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Sofisticação dos hotéis de luxo seduz paulistanos em busca de novas experiências

Em cada região da maior cidade da América do Sul, que celebra seus 472 anos neste domingo (25), há hotéis que oferecem mais do que uma estadia: eles propõem também novas formas de experimentar a metrópole.

Ao deixar para trás o frenesi da avenida Paulista, por exemplo, um portal na rua Itapeva nos guia para um ambiente onde a agitação cede espaço à contemplação. Ao atravessar o corredor verde, a natureza espalha-se por um dos complexos mais sofisticados da América Latina, o Cidade Matarazzo, que abriga o centro cultural Casa Bradesco, o clube Soho House, uma capela restaurada de 1922, dedicada a Santa Luzia, e o hotel Rosewood São Paulo.

Com seus três restaurantes e dois bares sempre cheios, o hotel pulsa em um compasso próprio. Ainda assim, basta cruzar a porta do apartamento para que o mundo lá fora se dissolva. O som da cidade se apaga.

Disfarçar-se de hóspede e entregar-se aos encantos da hotelaria paulistana é, mais do que um
gesto de curiosidade, uma forma de experimentar o sofisticado. São espaços que fazem fama aqui e lá fora, habituados a receber viajantes internacionais, mas que também guardam algo de profundamente paulistano: a arte de transformar o cotidiano.

São Paulo tem cerca de 420 hotéis, que juntos somam mais de 41 mil quartos. Desses, 17 ostentam o selo do luxo, de acordo com a Abih-SP (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo). O números também revelam um recorte curioso: entre 42% e 52% dos quartos são ocupados pelos próprios paulistanos —moradores que apostam em uma imersão temporária em outra São Paulo, algo mais zelosa.

Um bom lugar para fazer isso é o Palácio Tangará. Considerado um dos hotéis mais luxuosos do continente, ele fica no coração do Panamby, na região sul, com uma bela vista para o parque Burle Marx —uma das maiores reservas urbanas de mata atlântica.

Em seus 141 quartos, a natureza é a estrela, presente em cada janela, oferecendo uma imersão completa na serenidade do verde que contrasta com a agitação urbana.

Perto dali, aos fins de semana, a modernidade dos imponentes prédios comerciais da Berrini cede espaço ao lazer, como no JW Marriot Hotel. Cercado por torres envidraçadas, ele é o retrato do típico business hotel, daqueles em que o movimento diário reflete o compasso do trabalho. Mas basta o sábado chegar para que o cenário mude: executivos dão lugar a casais, famílias e gringos em busca de lazer com um quê de sofisticação.

No lobby, os pisos são de mármore, e a escada vermelha se ergue rumo ao centro de eventos. O interior destaca-se por madeiras em tons mais escuros que se mesclam ao bege de objetos como estantes, cadeiras de espera, mesas e abajures. O destaque vai para o Caju Bar, pilotado pela bartender Gabriela Marques, 29.

Nos arredores, outro espaço que desponta é o Grand Hyatt São Paulo, com sua vista imponente para a Ponte Estaiada, um dos cartões-postais da capital. Aos domingos, o brunch, aberto ao público, ganha ares de celebração. Com preço fixo de R$ 340 (adultos) e R$ 170 (crianças de 6 a 12 anos), a vivência reflete a proposta do hotel de adaptar-se aos diferentes momentos do dia —do café ao drinque pós-jantar.

De volta aos Jardins, a uma quadra da Paulista, o Renaissance se destaca ainda mais para aqueles que preferem não sair das suas dependências. O Club Lounge, localizado no 23º andar, oferece uma vista exclusiva da cidade, além de canapés, bebidas quentes, frias e alcoólicas, pratos quentes e um happy hour para encerrar o dia. Com iluminação natural, o restaurante Terraço Jardins também é um atrativos imperdível.

A luz natural também é um dos encantos do café da manhã no Fasano Itaim. O hotel apresenta uma releitura do design clássico do Fasano São Paulo, agora reinterpretado com linhas mais contemporâneas e sutis assinadas pelo arquiteto Marcio Kogan. Os móveis garimpados por Ana Joma Fasano e Gero Fasano funcionam como fragmentos de história que imprimem personalidade aos espaços.

Mercado de luxo está aquecido

De olho na demanda de locais e turistas domésticos e estrangeiros por hospedagens luxuosas, diversas bandeiras hoteleiras tem se movimentado para garantir seu espaço na cidade —ampliando as opções para os hóspedes.

Entre 2024 e 2025, a região da Faria Lima ganhou três novidades mais descoladas, focadas no público mais jovem: o W São Paulo, na Vila Olímpia, The Westin, no Itaim, e o Pulso Hotel, mais próximo ao largo da Batata.

Perto dali, nos Jardins, também foi inaugurado o v3rso, um hotel boutique tecnológico com a assinatura do Emiliano, que deve ganhar uma segunda unidade no megacomplexo imobiliário
Parque Global, ainda em construção na região sul da cidade.

A bandeira argentina Faena, que acaba de abrir a sua filial em Nova York, também aguarda as obras de um complexo em Pinheiros para criar sua unidade paulistana. A inauguração deve ocorrer em 2028 ou 2029.

Também até o final da década, a cidade deve ganhar um hotel da ultraluxuosa rede Kempinski —será o terceiro no país, depois do Laje de Pedra, na Serra Gaúcha, e de um segundo em Alagoas.

“São Paulo ainda tem carência de oferta de hotelaria no segmento de alto luxo”, diz José Ernesto Marino Neto, hoteleiro de longa data e sócio-gestor da Kempinski no Brasil. “Isso acaba atraindo novas marcas, porque é um mercado muito pujante.”

Fonte: Folha de S.Paulo

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