População venezuelana está preparada para contribuir com economia do Amazonas, revela pesquisa divulgada pelo ACNUR e Pó…

Da redação
Diagnóstico lançado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Pólis…

Da redação

Diagnóstico lançado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Pólis Pesquisa aponta que maioria das pessoas refugiadas e migrantes venezuelanas em Manaus tem ensino médio, técnico ou superior em diferentes áreas. 1/3 são mulheres chefes de família.

Mais da metade da população venezuelana em Manaus pode contribuir com a diversificação da economia e desenvolvimento local, com formação de nível médio, técnico ou superior em áreas como educação, administração e engenharia.  

Mas apesar disso, as pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela que têm empregos formais ou informais recebem menos que os brasileiros, mesmo com sua formação.

E ao mesmo tempo, 15% das mulheres venezuelanas não trabalha fora por não estar disponível em função de cuidar das crianças ou da família, e mais de um terço são as únicas responsáveis por cuidar do sustento e de demais membros da casa.

Essas foram revelações inéditas trazidas pela pesquisa “Diagnósticos para a promoção da autonomia e integração local de pessoas refugiadas e migrantes venezuelanas em Manaus: pesquisa de perfil socioeconômico e laboral”, apresentada nesta quinta-feira na sede do Ministério Público do Trabalho no Amazonas e em Roraima (MPT/AM-RR), em Manaus.

Encomendado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) junto à Pólis Pesquisa, e com apoio da AVSI Brasil, o estudo levantou informações de um total de 1.506 pessoas, em 419 entrevistas, retratando dados demográficos, perfil profissional, educacional, situação ocupacional e condições de vida. Atualmente, estima-se que cerca de 40 mil pessoas venezuelanas estejam no Amazonas.

O estudo mostra que pessoas refugiadas podem contribuir com empreendimentos em diferentes áreas da economia, impulsionando e dinamizando o desenvolvimento local no comércio, indústria e serviços.

Educação e experiência profissional

De acordo com o levantamento, 51,3% das pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela têm Ensino Médio, e 25,6% têm formação técnica ou superior em áreas como educação, administração, engenharia e outros. Além disso, um total de 56% dos respondentes acumula mais de três anos de experiência em sua área de formação.

“A maioria das pessoas está em idade economicamente ativa, com diversas qualificações e experiências que podem contribuir a potencializar empreendimentos brasileiros já existentes em áreas diversas da economia”, explica o Assistente Sênior de Soluções Duradouras do ACNUR, Rafael Yoshida Machado.

O setor de alimentação e de hospedagem, incluindo restaurantes, bares e hotéis, tem sido o qual os refugiados têm demostrado maior intenção de trabalhar (24,1%), seguido da indústria (7,6%), limpeza e manutenção (3,8%), dentre outros.

Situação ocupacional

Atualmente, 59,9% da população refugiada se encontra com alguma ocupação na cidade, mas apenas 4,5% com emprego formal e carteira de trabalho assinada.

Para as mulheres, a situação é ainda mais desafiadora.

Apenas 2,5% das respondentes estão em empregos formais. Um total de 15,2% das entrevistadas indicou que não estariam disponíveis para trabalhar por terem que cuidar de crianças e outros familiares.

“Esses dados corroboram a necessidade de que ações específicas voltadas às mulheres refugiadas e migrantes sejam consolidadas. Iniciativas como o Mujeres Fuertes e o Empoderando Refugiadas podem fazer uma diferença substantiva na forma como esses perfis acessam o mercado de trabalho, pois além de capacitar, oferecem uma alternativa de renda e assistência que possibilitem que mulheres se integrem localmente”, enfatiza Laís Rigatto, assistente de Meios de Vida do ACNUR.

Os setores com maior presença de trabalhadores refugiados e migrantes é o de serviços, com 28,7% dos respondentes, seguido por estabelecimentos comerciais no varejoe atacado, serviços domésticos, construção civil, indústria e outros.

Renda

Apesar da qualificação, a pesquisa revela que o rendimento médio das pessoas venezuelanas ocupadas em Manaus, de BRL 891,50, ainda é abaixo do salário-mínimo nacional.

Em geral, venezuelanos ainda ganham em média um terço da remuneração do trabalho dos brasileiros em geral, de BRL 2.447,00, se considerado último trimestre de 2021.

“Por isso ações como a revalidação de diplomas, fortalecimento de iniciativas de capacitação e conhecimento sobre a legislação trabalhista são essenciais para valorizar essa mão de obra e dar ocupação a ela no mercado”, explica o Economista Associado do ACNUR, Nikolas Pirani.

Apesar dos desafios, os dados apontam para um grande potencial para a integração socioeconômica de refugiados e migrantes na cidade de Manaus.

Segundo a pesquisa, 82,3% dos entrevistados indicam intenção de seguir vivendo no Brasil e construir sua vida no país. Um total de 90,7% estão conectados à internet, o que pode favorecer o acesso a informações e oportunidades.

Iniciativas já existentes

Em Manaus, o ACNUR desenvolve um programa de integração local em parceria com diversas organizações para incentivar e potencializar oportunidades para pessoas refugiadas e migrantes venezuelanas.

Uma dessas iniciativas tem como foco e empoderamento de mulheres refugiadas, fornecendo capacitações, assistência financeira e psicossocial. O projeto Mujeres Fuertes, desenvolvido em parceria entre MPT/AM-RR, Hermanitos e o ACNUR, beneficia 46 mulheres venezuelanas com formação nas áreas de gastronomia e empreendedorismo.

Além disso, cerca de 4 mil pessoas foram apoiadas com orientação, preparação de currículos e ações de inserção no mercado de trabalho.

“É necessário que se promova o envolvimento de atores tanto do setor público, setor privado e sociedade civil para que oportunizem que a oferta de mão de obra disponível de pessoas refugiadas e migrantes venezuelanas possa ir ao encontro da demanda de mão-de-obra que o setor privado de Manaus requer”, finaliza Rafael.

A pesquisa é a primeira de uma série de três estudos em desenvolvimento pelo ACNUR para potencializar a integração local de refugiados e migrantes venezuelanos em Manaus. O segundo estudo focará em uma avaliação de mercado, destinada a verificar áreas de maior demanda por mão de obra e considerações do setor privado sobre a contratação de pessoas refugiadas.

A terceira publicação unirá os achados dos dois estudos anteriores, apontando para fatores de impulso e de atração entre a oferta e a demanda de mão-de-obra, sugerindo possibilidades de intervenções apropriadas para a criação de empregos e geração de renda que afetem positivamente pessoas refugiadas e migrantes, bem como o desenvolvimento local.


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Fonte: Brazilian Times