Japão: perfil do país que renasceu para se tornar uma potência

Tóquio

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O Japão, cuja capital, Tóquio, é uma das mais modernas do mundo, teve incrível crescimento no Pós-Guerra

O Japão, um arquipélago no Extremo Oriente, tem a terceira maior economia do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China.

O país foi sempre reconhecido como uma potência regional, passando por fases de maior abertura e conquistas, mas também de forte isolamento.

Sua história remonta à Antiguidade, com uma tradição imperial que nasceu há mais de 2 mil anos e foi consolidada durante a Idade Média.

Devastado pela Segunda Guerra Mundial, em que sofreu os dois únicos ataques nucleares já realizados, o Japão renasceu das cinzas do conflito e se desenvolveu de forma impressionante. Além de registrar forte crescimento a partir dos anos 1950, o Japão tornou-se sinônimo de novas tecnologias, com empresas japonesas destacando-se em setores como de carros e produtos eletrônicos.

No século 21, seu papel na comunidade internacional é significativo. Além de ser uma grande fonte global de capital e crédito, o Japão é um grande doador de ajuda a nações menos desenvolvidas.

O trauma da Segunda Guerra e das décadas anteriores, em que atuou como potência imperalista, fez com que o país limitasse o papel e o tamanho de suas forças armadas.

As relações do Japão com seus vizinhos ainda são muito influenciadas pelo legado das ações japonesas antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

O Japão demonstrou ter dificuldades em aceitar e se retratar pelo tratamento que deu a cidadãos de países que havia ocupado.

Mais de três quartos da população japonesa vivem em grandes cidades, localizadas no litoral de suas quatro montanhosas ilhas.

A rápida expansão econômica da segunda metade do século 20 perdeu fôlego nos anos 1990, sob o impacto de uma crescente dívida que sucessivos governos foram incapazes de solucionar.

Parte de uma região de grande instabilidade geológica, o Japão sempre conviveu com recorrentes terremotos – e eventuais tsunamis provocados por tremores de terra sob o oceano.

Essa realidade levou os japoneses a desenvolver avançadas tecnologias de construção de edifícios permitindo que suas grandes cidades tenham arranha-céus capazes de resistir a fortes abalos.

Chefe de Estado: Imperador Naruhito

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O imperador Naruhito assumiu o trono japonês depois que seu pai, Akihito, abdicou, em 2019

O então príncipe herdeiro Naruhito assumiu o trono do Japão quando seu pai, imperador Akihito, abdicou no último dia de abril de 2029, após um reino de 30 anos.

Akihito não tinha nenhum poder político, mas teve um papel importante nos esforços por cicatrizar as feridas das guerras travadas contra vizinhos asiáticos em nome de seu pai, o imperador Hirohito.

Ele também promoveu uma imagem da família imperial japonesa mais próxima do cidadão comum, um estilo que deveria ser seguido pelo novo imperador. Naruhito, que estudou na Universidade de Oxford, disse que seu reino leva o nome de Reiwa, que significa “bela harmonia”.

Primeiro-ministro: Yoshihide Suga

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O premiê Yoshihide Suga representa a continuidade da política de seu antecessor, Shinzon Abe

Yoshihide Suga, um veterano chefe de gabinete no governo, tornou-se primeiro-ministro japonês em setembro de 2020, depois da renúncia de Shinzon Abe, devido a problemas de saúde.

Suga també assumiu o posto de líder do conservador Partido Liberal Democrata, que domina a política no país desde 1945. O premiê vem de uma família de agricultores, serviu como vice de Abe por vários anos e representava a continuidade das políticas de seu antecessor.

Abe havia assumido o cargo de premiê pela segunda vez em 2012, após uma vitória esmagadora dos liberais-democratas nas urnas, tornando-se o chefe de governo com mais tempo no cargo desde a Segunda Guerra. Seu foco foi aquecer a economia, que enfrentava dificuldades, e reforçar o Japão como uma potência regional, depois de décadas em que o país evitou assumir compromissos estratégicos.

O setor de radio e TV é tecnologicamente avançado e bastante movimentado, com muita competição envolvendo empresas de mídia privadas e públicas. Cinco empresas de TV, incluindo a pública NHK, possuem redes de transmissão terrestre. A maior parte do financiamento da NHK vem de licenças para o uso de aparelhos de TV pagas pelo público, e muitos milhões de espectadores assinam também canais de TV por satélite e cabo.

Jornalismo, dramaturgia, programas de entretenimento e esporte – especialmente beisebol – atingem enormes índices de audiência. Programas estrangeiros não são exibidos de forma ampla, mas as influências ocidentais são perceptíveis na TV japonesa.

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Os jornais do Japão têm grande influência, credibilidade e altos níveis de leitura

Os jornais têm grande influência e credibilidade. Os diários nacionais do país vendem milhões de cópias, impulsionados por suas edições vespertinas e noturnas. Alguns títulos cobram pelo acesso online a seu conteúdo.

Segundo a entidade Repórteres Sem Fronteiras, jornalistas japoneses “dizem ser difícil exercer plenamente seu papel de fiscalizadores da democracia por causa da influência da cultura e de interesses empresariais”. Em anos recentes, entretanto, a mídia online e revistas noticiosas adotaram uma forma mais agressiva de reportagem política, segundo a Freedom House.

Mais de 118 milhões de pessoas no Japão estavam na internet no final de 2018, o que representava 93,5% da população (dados do InternetWorldStats). O Line, desenvolvido pelo Japão e pela Coreia, é de longe o principal aplicativo social e de mensagens do país. YouTube, Twitter, Facebook e Instagram são amplamente usados.

RELAÇÕES COM O BRASIL

A história comum de Brasil e Japão está fortemente ligada ao ano de 1908. Em junho daquele ano, o navio japonês Kasato Maru desembarcou em Santos trazendo os primeiros 781 imigrantes do Japão para solo brasileiro. Eles procuravam uma vida melhor, deixando para trás familiares, amigos, costumes e uma depressão econômica que os ameaçava com fome e miséria.

As relações formais entre os dois países, porém, haviam começado mais de uma década antes, com a assinatura, em 1895, do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação. As mútuas representações diplomáticas vieram dois anos depois.

Atualmente, pouco mais de um século depois, a comunidade japonesa no Brasil, onde existem cerca de 2 milhões de japoneses e descendentes, é considerada a maior do mundo fora do território japonês.

A cultura japonesa teve grande influênia na sociedade brasileira, particularmente na cidade de São Paulo e região, com destaque para as atividade agrícolas.

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O bairro da Liberdade, em São Paulo, concentra a comunidade formada com a imigração japonesa ao Brasil

Já a comunidade de brasileiros no Japão é considerada a terceira maior de estrangeiros, com cerca de 200 mil pessoas – atraídas pelas oportunidades geradas com o impressionante crescimento econômico do país após a destruição na Segunda Guerra.

Em 2014, durante a visita ao Brasil do então premiê japonês, Shinzo Abe, as relações entre Brasília e Tóquio foram elevadas à condição de “parceria estratégica e global”.

Em 2018, com um comércio bilateral de US$ 8,6 bilhões, o Japão foi o nono maior parceiro comercial do país.

LINHA DO TEMPO

Importantes datas na história do Japão:

Antiguidade – O imperador Jimmu, que viveu no século 7 antes de Cristo, é considerado o primeiro imperador japonês.

Séculos 4 a 6 – Durante o período Kofun, reinos dispersos são unificados em torno da figura de um único imperador para o Japão.

1853 – A frota naval dos Estados Unidos força o Japão a abrir-se à influência estrangeira, depois de mais de 200 anos mantendo-se em isolamento.

1868 – Proclamação do Império do Japão. País entra num rápido período de industrialização e expansão imperial.

1910 – Japão anexa a Coreia, tornando-se uma das principais potências do mundo.

1914 – O Japão entra na Primeira Guerra Mundial ao lado da Grã-Bretanha e seus aliados, obtendo algumas ilhas do Pacífico que antes pertenciam à Alemanha.

1925 – Instituído o sufrágio universal para a população masculina do país.

Anos 1930 – O Japão toma as províncias chinesas de Manchu, Xangai, Pequim e Nanjing, em ações que incluíram atrocidades como o chamado “Estupro de Nanjing”.

1939-45 – Durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão ocupou vários países da Ásia, como Filipinas e Birmânia. Foi derrotado quando os Estados Unidos lançaram duas bombas atômicas, sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki.

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A rendição do Japão ao final da Segunda Guerra Mundial encerrou a era imperialista japonesa

1945 – Os EUA ocupam o país, que estava devastado pela guerra. Começa a recuperação do pós-guerra e a reforma política. A economia eventualmente cresceria, e o país se tornaria novamente uma potência econômica.

1952 – O Japão recupera sua independência, mas os Estados Unidos mantêm o controle de várias ilhas para uso militar, entre elas Okinawa.

1964 – Jogos Olímpicos são realizados em Tóquio.

1989 – Morre o imperador Hirohito, sucedido por seu filho Akihito.

2011 – Em fevereiro, o Japão é superado pela China na posição de segunda maior economia do mundo. Em março, um enorme terremoto provoca um devastador tsunami que atinge o nordeste do país. A usina nuclear de Fukushima é danificada, e o vazamento de radiação força a evacuação da área em seu entorno.

2019 – O imperador Akihito abdica do trono em favor do príncipe Naruhito, seu filho.

2020 – Atingido pela pandemia de coronavírus, o país resolve cancelar os Jogos Olímpicos a serem realizados na capital, Tóquio. Os jogos são programados para julho de 2021.

2021– Em 23 de julho, a cidade de Tóquio realiza a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, assistida por um número restrito de pessoas. Milhares de pessoas assinam petição online pedindo ao governo o cancelamento dos jogos temendo a disseminação ainda maior da Covid-19 no país

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Fonte: BBC

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