Bife de chorizo e malbec para torcer pela Argentina

Hoje é dia de parrillada. De bife de chorizo, de ojo de bife, de vacío, de colita de cuadril, de matambre, de costillar.

Hoje é dia de molejas, de morcilla, de riñones, de chinchulines, de chimichurri.

É dia de empanada, de pizza com fainá, de milanesa, de puchero, de locro, de sorrentinos, de tortilla de papas.

Dia de malbec, de bonarda, de torrontés, de Fernet com Coca.

De medialunas, de dulce de leche, de alfajores, de panqueques de manzana.

Hoje dia de ver, com olho gordo, a final da Copa América disputada por Brasil e Argentina, em pleno Maracanã. A quem me acusa de torcer contra a seleção canarinho, eu digo: muito!

Trabalhei por 20 anos em redações de jornais e revistas. Assisti aos jogos de seis Copas do Mundo da minha baia, no ambiente de trabalho.

Sempre tinha um gaiato –ou mais de um– que torrava a paciência secando a seleção brasileira. Às vezes, um prezado colega ia trabalhar com o uniforme do adversário. Holanda. Inglaterra. Não me lembro de ninguém com a camisa argentina –era perigoso sair assim à rua em tempos de Copa.

Para mim, era uma bobagem meio irritante. Por mais que o Brasil sempre tenha sido um amontoado de problemas e coisas erradas, não via razão para torcer contra o time nacional.

Agora vejo milhares de razões para fazê-lo.

Sou absolutamente contrário ao Brasil que Bolsonaro e seus discípulos querem nos forçar a engolir.

Vivi na versão beta desse país, lá nos anos 1970, e posso dizer que não prestava. O remake miliciano dos anos de chumbo tem tudo para ser bem pior do que o original.

O Brasil dessa corriola vai de encontro a tudo o que eu sempre defendi, se opõe a todos os meus valores inegociáveis. Não existe a menor possibilidade de eu torcer a favor desse Brasil.

Esse projeto medieval de nação sequestrou a camiseta da seleção brasileira. Não consigo torcer para um time que parece saído de uma manifestação bolsominion.

Além do engulho reflexo que causa a visão do manto canarinho, há motivos concretos para mandar a equipe do Brasil pastar no gramado do Mario Filho.

Não dá para torcer pelo Neymar, aquela cabecinha pouco privilegiada.

Não dá para torcer pelo SBT. Não dá para torcer pelo Madero e seu hambúrguer sofrível, pela Havan e o vilão caricato de gibi ruim.

Não dá para torcer pela CBF. Nunca deu, mas agora a soma de fatores fez o vaso transbordar. Não dá para torcer pelo Brasil num torneio que nem deveria ocorrer, quando os cadáveres da peste já passam de meio milhão.

O jeito é secar os meninos do Bolsonaro, acender a parrilla, abrir o “bino” e esperar que o Messi faça murchar o espetáculo de propaganda no Maracanã. Urucubaca nos amarelinhos.

Pode dar errado, muito errado, e pode ser que sejamos obrigados a aturar o governo faturando em cima de uma vitória. Dane-se, todo dia tem um 7 a 1 diferente.

Ainda vai demorar até o próximo sábado de feijoada e caipirinha para ver jogo da seleção brasileira.

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Fonte: Folha de S.Paulo

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