Livro A Vela Vermelha: um novo Código da Vinci?

Livro A Vela Vermelha

A Vela Vermelha: um novo Código da Vinci?

por Elisa Fonseca (Revista Perpétua) e Marcelo G. de Souza

Livro A Vela Vermelha: Colapso de Dogmas
Livro A Vela Vermelha: Colapso de Dogmas

“Assim como as cigarras, que surgem em intervalos de 17 anos, o livro A Vela Vermelha vem para completar o ciclo iniciado pelo Código da Vinci, de Dan Brown.”

Com a frase acima, o enigmático autor Iann Fox descreve a sua obra recém-lançada. Fox, oriundo da pequena cidade de Santiago, no Rio Grande do Sul (onde também nasceu o famoso escritor Caio Fernando Abreu), se mudou para os Estados Unidos anos antes do fatídico 11 de setembro de 2001. Naquela época, já PhD em Religião e Mestre Maçom, sempre interessado por assuntos metafísicos desde a sua adolescência, procurou pesquisar para tentar compreender de onde surge todo o ódio ao mundo livre, ódio esse que ocasionou o atentado terrorista às Torres Gêmeas, e também os preconceitos que se tornaram consequências daquela tragédia. A investigação inicial deu origem ao livro que, anos depois, foi publicado sob o título A Vela Vermelha: Colapso de Dogmas.

A história em A Vela Vermelha é baseada em fatos históricos e conta com o protagonismo do professor Alex Ortiz, imigrante brasileiro levado ainda criança para os Estados Unidos por pais adotivos. Aos seus 47 anos de idade, ele se depara com um emaranhado de mistérios e descobertas chocantes, todos parecendo estar conectados ao seu passado e a um objeto misterioso, cuja única pista se encontra em uma mensagem maçônica cifrada, escrita pelo próprio “herói de dois mundos”, Giuseppe Garibaldi.

Em 2004, após ler o Código da Vinci, Iann Fox retomou a construção do seu livro ao perceber uma “mão invisível” na narrativa de Dan Brown, que possuía relação com suas pesquisas de 3 anos antes. Começou, então, a investigar algumas questões relacionadas àquela obra, como a veracidade ou não da existência do Priorado de Sião que, diz ele, foi utilizado para criar a ilusão de que Jesus teria sido casado e que, portanto, possuiria descendentes. Estes descendentes, se existissem, consequentemente teriam direito, como Jesus, ao trono de Davi. Ou seja, segundo Iann Fox, se a população comum aceitasse aquela “fake news” de que existiria um suposto descendente de Jesus na atualidade, este seria coroado como o “Rei do Mundo” (Rex Mundi), um monarca presente em algumas profecias, que teria o direito de governar um Império Mundial controlado pelas elites. “Esse era o mesmo objetivo de Hitler com o Terceiro Reich”, diz Iann Fox.

Autor IANN FOX
IANN FOX

Teorias de conspiração à parte (muitas das quais Fox diz serem verdadeiras), suas pesquisas o levaram a encontrar excitantes fatos históricos desconhecidos e de difícil acesso, bem como as incríveis razões para a manipulação das massas populares, por elites. Com o intuito de investigar ainda mais, Iann Fox buscou informações nos Estados Unidos, na América Latina, na França e na Itália, entre outros lugares. Nessas incursões, veio a se deparar com documentos raríssimos, anteriores à Revolução Francesa, bem como outros posteriores, como a própria ata da iniciação maçônica de Garibaldi, no Uruguai. O resultado final do livro A Vela Vermelha é uma trama internacional em uma mescla de culturas: brasileira, americana, italiana e cubana.

Além dos extensos estudos citados, essa multipluralidade está presente na vida do autor e se reflete nesta obra, onde temos Alex, imigrante do Brasil, casado com Gabby, imigrante de Cuba. O desenvolvimento das personagens é marcante e as dores delas são sentidas pelo leitor à medida que os relatos e ações são descritos com base na identidade, na religião, na vida e na origem das mesmas. Logo no início do livro nos deparamos com o cruel assassinato dos pais adotivos de Alex e a frieza do assassino, Bubba, ao matar quem ele considera pessoas inferiores, ou “de lama” (mud people). Mesmo sendo chocante, a complexidade desse tratamento se antagoniza e nossas emoções entram em conflito quando o autor mostra as outras faces da personalidade do assassino.

Reflexões acompanham uma enigmática rede de informações, até então ocultas, que são esclarecedoras para qualquer público. Conhecimentos apresentados não são somente maçônicos, mas contêm camadas de profundidade especificamente voltadas para membros dessa fraternidade. Princípios da Maçonaria como tolerância, igualdade e fraternidade transparecem no comportamento dos personagens maçons, porém, detalhes estruturais da narrativa formam uma charada por si só. E, apesar de A Vela Vermelha ser uma obra de ficção, é baseada em fatos históricos e eventos reais certamente desconhecidos pela maioria das pessoas.

O livro demorou 17 anos para ser concluído, mas traz necessidades muito atuais: desmistificar religiões e fanatismo, mostrar os verdadeiros grupos que se movimentam nos bastidores de movimentos políticos globais, revelar os interesses por trás das “fake news” e, principalmente, promover a tolerância ao combater preconceitos.

Iann Fox, além de mostrar uma prosa madura e bem constituída, consegue enlaçar mensagens diversas ao longo da obra A Vela Vermelha, trazendo nuances de preconceitos de forma muito fluida que, ao final, continuam a nos questionar se nós mesmos, de certa maneira, não seríamos também preconceituosos.


Entrevista com o autor: https://www.iannfox.com/o-autor-iann-fox/entrevista-com-iann-fox/

Website do autor: iannfox.com

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