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Fui à experiência de Black Mirror em São Paulo e enfrentei um clone de mim mesmo



Fui à experiência de Black Mirror em São Paulo e enfrentei um clone de mim mesmo | Viagem e Turismo
































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Todos juntos em uma mesma sala, mas cada participante vive uma experiência única com o óculos de realidade virtual (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)
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A Experiência Black Mirror chegou a São Paulo no fim de julho com uma proposta interessante para os fãs da série: colocar o público dentro de um episódio interativo, em que inteligência artificial (IA) e realidade virtual se combinam para criar uma aventura ambientada em um mundo cibernético. A atração estreou em 31 de julho no Shopping Eldorado, depois de passar por Nova York, Madri e Montreal.

Inspirada na série homônima da Netflix, a atividade foi desenvolvida com a participação de Charlie Brooker, criador da produção. Ao longo de sete temporadas, Black Mirror tornou-se conhecida por abordar, em histórias dramáticas, os dilemas éticos provocados pelo avanço da tecnologia e seus impactos na vida humana. A série acumula 29 prêmios, entre eles nove Emmys e quatro BAFTAs (British Academy Film Awards).

O robô

Na experiência paulistana, grupos de seis pessoas entram no universo da Phaethon, uma gigante de tecnologia que apresenta sua mais nova criação, o LifeAgent. O robô foi desenvolvido para simplificar a vida de seus usuários e ajudá-los a alcançar seus objetivos – pelo menos, essa é a promessa inicial da empresa.

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Exposição com três painéis luminosos e dois totens interativos em um ambiente moderno. O painel da direita exibe Aventura e Exploração com uma montanha branca, o central Impacto Global com uma árvore, e o da esquerda uma imagem parcial de um braço. Os totens brancos têm telas azuis.
Phaenthon: big tech fictícia é uma caricatura das grandes empresas da realidade (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)

Tudo muda quando a primeira versão do androide é substituída por um segundo modelo. Nos moldes de um ser humano, o robô se torna um clone de cada visitante, imitando rosto e voz. A partir daí, é preciso enfrentar uma série de obstáculos para evitar que essa cópia assuma o lugar de quem está participando da experiência – no caso, eu mesmo.

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Esse nível de customização é possível porque, antes do início da atividade, cada participante fornece seus dados de imagem e voz para a empresa fictícia. Segundo os organizadores, essas informações são utilizadas apenas durante a atividade, sendo excluídas após a saída (a frase que acabei de escrever parece até um possível plot de Black Mirror).

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Quatro pessoas e um robô branco sorrindo e gesticulando dentro de um trem futurista azul claro, em alta velocidade por um túnel escuro com luzes brancas
LifeAgent: robozinho guia os visitantes pela atividade Black Mirror (Experiência Black Mirror/Divulgação)

Mergulho no mundo virtual

Na primeira sala em que eu e meu grupo entramos, um vídeo institucional nos apresentou a empresa de tecnologia Phaethon e sua nova invenção, o prosaico robozinho LifeAgent, feito para auxiliar os humanos a alcançarem seus objetivos e cumprir tarefas.

Fomos levados a conhecer um modelo de perto, mas antes era preciso adentrar o mundo virtual. Preenchemos um formulário com dados como idade, nome e gênero, além de selecionar nossas ambições. Escolhi viajar o mundo e ganhar dinheiro, mas era possível desejar ser famoso e até bonito. A nova invenção prometia nos ajudar a conquistar esses sonhos. Nessa hora, monitores da exposição escanearam o rosto de cada participante e recebemos nossos óculos de realidade virtual.

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Com o aparelho bem encaixado na cabeça, as luzes do mundo real se apagaram e um plano digital apareceu. Os outros participantes que estavam na sala surgiram na tela como figuras humanoides, o que me permitiu saber onde cada um estava, evitando assim que trombássemos uns nos outros. Na sequência, um LifeAgent se apresentou e me guiou por salas interativas.

Homem de costas, vestindo jaqueta jeans escura, usando óculos de realidade virtual brancos e cinzas, com um fone de ouvido branco na parte de trás da cabeça. Ele está em um ambiente interno com paredes claras e um painel preto com linhas brancas abstratas. Uma mulher de blusa clara aparece parcialmente à direita
Trasnformer: o óculos de realidade virtual é quase um capacete, já que une aparatos para captar e emitir sons e imagens, além de detectar movimentos (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)

Primeira fase: um game show no estilo dos anos 1970. Esse momento é mais para se acostumar com o ambiente do jogo. Uma questão surgiu na tela, o apresentador leu a pergunta e nos deu alguns segundos para pensar. Então, era hora de escolher: cada alternativa correspondia a um quadrado colorido no chão, e bastava pisar naquele que parecia ser a resposta certa. Eu escolhi o meu e esperei para ver se tinha acertado. O grupo ganhava pontos a cada resposta correta.

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Então, seguimos para um segundo espaço com apresentação musical, onde os instrumentos respondiam aos movimentos de nossas mãos. Foi mágico conseguir tocar um teclado invisível – eu apertava o dedo no mundo real e a tecla descia no virtual.

Depois, fomos ao divã para uma sessão de psicanálise com ninguém menos que Sigmund Freud. A figura do psicanalista surge imponente numa tela e ele pergunta o que cada um sonhou na noite anterior. Como eu não lembrava, inventei: disse que estava voando sobre São Paulo. Freud me disse – essa frase é muito Black Mirror – que era um sonho raso, mas que revelava mania de grandeza e ambição. Como se essa resposta já não fosse impressionante, ao menos pra mim era, surgiram imagens feitas por IA do relato que fiz, comigo sobrevoando a capital paulista. Cada participante vê o seu sonho e tem um diálogo único com o pai da psicanálise, sem que um saiba o sonho do outro.

Após esses jogos, fomos levados aos laboratórios da Phaethon. O que era uma atividade lúdica logo tomou os rumos dramáticos da série. Os robôs assumiram formato humano e o LifeAgent apareceu com o meu rosto – foi chocante! Daqui para diante, tem spoilers.

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Cinco crianças de costas observam um homem idoso, de barba branca e óculos, com expressão furiosa, que aparece em uma tela futurista, vestindo terno e gravata. Ele se inclina para frente, com as mãos apoiadas na tela, como se estivesse tentando sair dela. O ambiente ao redor da tela é escuro, com fios e luzes azuis.
Freud explica: sessão com o psicanalista é única para cada visitante (Experiência Black Mirror/Divulgação)

O que veio a seguir teve uma pegada de videogame. Os clones nos traíram e, estando presos, seguimos por um labirinto de tubulações nas profundezas da indústria da Phaethon. Desviamos de raios, corremos de robôs e, antes da última sala, pegamos armas a laser. A sequência seguinte foi como um tiro ao alvo virtual: os androides tentavam nos pegar enquanto íamos de carro rumo à saída. Quando eles pulavam, nós atiravamos.

Após escapar daquele local, nos deparamos novamente com o clone. Agora, eu precisava escolher: perdoá-lo ou destruí-lo. Decidi aniquilar essa minha segunda versão com um disparo.

Fim da história, mas as cenas finais mostram que já era tarde demais, o mundo foi tomado por essa nova tecnologia. Uma distopia que talvez não esteja tão distante assim do mundo de hoje.

Serviço

Onde? Shopping Eldorado – Av. Rebouças, 3970 – Pinheiros, São Paulo.

Quando? Terças a sábados, das 14h às 22h; domingos e feriados, das 12h às 20h. A exposição fica em cartaz até 15 de janeiro de 2027.

Quanto? Ingressos a partir de R$ 70 disponíveis na plataforma Bilheteria Digital. A entrada é permitida apenas para maiores de 16 anos. Jovens entre 12 e 15 anos podem entrar apenas acompanhados de um responsável.

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Fonte: Viagem e Turismo