Você acha ok pagar R$ 75 por um sanduíche?

Os americanos adoram o marketing do superlativos. Vivem criando factoides para vender o maior hambúrguer, a pimenta mais picante, a cerveja mais amarga. Nessa brincadeira entram as comidas mais caras. Volta e meia pinta o novo sanduíche mais caro do mundo, com trufas brancas, caviar, foie gras, ouro comestível e tudo o que há de desnecessário e jeca.

O Brasil consegue emplacar preços absurdos só pelo absurdo, sem farofa de diamante ou chutney de esmeralda.

Já dói pagar uma dinheirama num restaurante chique, mas a insanidade é ainda maior quando um sanduíche, de lanchonete ou de boteco, custa os olhos da cara.

O Estadão Lanches virou ponto turístico de São Paulo por causa dos sandubas de pernil que, antes da pandemia, eram servidos 24 horas por dia.

O sanduíche é bom? Sim, tem um tempero gostoso. O Estadão é um lugar sofisticado ou, vá lá, agradável? De forma alguma: é um boteco sem nenhum atrativo, numa esquina movimentada e poluída do centro, frequentado pela fauna do centro.

Ainda assim, a lanchonete acha justo cobrar R$ 52,90 por um pão com pernil e queijo do reino. O valor é R$ 29,90 para o sanduíche só de carne – estava R$ 34,90 até outro dia, mas baixaram o preço.

Ontem vi, no meu Instagram, o post patrocinado de uma lanchonete do Itaim, especializada em francesinhas. Fiquei contente com a existência de tal coisa. Gosto muito da francesinha, uma comida típica da cidade portuguesa do Porto, com bife, presunto, mortadela, linguiça, molho picante, queijo e, na maior parte das vezes, ovo frito e batatas fritas.

Pode parecer um exagero de comida –e é mesmo, mas fica bom quando bem-feito.

Baita susto quando vejo os preços do lugar. Uma francesinha com bife de contrafilé custa R$ 69; com picanha ou maminha, R$ 75; com carne de porco, R$ 64.

“Ah, mas é uma refeição.” Para quem usa esse argumento, tenho dois contra-argumentos: 1) O próprio site diz que o produto pesa 220 gramas; 2) Uma refeição completa, com carne e acompanhamentos variados, sai por menos de R$ 30 nos botecos mais seletos da cidade.

Outra justificativa para preços siderais é o custo de ingredientes nobres. Gente, o beirute de filé mignon do Frevo, outra lanchonete patrimônio da cidade, custa R$ 27.

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Fonte: Folha de S.Paulo