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American Airlines corta seis rotas nos EUA após disparada do combustível

Maior companhia aérea do mundo em volume de passageiros transportados, a American Airlines anunciou que irá suspender seis rotas domésticas. Serão afetadas as ligações entre Los Angeles e as cidades de Cleveland, Columbus, Pittsburgh e Washington Dulles, além das rotas entre Charlotte e as cidades californianas de Ontario e Sacramento. Os passageiros impactados serão reacomodados em outros voos ou terão direito a reembolso.

Embora a empresa tenha classificado a medida como temporária, a decisão ocorre em um momento delicado para a aviação global. O preço do querosene de aviação, que normalmente responde por cerca de 25% a 30% dos custos operacionais de uma companhia aérea, disparou nos últimos meses em decorrência da guerra envolvendo o Irã e das interrupções no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo comercializado no mundo.

Segundo a Associated Press, o combustível de aviação era negociado próximo de $ 99 por barril antes do agravamento do conflito. Atualmente, o valor se aproxima de $ 142 por barril, uma alta superior a 40% em poucos meses.

A dimensão do impacto pode ser medida pelos números divulgados pela própria American Airlines. Em abril, a companhia reduziu sua projeção de resultados para 2026, admitindo inclusive a possibilidade de prejuízo. O presidente-executivo da empresa, Robert Isom, afirmou aos investidores que os custos adicionais podem chegar a algo entre $ 4 bilhões e $ 5 bilhões em 2026, como consequência direta da escalada dos preços internacionais.

A situação ilustra um problema enfrentado por todo o setor. Segundo o economista Stephen Rooney, da consultoria Tourism Economics, como as vendas de bilhetes ocorrem, em sua maior parte, semanas ou meses antes da realização do voo, as empresas ficam impossibilitadas de repassar imediatamente os novos custos aos passageiros.

Um dos aspectos que mais chamam a atenção dos especialistas é que os cortes ocorrem em um período de demanda elevada. Ao contrário do que aconteceu durante a pandemia ou em momentos de desaceleração econômica, a redução de capacidade não está relacionada à falta de passageiros.

A própria American Airlines informou que registra crescimento nas reservas corporativas e elevada procura por assentos premium. Cerca de 80% da capacidade do segundo trimestre já estava comercializada quando a empresa apresentou seus resultados mais recentes, o que reforça que o problema não está na ocupação das aeronaves, mas na rentabilidade das operações. As rotas domésticas de média e longa distância, especialmente aquelas que conectam mercados secundários, costumam apresentar margens mais estreitas.

Além da disparada do combustível, as companhias aéreas convivem com atrasos na entrega de aeronaves, escassez de motores, fechamento de espaços aéreos em regiões de conflito e pressões crescentes sobre suas margens de lucro. Como consequência, a agência de classificação de risco Moody’s revisou para negativa sua perspectiva para o setor aéreo global, projetando uma queda superior a 35% nos lucros das empresas neste ano.

Com informações da Associated Press, Reuters e CBS News.

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Fonte: AcheiUSA