Uma investigação jornalística veiculada em rede nacional trouxe à tona os desdobramentos de uma contestada política de imigração adotada pelas autoridades norte-americanas, que consiste em transferir cidadãos estrangeiros para terceiros países com os quais não possuem qualquer ligação histórica ou familiar.
Em vez do repatriamento direto para o território de origem, imigrantes indocumentados estão sendo enviados para o continente africano, gerando forte apreensão sobre a legalidade das custódias e o respeito aos direitos humanos básicos durante os traslados de longa distância.
Assista a reportagem:
Entre as vítimas dessa estratégia está a jovem mineira Paola Santos, de 21 anos, natural de Caratinga. Moradora de Massachusetts por cerca de cinco anos, onde atuava no setor de limpeza de obras, ela teve a rotina interrompida ao ser detida pelo serviço de imigração americano, o ICE. Após amargar mais de um ano e três meses de prisão em solo americano, a brasileira foi embarcada em um voo sem qualquer esclarecimento prévio sobre a rota programada. Sob restrição física severa, permanecendo algemada por aproximadamente 16 horas contínuas, Paola só compreendeu que o destino final era a Libéria ao pisar em solo africano, desacompanhada de suporte governamental imediato.
A trajetória dramática não se limita a um episódio isolado. O brasileiro Pietro Graza de Lima vivenciou o mesmo pesadelo logístico ao ser conduzido em um grupo que tentou resistir ao desembarque forçado na própria Libéria. Diante da recusa, a aeronave seguiu para Malabo, capital da Guiné Equatorial, onde o grupo acabou retido. Conforme apurado pelo Blog do Marcelo, os afetados por essa modalidade de deportação enfrentam forte limitação de mobilidade em solo estrangeiro, escassez de assistência consular e total incerteza jurídica sobre os trâmites necessários para garantir o retorno seguro ao Brasil. A aplicação ostensiva dessa diretriz por Washington lança dúvidas sobre os protocolos internacionais de deportação e deixa dezenas de famílias brasileiras em compasso de espera por respostas conclusivas das autoridades diplomáticas.
Fonte: Brazilian Press