Morre brasileiro durante testes da vacina contra o coronavírus

João Pedro Feitosa, de 28 anos, que foi voluntário da pesquisa da vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca (EUA) e pela Universidade de Oxford (Inglaterra)

O médico João Pedro Feitosa, de 28 anos, que foi voluntário da pesquisa da vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca (EUA) e pela Universidade de Oxford e morreu por complicações da doença, recebeu o placebo. O brasileiro teve morte confirmada na quinta-feira (15). A informação foi dada pela agência Bloomberg e foi repassada à imprensa por um parente da vítima.

Ainda conforme a Bloomberg, João Pedro não recebeu doses reais da vacina e pertencia ao grupo de controle, ao qual um placebo foi administrado para a realização dos testes. Feitosa era um dos quase 10 mil voluntários que participam dos testes clínicos no Brasil.

Metade desse grupo tomará duas doses da vacina e o restante receberá placebo.

A vacina da AstraZeneca e de Oxford está sendo testada no Brasil desde junho. Em nota, a empresa disse que não pode comentar casos individuais nos testes.

“Obedecemos estritamente à confidencialidade médica e às regulamentações relativas a estudo clínicos e, em linha com esses princípios, podemos confirmar que todos os processos de revisão exigidos foram seguidos”, comunicou a empresa farmacêutica.

Aceitação pública da vacina:

O estudo publicado na revista Nature revela que 85,3% dos brasileiros estão dispostos a se vacinar contra a covid-19 se “um imunizante comprovadamente seguro e eficaz estiver disponível”.

A porcentagem brasileira de aceitação é o 2º mais alta do mundo. Fica atrás apenas da China, onde o índice chega a 88,6%. A informação foi divulgada um dia após o Presidente Jair Bolsonaro afirmar que uma futura vacina contra a doença não será obrigatória no País.

Na quarta-feira (21), o dirigente do país também descartou comprar o imunizante chinês. Ele contestou o que havia sido dito, anteriormente, pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

O levantamento publicado na Nature envolveu especialistas dos EUA e Europa. Eles analisaram as respostas de 13,4 mil pessoas nos 19 países mais atingidos pela pandemia.

O objetivo era descobrir qual seria a potencial hesitação global diante de uma vacina. Os números gerais mostram que 72% dos entrevistados aceitariam o imunizante. Os demais 28% o recusariam ou hesitariam em tomá-lo.

Para os especialistas envolvidos, esse porcentual de hesitação é alto diante de uma emergência global de saúde do porte da covid-19. Sobretudo, se o percentual de proteção oferecido pela vacina for baixo.

Atualmente, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem mais de 100 potenciais vacinas contra a covid-19 em desenvolvimento em todo o mundo. Muitas estão em fase final de testes em seres humanos e são pré-negociadas com vários países, inclusive o Brasil.

Diante de uma segunda onda da infecção já assolando a Europa, um imunizante eficaz é considerado a maior esperança no combate ao novo coronavírus. Entretanto, a vacina precisa ser aceita pela população.

Feitosa era um dos quase 10 mil voluntários que participam dos testes clínicos no Brasil

Fonte: Brazilian Times