Em um desdobramento crucial para as investigações sobre a conduta de forças federais de imigração nos Estados Unidos, a Justiça federal norte-americana emitiu uma ordem proibindo a deportação imediata de uma testemunha-chave do tiroteio que resultou na morte do trabalhador da construção civil Lorenzo Salgado Araujo. A decisão do juiz Keith P. Ellison impede que o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) remova do país o mexicano Jose Trinidad Rojas Pliego, que presenciava a abordagem no momento em que os disparos foram efetuados em Houston.
A intervenção magistral ocorreu após a defesa do imigrante ingressar com uma petição urgente de habeas corpus, contestando a legalidade de sua detenção e apontando o risco de que sua remoção sumária do território americano impedisse o devido esclarecimento do caso. Além de vetar a expulsão, a ordem judicial proibiu que o ICE transfira o detido para centros de custódia fora da jurisdição do Distrito Sul do Texas sem autorização prévia da corte. A equipe legal enfatizou que o trabalhador vive há mais de vinte anos nos Estados Unidos, possui laços familiares consolidados, não apresenta histórico criminal e não representa ameaça à segurança pública.
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O caso reacendeu intensos protestos e controvérsias em relação às táticas empregadas pela agência federal. A versão oficial do Departamento de Segurança Interna sustenta que o condutor do veículo teria agido de forma agressiva durante a parada de trânsito, levando o agente a disparar em legítima defesa. Contudo, os advogados das testemunhas e os familiares do falecido contestam energicamente essa narrativa, apontando que os agentes federais estavam, na verdade, à procura de outros indivíduos e abordaram a caminhonete errada. Promotores locais do condado de Harris chegaram a prestar auxílio para que as testemunhas ingressem com pedidos de visto especial concedido a colaboradores de investigações criminais.
O episódio se insere em um contexto de forte pressão política e jurídica sobre o aumento das operações de deportação no país. Como, segundo apurado pelo Jornal Brazilian Press, o aumento das ações ostensivas de imigração tem gerado crescente preocupação entre organizações de direitos humanos e comunidades imigrantes, a manutenção da testemunha no país é apontada por ativistas e juristas como uma vitória fundamental para garantir a transparência das apurações e evitar a eliminação de provas e depoimentos decisivos para o processo.
Fonte: Brazilian Press