O sargento aposentado Wilmer Trujillo passou duas décadas defendendo os Estados Unidos. Com passagens pelo Exército e pela Guarda Nacional do Texas, o veterano acumulou missões em zonas de conflito como o Afeganistão e o Iraque, além de servir na Coreia do Sul. Hoje, no entanto, ele afirma enfrentar a batalha mais dolorosa de sua vida, travada dentro de sua própria casa no subúrbio de Princeton, em Dallas: a luta para que o governo norte-americano não deporte sua esposa, Arelys Barahona-Martinez.
A estabilidade da família desmoronou no último dia 10 de junho. Arelys, que é natural de Honduras e está casada com Trujillo há seis anos, foi detida inesperadamente por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) durante uma consulta de rotina em Dallas. O sargento relatou que a esposa cumpria o calendário de comparecimentos periodicamente e sem qualquer tipo de incidente anterior. Sem antecedentes criminais, a hondurenha se tornou o alvo mais recente das operações de deportação em massa da administração de Donald Trump, que têm afetado inclusive parentes próximos de militares e veteranos de guerra.

De acordo com as autoridades de imigração, pesa contra Arelys uma ordem de expulsão emitida em 2005. O Departamento de Segurança Interna confirmou que ela entrou de forma ilegal no país em duas ocasiões, a primeira em 2005 e a segunda em 2018. Atualmente, ela permanece retida no centro de detenção do ICE em Alvarado, no Texas, de onde conseguiu realizar uma videochamada chorando para o marido, relatando o sofrimento de ser tratada como criminosa e implorando pelo direito de responder ao processo em liberdade ao lado de seus familiares.
A história de Arelys com o país carrega um forte apelo humanitário. Ela conheceu Trujillo em 2019, um ano após regressar aos Estados Unidos. Sua motivação para voltar ao solo americano foi proteger o filho Idben, hoje com 20 anos. O jovem, que nasceu nos EUA e reside com o padrasto, sofre de neurofibromatose — uma condição genética que provoca tumores pelo corpo —, e corria o risco de ser recrutado por gangues em Honduras, além de necessitar de assistência médica urgente.
Juridicamente, a defesa da hondurenha busca uma alternativa para regularizar sua situação. Por ser casada com um cidadão americano e veterano, ela poderia se qualificar para o “Parole in Place”, um programa federal desenhado justamente para blindar famílias de militares da deportação e abrir caminho para o green card. Contudo, a estratégia depende de um juiz aceitar reabrir o caso histórico de 2005, além do perdão pelas entradas ilegais. Sob as diretrizes da atual gestão da Casa Branca, o ICE tem priorizado o encarceramento de indivíduos com ordens antigas de deportação, tornando as concessões de liberdade provisória muito mais raras, segundo apurado pelo Jornal Brazilian Press. Enquanto o impasse legal continua, Trujillo e o enteado lidam com o silêncio de uma casa que definem como completamente vazia.
Fonte: Brazilian Press