que devem deixar milhões de pessoas sem cobertura.

A medida, em vigor desde 1º de outubro, excluiu do Medicaid cerca de centenas de milhares de pessoas que imigraram legalmente para os EUA, muitas das quais trabalham e pagam impostos, constituindo a mais recente política do governo Trump contra estrangeiros.

Essa decisão faz parte de mudanças abrangentes no Medicaid decorrentes dos cortes de impostos e das políticas do presidente Donnal Trump para 2025 ; muitas dessas mudanças entrarão em vigor no início do próximo ano.

As alterações no Medicaid deverão resultar numa redução de 7,5 milhões no número de pessoas com seguro de saúde, de acordo com estimativas do Gabinete de Orçamento do Congresso para 2025.

Defensores dos direitos dos imigrantes apontam que, sem o Medicaid, as pessoas não terão condições de pagar um seguro privado e acabarão adiando o atendimento médico ou indo a prontos-socorros, sobrecarregando ainda mais um sistema de saúde já saturado.

Entre os que perderam a cobertura estão refugiados, requerentes de asilo e vítimas de tráfico humano e violência doméstica. Os titulares de cartões de residência permanente, conhecidos como green cards, não foram afetados.

Lauren Bis, porta-voz da Casa Branca, afirmou que “os imigrantes devem ser capazes de se sustentar sem recorrer a programas de assistência social já sobrecarregados e financiados pelos contribuintes americanos que trabalham arduamente”.

Recentemente, o governo reativou uma regra federal que pode negar residência permanente a imigrantes que utilizam assistência pública, como vale-alimentação, Medicaid, auxílio-moradia, entre outros.

Em julho, o governo reteve mais de US$ 1 bilhão em pagamentos do Medicaid destinados à Califórnia e Minnesota, alegando suspeita de fraude; críticos argumentaram que a medida teve como alvo estados governados por democratas.

Com o aumento do número de pessoas excluídas do Medicaid, o governo federal prevê um corte de US$ 911 bilhões nos gastos com o programa, segundo a KFF, uma organização sem fins lucrativos de pesquisa em saúde.

No Arizona, as autoridades relataram que 29.000 imigrantes indocumentados foram removidos dos cadastros do Medicaid em 1º de outubro. Na Flórida, as estimativas chegam a quase 177.000. No total, estima-se que mais de 281.000 imigrantes em nove estados e em Washington DC, perderão a cobertura do Medicaid, de acordo com a KFF.

Com a implementação de diversas restrições à cobertura de saúde por um número crescente de estados, estima-se que 7,5 milhões de pessoas perderão essa cobertura até 2034, de acordo com uma análise do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO).

Sem cobertura de seguro, as pessoas recorrem aos prontos-socorros em busca de atendimento médico. Quando a consulta médica é adiada, os quadros clínicos podem piorar e o tratamento pode se tornar ainda mais caro.

A UnidosUS colabora com organizações comunitárias para facilitar o acesso a cuidados médicos; no entanto, Feliciano afirmou que essas entidades já estão sobrecarregadas e não conseguirão atender o número de pessoas que perderão sua cobertura médica nos próximos meses.

“Não teremos capacidade para atender a todas as pessoas que precisam”, afirmou Feliciano.

Fonte: Brazilian Press