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Visitamos a exposição imersiva sobre Tarsila do Amaral em São Paulo



Visitamos a exposição imersiva sobre Tarsila do Amaral em São Paulo | Viagem e Turismo

































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Olhos atentos: cada ambiente é único, com diferentes formatos e linguagens (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)
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O primeiro andar do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, está de cara nova. Em 15 de agosto, foi inaugurado o Nubank Arte Lab, um espaço expositivo de 2700 m² com cinco salas multiuso e a operação gastronômica Nuv Gastro Bar. O projeto é do escritório Jacobsen Arquitetura. E, para marcar a estreia desse novo complexo cultural, está em cartaz a exposição O Brasil de Tarsila, com mais de 70 obras em espaços interativos.

A realização é uma parceria da Tarsila do Amaral S.A., empresa que protege o legado da artista, e a agência de eventos LIVEIDEA. A curadoria é de Juliana Miraldi e Paola do Amaral Montenegro, sobrinha-bisneta de Tarsila. Não há obras originais, apenas réplicas e versões digitais das pinturas.

A mostra ocupa três das cinco salas modulares do complexo. Os espaços foram adaptados em 14 ambientes interativos, cada um dedicado a um trecho da história e da obra da modernista. Os locais têm controle de temperatura e iluminação, além de aparatos que liberam odores.

Oficialmente O Brasil de Tarsila fica em cartaz até 31 de outubro, mas tudo indica que será prorrogado até o fim do ano. Depois, segue para o Rio de Janeiro, sem local definido. Em setembro, as salas restantes devem ser ocupadas pela mostra Fronteiras do Imaginário, do artista digital francês Maotik.

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Veja, a seguir, o meu relato em primeira pessoa de como foi a visita à exposição.

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No mundo de Tarsila

Tarsila do Amaral sempre me encantou. Desde as primeiras aulas de arte na escola, ela, em especial, era a artista com quem eu mais me conectava. Primeiro, porque temos o mesmo sobrenome – que honra seria se eu fosse um sobrinho-bisneto dela. Segundo, as cores e formas em suas pinturas, simples mas dignas de contemplação, me encantavam.

As primeiras duas salas do espaço expositivo no Conjunto Nacional são galerias. Há réplicas das obras da artista em quadros, molduras para tirar fotos (sim, instagramáveis) e textos que contam a história de Tarsila. Por mais comum que esse começo pareça, entender a trajetória da artista é fundamental para o que surge na sequência, que mistura biografia e obra. Daqui em diante, a mostra é de “fluxo único”, ou seja, só é possível ir para o próximo ambiente, sem retornar.

Pintura modernista colorida em moldura de madeira, com um homem deitado em uma árvore amarela, cactos, palmeiras e casas brancas em um cenário tropical com montanhas e água ao fundo
“Diga X”: molduras vazadas com “trechos” dos quadros de Tarsila são cenários lúdicos para fotos (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)
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O primeiro “uau” veio no ambiente seguinte: a sala de espelhos. Equipada com um painel de LED de 84 m², as paredes refletem obras de sua fase Pau Brasil (1924 – 1928). As figuras de Religião Brasileira (1927) se misturam com as flores de Manacá (1927), formando combinações inéditas repetidas ao infinito. Quem entrava demorava a sair. Cada ângulo revelava uma forma diferente de observar as obras.

Na sala seguinte, cheguei à Floresta Tarsiliana, cuja ambientação mescla elementos da fase Antropofágica (1928 – 1930). As árvores de Floresta (1922) são um só ecossistema com a vegetação de Cartão-Postal (1929) e Idílio (1929). O sistema de som emite o coaxar de sapos e o canto de aves tropicais, enquanto borrifadores liberam cheiro de jasmim. Por lá, há ainda uma piscina de bolinhas verdes – sem restrição de idade, oba – que não pude deixar de mergulhar. As crianças, com presença em peso na exposição, também adoraram.

Piscina de bolinhas verde-limão em ambiente escuro com iluminação neon verde, colunas verticais e formas orgânicas brilhantes ao fundo
Floresta Tarsiliana: ambiente materializa a fauna retratada pela modernista em sua fase Antropofágica (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)
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Ao atravessar a cortina entre salas, surge um vagão de trem, onde cada janela é um destino que marcou a vida de Tarsila. Artefatos distribuídos em mesas se unem a um sistema de som, de onde uma narração conta sobre as viagens da artista para lugares como Minas Gerais, Paris e a então União Soviética.

Interior de um vagão de trem escuro com paredes de madeira. Duas janelas exibem desenhos de cidades em estilo esboço. Há luminárias de parede e mesas com tampo de vidro iluminado, exibindo fotos antigas. Um homem de óculos e camiseta preta está sentado à direita
Trem para Tarsila: a artista esteve em quatro países da América do Sul e em 15 da Ásia, Europa e África (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)

Em um espaço com assentos, projetores mostram na sequência uma animação das figuras icônicas ilustradas pela modernista. O Sapo (1928) pula por uma paisagem tropical até encontrar a Cuca (1924) e Abaporu (1928). O gigante de pés enormes e cabeça nanica segue rumo a uma floresta, onde se acomoda ao lado da figura de seio à mostra de Antropofagia (1929).

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Instalação artística com projeções de paisagem verde e um rio azul. No chão, uma escultura amarela de criatura com orelhas pontudas e um pássaro listrado deitado sob uma árvore com folhas grandes e verdes
Hora do desenho: filme em 180° toma a sala com personagens icônicos da obra de Tarsila (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)

As cores vibrantes dão espaço aos tons cinzentos da fase Social, na sala dedicada a Operários (1933). Após retornar de sua viagem pela União Soviética, em 1931, suas obras passaram a retratar a realidade popular no Brasil. Nessa sala, precisei girar uma manivela para que os trabalhadores surgissem em uma tela curva. Também “bati ponto” numa máquina antiga, que tirou uma foto minha e inseriu-a digitalmente na obra como mais um entre os operários.

Projeção de uma multidão de rostos diversos, de diferentes etnias e idades, em um fundo azul com chaminés industriais soltando fumaça, preenchendo uma parede curva de uma sala escura
Operários: retrato de um povo (você consegue identificar Mário de Andrade na tela?) (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)
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Um corredor com a personagem de Composição (Figura Só) (1930), tomada por uma ventania emitida por ventiladores, leva ao salão com Abaporu (1928). Aqui é o momento em que aproveitei para tirar muitas fotos, fazendo graça com o gigante.

Jovem de camiseta preta e jeans sentado sobre um pé gigante de escultura cor de pele, olhando para a direita. Ao fundo, parede azul com um sol amarelo e três cactos verdes, e chão de grama sintética
Abaporu: o icônico gigante, cujo original hoje pertence ao MALBA de Buenos Aires, é cenário para fotos (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)

A agitação dos flashes foi sucedida pela tranquilidade da noite. Estava novamente imerso, dessa vez na obra A Lua (1928). Bancos em formato de pedra permitem apreciar o astro projetado na parede. Fiquei ali por um bom tempo.

Instalação artística imersiva com projeções de ondas azuis e brancas em uma parede curva, com uma lua crescente amarela no centro. No chão, seis formas arredondadas marrons simulam pedras, criando um ambiente noturno e sereno
A Lua e quem mais chegar junto: cores vibrantes dão lugar a um salão contemplativo (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)

O espaço seguinte lembra um playground. Há quebra-cabeças gigantes, um escorregador e gangorra. A monitora da sala confirmou: as crianças amam. Difícil é para os pais que, na hora de seguir em frente, têm de lidar com insistentes “só mais um pouquinho”.

Cenário de brinquedos coloridos com um trem laranja e amarelo à esquerda, um carro preto com rodas brancas ao centro, e um escorregador vermelho com escada amarela à direita. O chão tem formas geométricas coloridas e as paredes são pintadas com elementos urbanos estilizados
Brincadeira de criança: cidades da fase Pau Brasil (1924 – 1928) viram playground para os pequenos (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)

A Terra (1943) toma o espaço seguinte por completo. Ventiladores ajudam na imersão com ventos fortes na direção dos visitantes. Esse é outro ambiente para relaxar.

Escultura de figura humana alongada, deitada de lado, com um braço estendido e pernas esticadas, em um ambiente que simula um deserto com um cacto ao fundo
Novos gigantes: em 1930, após rompimento com Oswald de Andrade e o início da ditadura Vargas, obra da artista torna-se mais melancólica (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)

O gran finale é um salão que mistura todas as fases de Tarsila em uma animação projetada nas paredes. A Fazenda com Sete Porquinhos (1943) surge ao fundo e o Sol Poente (1929) finaliza o dia. Que delícia de passeio.

Pessoas observam uma exposição imersiva com projeções de paisagens coloridas no estilo de Tarsila do Amaral, com rios azuis, casas e coqueiros, em um ambiente escuro com bancos brancos
Deleite tropical: ambiente final mistura as grandes obras da artista em uma animação projetada em 360° (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)

Serviço

Onde? Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2.073, 1º andar, Consolação.

Quando? Em cartaz até 31 de outubro. Aberto de quarta a segunda, das 10h às 22h.

Quanto? Ingressos a partir de R$ 47,50 pela plataforma Fever.

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Fonte: Viagem e Turismo