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Caso Kilmar Ábrego García: Governo Trump ameaça deportar salvadorenho para Uganda, após ele ser libertado

O governo dos Estados Unidos pode deportar Kilmar Armando Ábrego García para Uganda nos próximos dias, segundo apurado pelo Brazilian Press. A informação foi confirmada após um aviso enviado na sexta-feira (22) por uma autoridade do Departamento de Segurança Interna (DHS) aos advogados do imigrante, momentos após sua liberação condicional da custódia criminal em um caso federal no Tennessee.

O comunicado, apresentado em documentos judiciais, alerta: “Deixe este e-mail servir como aviso de que o DHS pode remover seu cliente, Kilmar Armando Ábrego García, para Uganda não antes de 72 horas a partir de agora (ausente fins de semana)”. A notificação surge em meio a um cenário jurídico e humanitário extremamente delicado, já que García é conhecido por ter sido deportado ilegalmente para El Salvador em março deste ano — um erro administrativo que gerou repercussão nacional e internacional — antes de ser repatriado aos EUA em junho para enfrentar acusações criminais.

Kilmar Abrego Garcia released from criminal custody in Tennessee - ABC News

Apesar de estar sob processo criminal, García havia obtido uma ordem judicial da juíza federal Paula Xinis, que determinou que o DHS deveria fornecer aviso prévio de 72 horas úteis antes de qualquer tentativa de deportação para um país terceiro. A medida foi estabelecida para garantir que o imigrante pudesse contestar a remoção caso corresse risco de tortura ou perseguição no destino indicado. Uganda, país sem laços familiares ou históricos com García, levanta preocupações sérias sobre sua segurança, dado o histórico de violações de direitos humanos contra estrangeiros e pessoas LGBTQ+.

O caso ganhou novo contorno neste sábado (23), quando a defesa de García apresentou um novo dossiê ao juiz federal Waverly Crenshaw, responsável pelo processo criminal. Nele, os advogados revelam que o governo dos EUA ofereceu, já nesta semana, um acordo em que García se declararia culpado de duas acusações federais — relacionadas a entrada ilegal e documentação falsa — e, após cumprir eventual pena, seria deportado para a Costa Rica. Segundo uma carta oficial do governo costarriquenho anexada aos documentos, o país estaria disposto a receber García como refugiado ou conceder-lhe status legal humanitário.

Kilmar Abrego Garcia could be deported to Uganda, official says - CBS News

A oferta, renovada na noite de sexta-feira, expira na manhã de segunda-feira. Caso recusada, os advogados afirmam que será “retirada permanentemente da mesa”. Para a defesa, esse ultimato não passa de uma manobra coercitiva. “Só pode haver uma interpretação desses eventos: o DOJ, DHS e ICE estão usando seus poderes coletivos para forçar o Sr. Ábrego a escolher entre um acordo de culpa seguido de segurança relativa, ou entrega para Uganda, onde sua segurança e liberdade estariam sob ameaça”, escreveram os advogados em petição ao tribunal.

A equipe jurídica de García argumenta que as ações do governo configuram “acusação vingativa e seletiva”, em retaliação ao fato de ele ter desafiado publicamente sua deportação ilegal para El Salvador. “É difícil imaginar um caminho que o governo poderia ter tomado que tivesse enfatizado melhor sua vingança”, afirmaram. Diante disso, solicitam que o juiz arquive o caso criminal, alegando abuso de processo. O caso de Kilmar Ábrego García, um imigrante salvadorenho com laços familiares nos EUA e que nunca viveu em Uganda, tornou-se um símbolo das falhas e excessos nas políticas migratórias da era Trump. Enquanto aguarda uma decisão judicial, ele permanece em liberdade condicional, mas sob a sombra iminente de uma deportação que, segundo sua defesa, poderia colocar sua vida em risco.

Fonte: Brazilian Press